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As eleições e as urgências de nossa classe...

category brazil/guyana/suriname/fguiana | a esquerda | feature author Saturday September 13, 2008 15:51author by Rusga Libertária - Rusga Libertária - FAOauthor email rusgalibertaria at yahoo dot com dot br Report this post to the editors

breve análise das eleições municipais em Cuiabá - MT

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Brasil. Breve análise das eleições municipais em Cuiabá - MT


Para nós, anarquistas organizados na Rusga Libertária a disputa por um projeto político que atenda as nossas urgências não serão nunca disputados dentro das instâncias criadas e administradas pela mesma classe que nos oprimi. Deve ser construída no cotidiano, em nosso dia a dia em cada bairro, escola, universidade e local de trabalho, empreendendo nestes espaços todos os esforços para se impulsionar um forte movimento organizado da classe trabalhadora e oprimida, lutando sem trégua por um combativo movimento comunitário nas periferias, pela reorganização do movimento sindical a partir da base e da juventude relegada ao desemprego e a precarização do trabalho informal, resguardando em todos estes espaços a mais ampla independência de classe em relação aos governos, partidos e aos patrões.

Lutando para que estes movimentos forjem um povo forte e lutador, protagonista de seu destino, e não oportunistas que se aproveitam dos mesmos para se construírem na política burguesa, que encontram nas lutas um trampolim para uma ascensão social através de seus mesquinhos partidos. Tarefa esta que deve se estender em todo território estadual e nacional nestes dias difíceis para nossa classe.


As eleições e as urgências de nossa classe:

breve análise das eleições municipais em Cuiabá – MT.


Estamos em meio a corrida eleitoral, este ano a disputa será pelos municípios: prefeitura e câmara de vereadores. Novamente a sociedade ira parar para o espetáculo eleitoral promovido pelo sistema burguês que tem neste mecanismo político, as eleições, um instrumento para conter um profundo questionamento sobre seus alicerces, que discuta a necessidade de sua superação mediante a ação organizada do povo em suas lutas.

Com candidaturas que se utilizam de um mesquinho e demagógico populismo através de Walter Rabelo/PP, à tentativa de reeleição de Wilson Santos/PSDB com o apoio de nada mais nada menos que o PCdoB passando pelo aliança do PT com o PR do latifundiário e governador oligarca do Estado Blairo Maggi através da candidatura do empresário Mauro Mendes, o cenário que se apresenta hoje em Cuiabá, e pouco se distingue nas demais cidades do Estado e até do país, é de uma simples disputa de camarilhas. Tudo se discute, menos um projeto de sociedade. As discussões, ainda por parte daqueles que se colocam como alternativas progressistas, é de meros paliativos, de administração das mazelas. O projeto já esta posto pelas elites, a corrida é para ver quem ira se mostrar mais eficaz para aplica-lo.

As eleições, acreditamos que isso não seja novidade, não é e nunca foi decidida nas urnas, mas sim entre conchavos anteriores, realizados nos bastidores entre as principais figuras da elite do município, do estado e do pais. Não é novidade à ninguém a sórdida aliança que realizou Wilson Santos com a “máfia do transporte público”, para se eleger. Essa aliança foi escancarada nos incontáveis esforços que fez este prefeito à beneficiar este ramo, sendo omisso na cobrança de impostos às empresas e buscando por todos os meios criar um ambiente favorável para os sistemáticos aumentos e suas tentativas de restrição ao passe livre estudantil que foram desde a criminalização e repressão das lutas da juventude que buscavam resistir a estas investidas à mais cínica justificação dos argumentos dos empresários pelo aumento. E essa aliança não para por ai, na surdina o empresariado do transporte junto à prefeitura vai tramando não só mais um aumento como a demissão dos cobradores em função do sistema de bilhetagem eletrônica; centenas de cobradores podem ser postos no olho da rua. Como se não bastasse todo esse jogo em conjunto com os empresários do transporte, também fez de tudo para privatizar a SANECAP e aumentar o IPTU.

Silenciando sobre estes fatos, Walter Rabelo busca se erguer como “homem do povo” se comparando a Lula, afinal de contas, “vem do povo e é do povo”, não apresenta nada além de abraços distribuídos pelas ruas e propostas que se esforçam para ir além da aquisição de banheiros químicos em feiras. Assim , o ex apresentador de TV, que sempre se utilizou de seu programa como meio de explorar a miséria humana, distribuindo cestas básicas, pagando contas de energia dentre outras investidas do gênero à famílias que se sujeitassem a chorar e agradecer sua generosidade em horário nobre, vai buscando saltar de deputado estadual à prefeito em sua desesperada sede de poder e manipulação do povo pobre e trabalhador. Enquanto isso aqueles que dominam o Estado mediante a violência do agronegócio, expressa na expulsão de comunidades ribeirinhas, indígenas e pequenos agricultores para dar lugar ao avanço das monoculturas de cana, soja, algodão e agora também o eucalipto buscam na eleição de Mauro Mendes a concretização de seu poderio político na terra de ninguém que é este pedaço do Brasil chamado Mato Grosso, dominado pelas botinas e pistolas latifundiárias.

E a busca pela extensão de seu poderio não poderia vir acompanhada de outros métodos, se não suas antigas e rotineiras práticas oligárquicas e coronelistas, como a utilização da máquina pública para fins pessoais. Recentemente nas administrações públicas do Estado funcionários, em sua maioria estagiários, tem sido intimados por seus superiores a comparecerem nos comícios de Mauro Mendes sob pena de demissão. Mesmo após inúmeros estagiários terem feito inúmeras denuncias anônimas tanto o Governo do Estado quanto a imprensa silenciam.

Explicitando a devida coerência para com o cenário político nacional, o PR encontra no PT seu principal aliado na empreitada de se disputar este aparato. Não podia encontrar melhor aliado após o governo Lula ter se mostrado um braço forte do agronegócio, mantendo estagnada a reforma agrária, empurrando de forma violenta e sem quaisquer discussão na sociedade a transposição do Rio São Francisco para satisfazer as pressões dos grandes fazendeiros do nordeste e avançando na criminalização dos movimentos que resistem ao avanço destes projetos[1]. Como se não bastasse a violência contra os pobres do campo ao criminalizar sua resistência e beneficiar o agronegócio, este também é o governo e o partido que hoje avança contra o conjunto da classe trabalhadora, buscando cercear o direito de greve, aprovando projetos de lei que legalizam o trabalho aos domingos para comerciários, busca acabar com a previdência pública, dificultando ainda mais a aquisição de nossa aposentadoria e enviando tropas do exército para ocupar os morros do Rio de Janeiro, assassinando a esmo seus moradores e mantendo esse mesmo exército ocupando o Haiti a base da violação dos direitos deste sofrido povo. Inúmeros são os casos de denúncia de violação dos direitos humanos, como torturas e até casos de estupros[2], às tropas do exército, no entanto o governo Lula e seu partido, o PT, seguem legitimando a ocupação.

Apresentando um discurso “progressista” aparecem as candidaturas do PSB com Valtenir e do PSOL com o procurador Mauro. Ambas cristalizam de forma bem nítida o principal fantasma que abraçou a esquerda brasileira, ou ao mínimo aquilo que um dia se pretendeu ou ainda pretende ser esquerda. Se trata do fantasma da burocracia; se colocando como candidaturas em um campo “progressista” e/ou de “esquerda”, estes, nasceram e cresceram dentro da burocracia partidária, não tendo nenhuma passagem, ainda que efêmera, pelos movimentos de base. Seus respectivos eixos de intervenção é a busca de uma amenização da situação social dentro dos limites impostos pelo mercado, o que resulta em uma política de pequenas concessões, conciliação com as elites e a busca por uma amenização dos conflitos sociais. A expressão socialismo aqui esta relegada a um vago conceito de justiça social e ética na política[3].

Se agrava ainda mais a situação de Valtenir, quando este, ao se afirmar como oposição a atual administração de Wilson Santos durante toda sua carreira, ao ser convidado a ser vice na chapa de reeleição de Wilson “brilhou os olhos” com a possibilidade, não tendo rejeitado a mesma de imediato estendo duas semanas para negar a proposta. Estranho comportamento de alguém que se julga ser oposição.

Já para a câmara de vereadores a “disputa” se transforma em um verdadeiro escárnio, com demagogos e palhaços para tudo quanto é tipo de gosto. É o cenário que mais define o que é esse ambiente podre da política institucional, uma verdadeira patifaria.

Para nós, anarquistas organizados na Rusga Libertária a disputa por um projeto político que atenda as nossas urgências não serão nunca disputados dentro das instâncias criadas e administradas pela mesma classe que nos oprimi. Deve ser construída no cotidiano, em nosso dia a dia em cada bairro, escola, universidade e local de trabalho, empreendendo nestes espaços todos os esforços para se impulsionar um forte movimento organizado da classe trabalhadora e oprimida, lutando sem trégua por um combativo movimento comunitário nas periferias, pela reorganização do movimento sindical a partir da base e da juventude relegada ao desemprego e a precarização do trabalho informal, resguardando em todos estes espaços a mais ampla independência de classe em relação aos governos, partidos e aos patrões. Lutando para que estes movimentos forjem um povo forte e lutador, protagonista de seu destino, e não oportunistas que se aproveitam dos mesmos para se construírem na política burguesa, que encontram nas lutas um trampolim para uma ascensão social através de seus mesquinhos partidos. Tarefa esta que deve se estender em todo território estadual e nacional nestes dias difíceis para nossa classe.

Saúde, educação, transporte público de qualidade, passe livre para estudantes e desempregados, emprego, moradia, redução da jornada de trabalho e ampliação do salário mínimo, reforma agrária que coloque a terra a serviço da produção de alimentos para o povo e não para exportação para os países ricos, estas são algumas de nossas muitas urgências, as quais arrancaremos no velho instrumento que o povo sempre se valeu para avançar: a luta popular. Lutar e vencer fora das urnas! Com Ação Direta Popular.

Fortalecer e impulsionar as lutas do povo, forjando em seu cotidiano a construção do poder da classe, o poder popular!!!

Lutar e Vencer fora das urnas! Com ação direta popular!

Povo unido é povo forte!

Rusga Libertária – FAO (Fórum do Anarquismo Organizado)


[1] “Serviço de inteligência da Presidência já monitora entidades, mas idéia agora é dar transparência a plano e trabalhar com ministérios” Governo quer conter ações de movimentos: publicado em Folha de São Paulo 16 de março de 2008.

[2] Ver: “Exército Brasileiro atua com repressão no Haiti” em http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/exe...haiti e “General brasileiro admite que abusos sexuais "podem acontecer" no Haiti” em http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internaciona...haiti

[3] Sobre a burocratização da esquerda parlamentar ver “Do reformismo a festão do capital” em http://www.vermelhoenegro.org/fag/leiaformacao.php?titu...6ff98

Verwandter Link: http://www.rusgalibertariafao.blogspot.com/
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Tue 31 Jan, 15:13

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ix_elaopa.jpg imageIX ELAOPA, Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas 05:12 Fri 10 Dec by ELAOPA 0 comments

O ELAOPA (Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas) reúne, anualmente, organizações sociais pautadas na luta de classes e na identidade dos povos originais da América Latina, a partir dos seguintes princípios: democracia de base, solidariedade de classe, luta popular e autonomia dos oprimidos e dos povos originários. Autonomia em relação aos partidos políticos, ao Estado e seus governos, às ONGs, às empresas, e a todos aqueles que querem oprimir. O ELAOPA proporciona o espaço para o debate visando a convergência de ações políticas no intuito de criar o Poder Popular.

textEm defesa da autonomia dos movimentos sociais! 17:47 Thu 24 May by Rusga Libertária 0 comments

Passamos hoje um momento de crise dentro dos movimentos sociais onde se discute o governismo de várias entidades e a cooptação destas pelos projetos lulistas. Busca-se alternativas para uma nova organização dos trabalhadores que não seja refém de práticas governistas e partidárias. Essa questão acaba passando dentro do CLTP (talvez um dos movimentos sociais mais fortes em Cuiabá nos últimos dois anos).

imageHEGEMONISMO DISFARÇADO DE "UNIDADE" E A UNIDADE QUE SE FORJA COM LUTA E ORGANIZAÇÃO Jun 15 by BrunoLR 0 comments

Por Bruno Lima Rocha – 14 de junho de 2020
Ao longo das últimas duas semanas venho promovendo na coluna que produzo para algumas emissoras livres e comunitárias um debate direto e tranquilo. Trata-se de aderir ou não (fisicamente) aos atos antifascistas e antirracistas. Também abordo o tema da unidade possível e do leque de alianças desejável. Não me refiro em momento algum a quem está preocupado com a pandemia e como todas e todos nós, entendemos que a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o isolamento social está correta. Se a preocupação maior for a de evitar a propagação do contágio por aglomeração e contato físico, não há sombra de dúvida que é uma posição sólida e honesta intelectualmente. Tampouco na crítica, jamais me refiro a individualidades e sempre a lideranças consolidadas, com cargos eletivos ou postos de direção em partidos e movimentos. Também fica a crítica para as celebridades e subcelebridades, acadêmicas, artísticas ou esportivas que, sem compromisso político, aproveitam momentos de organização social para se promover.

imageAusência de ideologia de câmbio e a base para a guinada à direita Apr 20 by BrunoL 0 comments

É lugar comum ouvir em análises e expressões vindas de todas as camadas da esquerda e da centro-esquerda, algo como “quando este povo vai se levantar indignado”? Além do sentimento de revolta e frustração – totalmente compartilhado por este que escreve – a afirmação também traz elementos de certa condescendência com o governo deposto e algo da perigosa inocência politica. Neste breve texto, tento demonstrar como a categoria ideologia foi desprezada e, por óbvia consequência, a relação com o oligopólio da mídia – em especial com a empresa líder – foi reificada.

imageLulismo, trabalhismo e a possibilidade de reeleição Aug 13 by BrunoL 0 comments

Bruno Lima Rocha, 12 de agosto de 2014

Estamos em pleno ano eleitoral, e no momento em que escrevo estas linhas, tardam menos de dois meses para o pleito. Existe a real possibilidade de reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) e com isso seria concretizado um feito inédito de dupla reeleição. Dois debates entendem-se como necessários para traçar tanto uma análise do cenário eleitoral como de uma conseqüente crítica por esquerda. O primeiro aborda o cenário eleitoral e as candidaturas oficiais por direita, além do próprio risco de não conseguir emplacar um segundo mandato. O seguinte trata da comparação do espaço político, ocupado pelo lulismo, como uma “continuidade descontínua” do trabalhismo contemporâneo.

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O Brasil não será como antes, não ao menos em termos de cultura política. Após dez anos de pasmaceira e vinte e um anos sem manifestações massivas, o país se reencontra com a luta política de rua e de massas. Algumas lições foram transmitidas, dentre as quais elenco três.

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O que exigimos é respeito e, para isso, um debate franco é o melhor caminho que podemos trilhar. Sem ignorar nossos princípios ideológicos e as experiências históricas relevantes, nas quais cerramos fileiras com outras tradições da esquerda ou fomos traídos, o anarquismo tem um papel importante a cumprir no conjunto mais amplo do socialismo.

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textEm defesa da autonomia dos movimentos sociais! May 24 Construindo o Fórum do Anarquismo Organizado 0 comments

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