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Abaixo o golpismo, a miséria e a devastação neoliberal!

category internacional | miscellaneous | opinião / análise author Thursday September 23, 2021 09:11author by Dorvalina Ribas Martins - CAB Report this post to the editors

Nota pública da CAB sobre a conjuntura brasileira

Nada de ditadura e terror das forças policiais-militares! Chega de políticas de miséria e privatização que quebram a vida das massas populares e devoram pelo mercado tudo que é comum, coletivo, público, solidário.
Isso não é uma escolha! É uma crise apontada como arma para governar o país com o ajuste no grau máximo sobre as conquistas populares e com toda a violência que supõe o modelo liberal diante de um povo atacado severamente pela pandemia mortal que nasce das entranhas do sistema dominante, dos danos sociais e ambientais irreparáveis que deixa em tudo que toca.
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O barulho golpista do 7 de setembro desse ano só deixou mais estampado o que está em curso. Não estamos mais vivendo o mesmo jogo de poder da democracia burguesa que o sistema acostumou uma parte da sociedade no último período da vida política. Os partidos do reformismo ou menos que isso, o PT e o colaboracionismo de centro, já deveriam ter aprendido com isso. Se não pela formação histórica do capitalismo periférico brasileiro, feita da técnicas do poder colonial, pelo menos com os artefatos golpistas aplicados nos últimos anos no país ou experimentados na nossa região do continente. Quem mira demais nas eleições presidenciais de 2022 comete um erro letal nas filas da resistência. A extrema-direita faz luta de classes declarada e não joga sua vida no resultado das urnas, o que no mínimo quer dizer que a besta feroz está solta, perdeu a vergonha, pegou o gosto da rua e não aceita por a coleira do dono e voltar pra casa.

O bolsonarismo é um “bate-pau” que foi estimulado pelo poder imperialista, que foi útil como elemento violento para a luta de classes e as práticas de governo pela austeridade que supõe o capitalismo neoliberal. Nunca será demais dizer que as pautas de miséria e fome do ministro da Economia, que foram apoiadas pela direita liberal e ultimadas pelo “mercado”, precisaram do trabalho sujo dos milicianos, da máquina barulhenta de desinformação em grande escala e da intimidação golpista dos milicos para avançar. Contaram até bem pouco tempo com o jogo seletivo e mui amigo do judiciário. Isso mesmo, dessa elite da toga que agora é motivo de todo ruído. Uma configuração de elementos que se apoiou mutuamente e formou uma situação estratégica, que faz o quadro dessa luta que temos diante da gente agora e de onde emerge esse movimento reacionário e fascistóide que está na cena.

É depois que vieram as desavenças no andar de cima. O que não apaga o tempo precioso e decisivo que as classes dominantes formaram um só bloco para tomar vantagem e esticar a corda do Estado policial que emergiu para governar o ajuste. Nos empurraram todas essas políticas amargas de privatização dos ganhos e socialização dos prejuízos pra nos afundar no arrocho salarial, no desemprego, no trabalho informal, fazer escalar sobre nossa pobreza o preço da comida, do gás, da luz, da gasolina.

O Estado brasileiro se moveu para a formação estratégica de um poder político baseado em uma onda de forças reacionárias, no quadro de um sistema mundial de crises e revoltas depois da delinquência capitalista financeira de 2008. E só podia evoluir na conjuntura das eleições de 2018 como golpe bruto, em caso de derrota eleitoral, ou pela escalada feroz da extrema-direita no Planalto através de um governo militar, com o maior assanhamento dos milicos na política desde o pacto da Nova República. Nessa direção coincidiram os truques de corrupção judicial feitos para mexer nas regras ao gosto do sistema e, claro, o fenômeno político do bolsonarismo e da figura do salvador.

Congresso e Supremo ajudaram no avanço da extrema-direita

Nós somos anarquistas, do projeto militante organizado na CAB e levantamos a bandeira contra o sistema capitalista e todas as opressões. O Congresso e o Supremo são mecanismos conservadores, de reprodução do sistema em um jogo de poder que anula qualquer mudança que pretenda tocar mais fundo nas estruturas que dominam e oprimem. Bolsonaro teve ajuda deliberada dessas instituições para escalar o poder político, e elas tiveram que torcer e distorcer a legalidade burguesa pra cavar espaço e fazer a hora da extrema-direita governar.

Nunca vamos esquecer que Bolsonaro foi criatura histórica da campanha de reação neoliberal, incitada pela Globo e pela Lava Jato, que abriu espaço ideológico para a extrema-direita ocupar as ruas, as redes sociais e ganhar a decisão política que tem hoje. O tipo de radicalização do bolsonarismo ocupa o espaço que deixa a falência da democracia burguesa e se move pra bater e perseguir o movimento popular, liquidar junto qualquer mecanismo de participação popular, direitos individuais, liberdades públicas e coletivas.

Ataca no espaço político inédito que ganhou com apoio do sistema e faz luta de classes sem pudor contra as organizações populares e da classe trabalhadora. Incita certamente um desejo de ruptura conservadora, que escala formas autoritárias e violentas de governo pela crise, que explora politicamente a tutela ou colaboração ativa dos fardados. “Radicaliza” com um discurso duro e extremo uma região mais visível da estrutura de poder. Antes de abraçar com o Centrão eram os políticos, os partidos e a regra de trocas e conchavos. Agora miram na capa mais elitista dos togados da democracia burguesa. E vai fazendo agitação reacionária mexendo nesse imaginário de frustração com a etapa do pacto social que foi o normal de outro período.

Liberdade apenas para a exploração empresarial

O bolsonarismo é um modo ofensivo e autoritário de escalar a representação pela figura do líder infalível e o desejo de tutela das forças repressivas. O povo nesse esquema entra no máximo como torcida, como claque, que grita, que xinga, que sempre está em estado latente e pode invadir o campo de jogo. Supremo mesmo é o Mercado, a propriedade e o jogo das empresas, e a única liberdade que esse modelo dominante supõe é a da propriedade espoliar os povos como projeto colonial, racista, extrativista e ecocida. De explorar sem qualquer limite a classe trabalhadora, anular cada conquista feita a base de luta que tirou um naco da ganância e do controle do patrão. Bolsonaro e Guedes não tocam nas fortunas e nas rendas das classes ricas. É um projeto que é inimigo mortal de um modelo de coletivização do poder baseado em democracia direta, políticas de igualdade e as mais amplas liberdades.

Estão enganados quem classifica isoladamente os atos de Bolsonaro como insanidade. Ele não fala sozinho! Ele convoca um movimento com empresários e grupos poderosos, pra quem a vida dos pobres ou vale nada ou só serve como burro de carga dos donos da “economia”. Esse é o capitalismo que governa as periferias mundiais pelas técnicas de poder colonial e escravista. Empresas da cadeia do agronegócio ou bilionários como o verme da Havan, por exemplo, que financiaram e apoiam ativamente a agitação golpista que foi a Brasília e na avenida Paulista fazer manobra no dia 7 de setembro. Quem faz locaute e deu as ordens de bloqueio de pista em diversas rodovias e estradas pelo país.

Os setores burgueses e oligárquicos que estão em aberta disputa do poder político com Bolsonaro, que se dividiram, certamente têm pressa em voltar a dominar o jogo, mas tomam muito cuidado com alguns elementos colaterais. Eles têm medo de abrir espaço demais para um movimento popular sair de baixo, crescer na cena pública e brigar por decisões que mexam nas suas regras, privilégios e fortunas. Eles querem a todo custo separar o governante Bolsonaro do modelo neoliberal de governar pelas pautas de privatização, concorrência e precarização do mercado sobre o trabalho e a vida. Remover o estorvo não pode significar em nenhuma hipótese perder o poder sobre as pautas que decidem como organizamos nossa vida em comum e pra onde vamos.

Muitas coisas podem estar em jogo na negociação que trouxe de volta pro palco o político neoliberal e golpista de 2016 Michel Temer. Está na mesa a exigência do poder econômico e financeiro dos grandes capitais em não deixar o plano do ajuste liberal e das privatizações trancar no meio do colapso institucional. A “carta à nação” que Temer assoprou para Bolsonaro é um “sai da frente” que o mercado tem urgência na Reforma Administrativa, o Marco Temporal, um pacote de privatizações de empresas públicas, e não tem tempo pra perder.

Derrotar o poder burguês e o militarismo

Nós lutamos e queremos uma ruptura com o poder burguês, um basta radical e profundo que quebre o sistema de pobreza e violência que nos golpeia tanto. Aumento do poder policial ou qualquer tipo de intervenção militar não é saída para as classes de baixo. Quem chama os generais para a cena faz isso para manter a ordem miserável das coisas pela tutela militar. A democracia burguesa brasileira, como espaço de jogo das oligarquias e colaboradores, tem formação colonial-racista muito encarnada e se articula com a exceção que nunca foi desarmada e sempre foi máquina de controle da pena dos povos originários, dissidentes e classes consideradas perigosas.

Que ninguém se engane! Quem fala em intervenção militar, ditadura ou militares na rua fala em repetir práticas da ditadura pra silenciar o povo e fazê-lo passar fome. Por isso dizemos bem alto: Fora militares! Da política e das ruas! Não esquecer! Jamais perdoar!

Nenhuma ditadura, de qualquer tipo, tampouco essas formas políticas de representação controlada pelas oligarquias que chamamos de democracia burguesa, dão decisão para as classes oprimidas mudarem de vida. Está na ordem do dia uma linha forte e independente de movimento popular de base para lutar por igualdade e repartir as riquezas, tomar decisões importantes e vitais para a vida com democracia direta. Nada de salvador da pátria ou lideranças infalíveis de um estado policial. Nada de governar pelo garrote da polícia e da economia de mercado.

Para dar um fim no governo genocida de Bolsonaro/Militares/Guedes vamos ter o desafio de fazer a luta não pegar o freio das burocracias sindicais e partidárias, não ser capturada pro calculismo eleitoral e avançar potente, com a marca rebelde da independência de classe, contra todo o sistema que cria os genocidas e carniceiros do povo.

Teremos que desmontar a própria máquina de opressão que tirou a vida de Marielle, que ataca diariamente o povo negro, periférico e indígena. Máquina de destruir e de produzir de um capitalismo extrativista que devora a Amazônia, territórios indígenas, quilombolas e camponeses com mineração e agronegócio, planta veneno, expropria corpos, territórios, biodiversidade, bens e valores comunitários que são inegociáveis para nossos povos. Que nunca serão recursos para o comércio e a cotação financeira do mercado capitalista.

Máquina mortífera que liquida nossa aposentadoria e o seguro social dos pobres em nome de gestão fiscal que rende lucros espetaculares aos bancos e o sistema financeiro. Que liquida as vitórias operárias que saíram de lutas históricas e impuseram limites a tanto abuso patronal. As reformas liberais que dão poder para as empresas e para o mercado aumentarem a exploração, não cuidar das doenças, os acidentes, os dias de descanso e sugar no máximo grau um trabalho precário, de subempregados, com salários miseráveis e muitas vezes atrasado.

O sistema fode o povo brasileiro com uma vida cara e precária que não consegue suportar a pressão das tarifas e os preços do básico das demandas populares. Que castiga as mulheres com mais miséria e opressão, que deixa a saúde e a educação em estado de colapso e desmonta toda a rede solidária de ajuda social.

A luta anarquista neste período

Nós somos historicamente a corrente libertária do socialismo. Lutamos por democracia direta, outra forma de viver e fazer política, mais direitos e liberdades, organização de baixo pra cima, decisão sobre projetos, serviços, mais investimento público pra atacar na raiz as desigualdades sociais.

Por democracia direta queremos afirmar: 1) a construção, pelo chão da igualdade, de um movimento popular forte que luta e se organiza com independência dos governos e patrões; 2) o direito popular de tomar decisões por conselhos, plebiscitos e referendos para anular o ajuste que aumenta a desigualdade social, massacra a vida dos mais pobres e liquida os direitos das/os trabalhadoras/es; 3) o princípio fundamental da participação popular, da defesa de amplas liberdades de manifestação, de associação, de expressão, diversidade, direitos sociais e individuais.

Na crise social e econômica que arrebenta sempre na massa popular, na classe trabalhadora que está esfarrapada, enquanto o milionário ou o bilionário seguem no luxo, só o povo salva o povo! Com apoio mútuo, democracia direta, com um movimento popular independente e forte lutando e construindo outra vida pelas próprias mãos. Os aliados de quem luta contra o sistema da fome e da morte não estão do outro lado, nas classes que exploram e oprimem.

A aliança estratégica que pode mudar tudo está nos povos, nos setores e grupos que formam essas classes oprimidas que são as únicas que podem quebrar as estruturas da dominação e da barbárie em que as elites nos jogaram. Pra ganhar força nessa luta de classes que enfrenta o bolsonarismo e o neoliberalismo que vem arrasando tudo de trás da pane institucional, somente com a revolta dessas massas trabalhadoras e oprimidas, onde o povo negro e as mulheres pobres da periferia são o rosto mais expressivo. Uma Frente dos oprimidos e oprimidas que se imponha pela força das ruas e dos territórios, das redes de apoio mútuo, que corte o passo autoritário do bolsonarismo e junto com sua derrota avance com poder popular pra além da democracia burguesa e todo esse modelo capitalista de cada um por si, vida precária, sofrimento e panela vazia.

Ação direta popular! Plano de lutas pra acender a revolta na periferia!
Frente dos oprimidos e oprimidas pra unir a rebeldia que vem de baixo!
Só o povo salva o povo!
Abaixo o golpismo, a miséria e a devastação neoliberal!

POVO FORTE CONTRA O SISTEMA DA FOME E DA MORTE!

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