user preferences

New Events

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana

no event posted in the last week

Análise de conjuntura abordando especificamente os interesses classistas para este 1º de maio de 2015

category brazil/guyana/suriname/fguiana | community struggles | opinião / análise author Friday May 01, 2015 11:24author by BrunoL - 1 of Anarkismo Editorial Groupauthor email blimarocha at gmail dot com Report this post to the editors

30 de maio de 2015, Bruno Lima Rocha

Abertura – Na semana de 1º de maio de 2015, vivemos um momento ímpar. A classe trabalhadora pode estar diante da pior derrota na história recente do país desde a traição de João Goulart (quando este optou por não resistir) quando do golpe de 1º de abril de 1964. O absurdo é estarmos vivendo esta circunstância em função de um governo frágil, que fez campanha por esquerda (em especial no 2º turno), ganhou raspando – acertadamente polarizando o país – e já entregara quase tudo ainda no ano de 2014. A conjuntura é tensa porque esta mudança vinda do Projeto Lei 4330 na prática altera – e para o bem da acumulação dos patrões e empregadores, além de rentistas que se beneficiam dos recursos coletivos da União – a estrutura das relações de trabalho no Brasil. Logo, quando uma conjuntura pode influir de modo estrutural e desestruturante, esta se torna estratégica. Eis a arena onde as maiorias brasileiras hoje se encontram.
era um racional estado de pânico para a massa assalariada brasileira; as condições de resistência estão prejudicadas pelo peleguismo histórico e a adesão governista da última década.
era um racional estado de pânico para a massa assalariada brasileira; as condições de resistência estão prejudicadas pelo peleguismo histórico e a adesão governista da última década.

O 1o de maio nunca foi tão importante e, ao mesmo tempo, tão frágil

A data de 1o de Maio é o marco do classismo. Os mártires de Chicago enforcados em 1886 eram operários e anarquistas, e caíram durante o combate pela jornada de 8 horas de trabalho diário. Se fossem vivos hoje, a geração pioneira nas Américas peleando em busca das jornadas de trabalho ficaria desesperada. Estamos diante de um momento ímpar. Em 2008 a farsa chamada de crise da bolha imobiliária fez cair por terra os mitos do neoliberalismo. Atiraram o planeta em uma perigosa dimensão onde o capital fictício e suas condições políticas de existência fizeram valor-trabalho como algo secundário para a acumulação de poder na sociedade de massas.

As obrigações dos Estados de capitalismo central jogaram o planeta na vala-comum do "austericídio", e a soma de desamparo social com desemprego estrutural modificaram as relações de força na Europa. Lá, a velha social-democracia (de fato social-liberal) foi e é cúmplice da quebra de Bem-Estar Social; afundando junto com a burocracia dirigente suas respectivas bases sindicais. A incapacidade de organizar socialmente da extrema-esquerda europeia em organizar socialmente a resistência contra as medidas da Troika (e aí temos de cortar na carne ao incluirmos a esquerda libertária) aumentou o vazio de poder de modo a criar o espaço de uma social-democracia de fato revivida com instrumentos políticos derivados de um trotsquismo oxigenado. Tais exemplos seriam o do Podemos espanhol e o Syriza grego. A crise nestas legendas é questão de tempo.

No Brasil, podemos observar algo semelhante. As centrais sindicais governistas perderam o poder de bater duro, abstiveram da capacidade de organizar a reivindicação social de base classista. Isto se dá mesmo estando diante do que pode ser a maior derrota histórica da classe trabalhadora desde o golpe de 1o de abril de 1964. Para culminar o festival de absurdos, tal derrota pode vir em plena crise de modelo de crescimento através de política anti-cíclica e incentivo ao consumo e ao crédito, e com isso, a crise de legitimidade da ex-esquerda, levando a decadência do PT como legenda de centro-esquerda.

Também aqui cabe uma auto-crítica. A esquerda restante, eleitoral ou não, passara os últimos dez anos se engalfinhando pelas migalhas de base social não-atrelada ao lulismo ou aos pelegos históricos e hoje se mostra incapaz de uma unidade de médio prazo. Se no plano eleitoral, a lógica seria uma frente de esquerda, com alianças verticalizadas e repetindo a fórmula para poder ter crescimento na urna. Para aqueles setores não-eleitorais (onde me incluo), a lógica seria ao menos compartilhar com os setores reformistas radicais tanto uma central sindical como uma razoável coordenação de lutas. Tal espaço seria o Conlutas ou a Intersindical ou a fusão dos dois, o que jamais ocorreu. Agora o prejuízo é grande, enorme.

O momento atual é mais do que grave

Eis que a direita ideológica anda de braços dados com os oligarcas governistas e, também atrelada com a oposição da direita que não apoia o governo. Durante a gestão de Eduardo Cunha, as pautas reacionárias estão sendo desengavetadas e as maiorias do Brasil foram pegas de calças na mão. Ainda na ressaca do 3o turno, entre atos lacerdistas pós-modernos e viúvas do golpe, a linha chilena avança com a acumulação flexível e o retrocesso de direitos marcado pelo pós-fordismo. Os anos `60 nos EUA terminaram com a ressaca conservadora de Nixon e o início da quebra do pacto do New Deal keynesiano. Aqui, parecia que jamais teríamos um retrocesso do Bismarckismo tropical, pois 2013 aparentava indicar uma nova ascensão de luta direta, marcada à esquerda do lulismo e arrancando vitórias históricas pelo Direito à Cidade. O final de junho de 2013 assistiu ao sequestro da pauta pelos grupos empresariais de mídia e o Gramsci tão proclamado pelos ex-militantes, encarnara sua tese de hegemonia de novo tipo através do twitter dos conglomerados midiáticos.

Hoje vemos o efeito perverso daquela pauta sequestrada e a tentativa de manter os direitos adquiridos apesar do 3o turno e das traições sem fim de quem já compôs com o demônio em nome sabe-se lá de que incluindo a tal da governabilidade. Este 1o de Maio será realmente único, em todos os planos.

Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais

site: www.estrategiaeanalise.com.br
email: strategicanalysis@riseup.net
Facebook: blimarocha@gmail.com

This page can be viewed in
English Italiano Deutsch

Front page

19 de Julio: Cuando el pueblo se levanta, escribe la historia

International anarchist solidarity against Turkish state repression

Declaración Anarquista Internacional por el Primero de Mayo, 2022

Le vieux monde opprime les femmes et les minorités de genre. Leur force le détruira !

Against Militarism and War: For self-organised struggle and social revolution

Declaração anarquista internacional sobre a pandemia da Covid-19

La révolution du Rojava a défendu le monde, maintenant le monde doit défendre la révolution du Rojava!

Anarchist Theory and History in Global Perspective

Trans Rights is a Class Issue

Capitalism, Anti-Capitalism and Popular Organisation [Booklet]

AUKUS: A big step toward war

Reflexiones sobre la situación de Afganistán

Αυτοοργάνωση ή Χάος

South Africa: Historic rupture or warring brothers again?

Declaración Anarquista Internacional: A 85 Años De La Revolución Española. Sus Enseñanzas Y Su Legado.

Death or Renewal: Is the Climate Crisis the Final Crisis?

Gleichheit und Freiheit stehen nicht zur Debatte!

Contre la guerre au Kurdistan irakien, contre la traîtrise du PDK

Meurtre de Clément Méric : l’enjeu politique du procès en appel

Comunicado sobre el Paro Nacional y las Jornadas de Protesta en Colombia

The Broken Promises of Vietnam

Premier Mai : Un coup porté contre l’un·e d’entre nous est un coup porté contre nous tou·tes

Federasyon’a Çağırıyoruz!

Piştgirîye Daxuyanîya Çapemenî ji bo Êrîşek Hatîye li ser Xanîyê Mezopotamya

© 2005-2022 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]