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category brazil/guyana/suriname/fguiana | workplace struggles | news report author Monday April 08, 2013 23:47author by Federação Anarquista Gaúcha - FAG - CAB Report this post to the editors

Fortalecendo nossa organização. Defendendo nossos direitos!

É hora de reforçarmos o espírito de seguir ocupando as ruas, exercendo a ação direta, não se intimidando com a ação repressiva da brigada e muito menos com a campanha de difamação que nesse momento desenvolve a grande imprensa. Nessa guerra psicológica, joga um papel especial a RB$ e seu gorila de plantão, Lasier Martins. Não podemos confundir opinião pública com a agitação destes meios, que mais do que nunca, exercem o papel de aparelho ideológico das companhias de ônibus e da administração Fortunatti (PDT). Sabemos, e temos presenciado nos atos e pontos de ônibus, em nossos locais de trabalho e estudo, que aqueles/as que de fato necessitam de ônibus, em sua grande maioria estão solidários/as conosco e, é essa a opinião que nos interessa, uma opinião de classe, dos/as trabalhadores/as, desempregados/as, dos/as oprimidos/as desta cidade!
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A semana que sucedeu o anúncio do aumento nas tarifas de ônibus em Porto Alegre foi marcada por uma reação popular há tempos sem precedentes. Após anos de protestos contra os abusivos aumentos que não passavam de pequenas demonstrações de repúdio com pouca ou nenhuma repercussão, ainda assim de grande importância, as coisas felizmente começaram a tomar um novo contorno desde o começo deste ano. Longe de terem sido mobilizações virtuais, essa reação é fruto de um árduo trabalho de inúmeros companheiros e companheiras, onde modestamente temos aportado nossa contribuição.

Ao ser retomada a constituição do Bloco de Luta pelo Transporte Público, espaço organizativo que dinamizou as lutas ao longo do último ano, mas que por inúmeros fatores se dissolveu em meio a diversas disputas, o movimento logrou uma maturidade ímpar de acumular forças em um espaço organizativo plural. A necessidade de uma unidade maior, com o estabelecimento, a cobrança e execução de acordos, garantiu a permanência do Bloco, dinamizando ações e potencializando uma importante unidade que se desenvolveu com os trabalhadores rodoviários em luta contra a patronal e a corrupta burocracia de seu sindicato.

Tivemos momentos importantes junto aos trabalhadores rodoviários. Ombro a ombro trancamos algumas garagens com a companheirada dessa digna categoria, um ato de solidariedade de classe que pronto foi retribuída em nossas mobilizações, quando era nítida a manifestação da categoria em apoio à luta. A unidade em torno do Bloco, portanto, foi algo que para além de dinamizar a relação com inúmeras entidades e agrupações estudantis, forjou essa importante unidade com os/as trabalhadores/as do setor, uma conquista sem precedentes não apenas nas lutas contra o aumento da passagem e pelo passe livre estudantil e para desempregados, mas para o conjunto das lutas sociais em nossa cidade e estado. Na prática, demonstramos o princípio da
solidariedade de classe e que é possível acumular e avançar contra nossos inimigos quando unificamos e coordenamos as lutas.

Para além do Bloco, nossa militância também esteve envolvida na articulação de outro importante espaço organizativo, a Frente Autônoma (FA). Organizando companheiros/as sem filiação partidária e oriundos/as das mais distintas vertentes libertárias, a FA foi um importante espaço para garantir uma maior organicidade deste setor e cobrar a coerência frente aos acordos estabelecidos em conjunto com as demais forças. Para além disso, também dinamizou a execução de determinados trabalhos de base com maior autonomia, como a ocupação de importantes terminais rodoviários, onde realizamos panfletagem e discussão com o povo ali presente.

Todo esse longo trabalho de formiga se manifestou na última semana, após o anúncio do aumento. O forte trabalho organizativo e agitativo, aliado a indignação de mais um aumento abusivo, que este ano contou inclusive com o rechaço do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apontou superfaturamento na tarifa, indicando o valor de R$2,60, resultou no estalar das maiores mobilizações contra o aumento que a cidade já presenciou. Logo na segunda-feira, 19/03, foram 2 atos coordenados e simultâneos que bloquearam duas das principais avenidas de Porto Alegre: as Avenidas Bento Gonçalves e Ipiranga, nas respectivas alturas do Campus do Vale da UFRGS e da PUC. A repressão da choque no ato na PUC e a constante provocação da Brigada aos que marchavam na Bento não conseguiu acabar com os atos, que se juntaram em frente a PUC, estendendo o bloqueio da Ipiranga até as 22h. Demonstramos a força do movimento nas ruas. Na quarta-feira, os atos atingiram seu ápice. Milhares de lutadores(as) dizendo NÃO ao aumento, concentrados em frente a prefeitura e exigindo a redução da tarifa. Depois de um empurra-empurra em frente a porta do prédio, onde se tentou forçar a entrada, algumas “bombas” de tinta são arremessadas, chegando a atingir o secretário municipal de coordenação política e governança, César Busatto. Busatto é o mesmo que, quando chefe da casa civil do governo Yeda (PSDB), foi acusado de chefiar a pilhagem de verbas do Detran para organização de caixa dois. Ao ser atingido por tinta, Busatto saiu a público fazendo um escândalo, como se houvesse sido alvejado por balas de fogo e acusando-nos de dano e prejuízos aos cofres públicos.

Em meio à essa tensão, uma companheira foi arrastada a força pelos agentes de segurança para dentro da prefeitura e algemada. Era a faísca que faltava para exaltar os ânimos de companheiros/as exaustos/as de tanta humilhação e desrespeito promovidos por essa aliança entre poder público, empresas de transporte e meios de comunicação de massa. A resposta foi imediata e à altura, quando iniciou-se, espontaneamente, frisamos, o apedrejamento das janelas da prefeitura e de algumas viaturas da guarda municipal. O batalhão de choque foi acionado, atirando bombas de efeito moral e avançando sadicamente em direção a um companheiro que se encontrava parado. O resultado: o companheiro atirado de cabeça em cima de um meio fio, pisoteado e ferido gravemente. Até o momento não temos informações sobre este companheiro e tememos pelo pior.

Mesmo com a forte repressão do choque, o movimento deu mais uma contundente demonstração de força, acúmulo e disposição de seguir em frente, haja o que houver. Manteve sua unidade, não dispersou frente ao covarde ataque do choque e seguiu em marcha ao palácio da polícia para corretamente reivindicar a liberação da companheira detida. É importante enfatizarmos que, assim como a solidariedade de classe que temos desenvolvido com os/as trabalhadores/as rodoviários/as, a solidariedade para com companheiras/os presas/os também é princípio. Se tocam um/a, tocam todos/as, e essa convicção deve estar entranhada em todos nós quando tomamos as ruas.

É hora de reforçarmos o espírito de seguir ocupando as ruas, exercendo a ação direta, não se intimidando com a ação repressiva da brigada e muito menos com a campanha de difamação que nesse momento desenvolve a grande imprensa. Nessa guerra psicológica, joga um papel especial a RB$ e seu gorila de plantão, Lasier Martins. Não podemos confundir opinião pública com a agitação destes meios, que mais do que nunca, exercem o papel de aparelho ideológico das companhias de ônibus e da administração Fortunatti (PDT). Sabemos, e temos presenciado nos atos e pontos de ônibus, em nossos locais de trabalho e estudo, que aqueles/as que de fato necessitam de ônibus, em sua grande maioria estão solidários/as conosco e, é essa a opinião que nos interessa, uma opinião de classe, dos/as trabalhadores/as, desempregados/as, dos/as oprimidos/as desta cidade!

A luta contra o aumento, portanto, entra em seu momento decisivo. É importante fortalecer os espaços organizativos do Bloco de Luta pelo Transporte Público para coordenar as futuras ações, pensar na utilização de distintas estratégias, intensificar o trabalho de base e estar preparados/as para responder à altura a campanha difamatória e repressiva que já está desatada contra nossa luta. Provavelmente irão tentar enfraquecer-nos com a judicialização do movimento. Teremos de estar muito bem organizados em torno do Bloco para virar todo esse jogo a nosso favor. O momento é favorável à nossa luta e por isso tentam nos criminalizar.

Devemos responder com luta e organização, garantindo o Bloco enquanto um espaço amplo e democrático, com respeito às mais distintas forças, sem aparelhamento e forjando a unidade nas lutas. É assim que vamos virar a mesa, derrotar o reacionário bloco composto pela imprensa (que opera como agente ideológico do aumento) pela prefeitura (que opera politicamente garantindo corruptas instâncias para aprovar o aumento) pelas empresas (que historicamente cobram uma verdadeira extorsão ao povo de Porto Alegre, disponibilizando um péssimo serviço e impondo um regime de extrema exploração aos/as trabalhadores/as) e acumular forças para defender um transporte verdadeiramente público, gratuito e com controle popular.

Fortalecer nossa organização, a propaganda e o trabalho de base!
Lutar e Vencer com a força das ruas!


Abril de 2013

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