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Sinais da derrota da revolução Líbia

category norte da África | imperialismo / guerra | comunicado de imprensa author Tuesday March 29, 2011 06:22author by Saoud Salem Report this post to the editors

Declaração contra a exclusão aérea por um anarquista líbio

Declaração contra a exclusão aérea por um anarquista líbio. [English] [Français] [Italiano] [Castellano] [Català] [中文] [العربية ]

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Em algumas horas, o Conselho de Segurança da ONU vai determinar o início da exclusão aérea contra a Líbia. A França disse que está preparada para começar o bombardeio a partir de hoje à noite.

Condenamos essa resolução internacional, se ela for realizada. E rejeitamos totalmente qualquer intervenção estrangeira na Líbia, seja qual for a forma que tome, especialmente uma intervenção francesa. A França, que vendeu a Qadafi armas no valor de bilhões, armas que hoje ele está usando para explodir Líbios, a mesma França que não interrompeu essas vendas até 3 semanas atrás.

Condenamos essa intervenção que vai transformar a Líbia em um verdadeiro inferno, ainda mais do que é agora. Essa intervenção também vai roubar a revolução dos Líbios, uma revolução que já lhes custou milhares de homens e mulheres mortos até agora.

Uma intervenção que também vai dividir a resistência Líbia..

E mesmo se essas operações tiverem sucesso e Qadafi caia (ou morra) como Saddam Hussein, isso vai significar que fomos libertados por americanos e franceses, e eu posso garantir que eles vão ficar nos “relembrando” disso a cada minuto.

Como poderemos tolerar isso depois? Como vamos explicar todas essas mortes às gerações futuras, todos os cadáveres que estarão em todo lugar?

Para sermos libertados de Qadafi apenas para virarmos escravos daqueles que lhe deram armas e poder durante todos esses anos de violência autoritária e repressão?

Após o primeiro erro – a militarização de uma revolução popular – estamos cometendo agora o nosso segundo erro – o estabelecimento de novas figuras de líderança surgindo dos remanescentes do regime Jamahiriya líbio. E nosso terceiro erro, que vai acontecer inevitavelmente, é o de pedir ajuda aos nossos inimigos. Eu apenas espero que não cheguemos ao quarto: quer dizer, a ocupação e a chegada dos marines.

Sarkozy e a França são nossos inimigos; eles também são inimigos de todo o Terceiro Mundo. Eles não escondem o desprezo que sentem por nós. Sarkozy apenas quer ser reeleito no ano que vem.

O homem que organizou o encontro entre Sarkozy e os representantes do conselho nacional interino é nada menos do que Bernard-Henri Lévy, um filósofo charlatão, e para todos que não o conhecem, um ativista sionista francês que concentra todos os seus esforços em apóiar Israel e seus interesses. Nós o vimos na Praça de Tahrir apenas para garantir que a juventude revoltada não entoasse cantos contra Israel.

O que pode ser dito enquanto esperamos pelas bombas?

Porque as bombas não vão diferenciar entre aqueles que são pró-Qadafi e aqueles que são contra.

Bombas colonialistas, como se sabe, tem apenas um objetivo: defender os interesses da indústria bélica. Eles venderam a Qadafi armas no valor de bilhões e agora nós lhes pedimos para destruí-las…e aí nós teremos que comprar novas armas pelo novo governo – trata-se de uma velha, bem conhecida história. Mas existem pessoas que não conseguem aprender a não ser repetindo velhos erros, cometidos tanto tempo atrás.

Eu digo isso claramente: esse é um erro estratégico muito grande, e um erro que o povo líbio vai pagar com juros por, talvez, vários anos agora. Mais do que os anos de ditadura de Qadafi e sua família.

Eu chamo hoje, e agora, algumas horas antes da destruição da Líbia e antes que ela se torne outra Bagdá, eu chamo todos os Líbios, todos os intelectuais, artistas, estudantes, todos, aqueles que sabem escrever e os que não sabem, todo homem e toda mulher, a rejeitar essa intervenção militar pelo USA, França e Inglaterra, e a repudiar os regimes no Oriente Médio que eles apóiam. Ao mesmo tempo, convoco todos que nos apóiam, os egípcios, tunisianos, franceses e mesmo chineses, todos os povos do mundo, nós pedimos por seu apoio e simpatia.

Mas quanto a governos, seja qual for o governo, não pediremos nada além de nos deixarem em paz, de nos deixarem resolver o problema de Qadafi nós mesmos.

Saoud Salem
Anarquista Líbio
17 Março de 2011

Tradução: L.M.

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