user preferences

brazil/guyana/suriname/fguiana / economia / opinião / análise Monday September 10, 2018 01:57 byBrunoL

Lado a lado com a violência simbólica dos discursos de ódio, galvanizados pelo atingido em Juiz de Fora (MG), temos a negação do direito ao reconhecimento e, concomitantemente, a perda progressiva dos direitos coletivos que vinham num crescendo desde 1932 e se consolidaram como política pública permanente na Constituição de 1988. Trata-se de restauração burguesa e liquidação da soberania popular e, por tabela, a soberania nacional.

Bruno Lima Rocha, 09 de setembro de 2018
Às vésperas do sete de setembro de 2018 houve um atentado contra Jair Messias Bolsonaro, candidato do PSL, deputado federal no sétimo mandato e aquele que encarna a “grande esperança branca” da Casa Grande do país governado por um baronato rentista e seus aliados dentro e fora de nossas fronteiras. Desde então abundam teorias especulativas e uma evidência: tal fato tem relação total com o contexto vivido pelo Brasil desde o início do terceiro turno de 2014.
Lado a lado com a violência simbólica dos discursos de ódio, galvanizados pelo atingido em Juiz de Fora (MG), temos a negação do direito ao reconhecimento e, concomitantemente, a perda progressiva dos direitos coletivos que vinham num crescendo desde 1932 e se consolidaram como política pública permanente na Constituição de 1988. Trata-se de restauração burguesa e liquidação da soberania popular e, por tabela, a soberania nacional.
O fim da proteção ao mundo do trabalho é o velório da Nova República?
Vale alguma reflexão. O STF autorizara a terceirização para atividades fim em todas as empresas. Ou seja, entendo que eu na maioria das Pessoas Jurídicas, a classe trabalhadora do Brasil está diante de uma “Pejotização” galopante. Óbvio que a direita afirma que isso é "da nova economia", ou que "a terceirização já existe, logo é preciso autorizar ou regular". Me recorda o debate sobre transgênicos, que acabou sendo liberada a circulação de sementes assim no primeiro governo Lula utilizando um pouco da política do fato consumado. "As sementes vêm de contrabando da Argentina e assim fica impossível ilegalizar todo um setor e blablabla e cumpra-se". Não custa lembrar. Sementes não são animados com mobilidade própria, logo, foram trazidas e o contrabando - a prática centenária de chibeiros - seria bastante controlável nas barrancas do rio Uruguai. Enfim, tal como o fato consumado das sementes, o mesmo se dá com a desagregação social que avança no país.
Em parte, essa é a dimensão substantiva do golpe em andamento e agora, especificamente, rastejando pelas sarjetas da pior política possível. Era esperado e os discursos literalmente se repetem em toda América Latina. Durante o auge dos escândalos do governo Priista de Enrique Peña Nieto, no México, "colonistas de economia" repetiam a ladainha de que o salário mínimo (ou seja, o salário social) é uma "ilusão econômica", pois "primeiro é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo". A ladainha perfeitamente falsificável era a mesma. Não exagero, as analogias eram idênticas do guru da modernização conservadora da ditadura, agora travestido de parlamentarista, Antônio Delfim Netto.
Uma observação vinda do nosso campo, pode afirmar que sempre houve desagregação social no período republicano, "desde que o povo bestializado assistiu a tal proclamação". Não há contestação possível desta afirmação. A "tal da república" nunca foi inclusiva e incorporou um governo nacional com reconhecimento para os trabalhadores urbanos somente no varguismo, isso após completarem o trabalho sujo de Arthur Bernardes e Washington Luís, dizimando a liderança sindical de orientação anarquista no Brasil. Em termos de maioria afro-brasileira, a repressão sempre se fez presente, e se faz, na distribuição espacial da mesma, cortando na ausência de direitos civis e sociais da maior parte de nossa população.
Logo, se nada disso é "novidade" (infelizmente), quais as características prevalentes de nosso momento histórico? Ou, falando em termos mais diretos, como liquidaram com a Nova República e quais suas consequências?!
Que tipo de crise é essa? Quando os setores não se protegem do entreguismo visceral
Sabemos a dificuldade de qualquer tipo de tabelamento de preços ter algum fôlego; o próprio Plano Cruzado e o congelamento de preços básicos levou a um aumento da sonegação e do crime contra a economia popular. Mas, isso é diferente de afirmar em termos de "modelo" que as "regras da economia" - ou seja, da balela neoclássica - vai ajeitar o excesso de oferta pelo crédito do BNDES durante o período lulista diretamente implicado no consequente aumento da frota de caminhões. Resumindo: ou o setor de transporte de carga tem alguma forma de proteção para os caminhoneiros autônomos, ou cerca de 500 mil caminhoneiros - e pelas contas, dois milhões de pessoas - serão atingidos. As empresas de agroindústria que têm crédito agrícola vão se defender do jeito que dá, incluindo o protelamento da execução de suas dívidas e quem vive no trecho vai engrossar o desemprego nas cidades.
Como pano de fundo, o que a laia quer fazer crer ao povo brasileiro? Que devemos quebrar o monopólio fático da Petrobrás, pois esta foi quebrada em função da “artificialidade” dos preços praticados anteriormente e também pelo modelo de partilha do Pré-Sal. Sobre a perda de causa e o seguido acordo com a Justiça dos EUA na defesa dos especuladores aglutinados como acionistas minoritários, óbvio que os “consultores” não dizem. Logo, a “solução” apresentada é liberar a importação de diesel, gasolina e demais derivados por todas as transnacionais do setor de óleo e gás. E, também para a obviedade, a cambada nunca diz que existem 16 traders mundiais forçando os contratos futuros e incidindo diretamente na cotação do barril Brent. Logo, desejam expor ainda mais a sociedade brasileira às oscilações forçosas dos especuladores. Como se chama isso em português? Em castelhano os países Hermanos denominam “vende pátria”. Concordo com o conceito.

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e de jornalismo.
(estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Monday August 27, 2018 10:50 byBrunoL

A partir de 2014 o país se viu diante de um avanço das ideias oriundas daquilo que se convencionou chamar de neoliberalismo selvagem ou ultra liberalismo. Motivos não faltariam para fazer uma lista de pessoas físicas e jurídicas que diuturnamente operam para poluir o debate político com parâmetros estadunidenses ou paradigmas absurdos como da “escola austríaca”. A sociopatia desta gente ultrapassa qualquer possibilidade de diálogo, e justo por isso, para evitar problemas legais e manter o tom da crítica, não vou me referir a nenhum instituto com pessoa jurídica no Brasil, mas às suas ideias gerais assim como uma de suas matrizes no coração do Império, talvez a baboseira mais citada. Fica subentendido do que e a quem se trata e que vistam as devidas carapuças.

26 de agosto de 2018, Bruno Lima Rocha

A partir de 2014 o país se viu diante de um avanço das ideias oriundas daquilo que se convencionou chamar de neoliberalismo selvagem ou ultra liberalismo. Motivos não faltariam para fazer uma lista de pessoas físicas e jurídicas que diuturnamente operam para poluir o debate político com parâmetros estadunidenses ou paradigmas absurdos como da “escola austríaca”. A sociopatia desta gente ultrapassa qualquer possibilidade de diálogo, e justo por isso, para evitar problemas legais e manter o tom da crítica, não vou me referir a nenhum instituto com pessoa jurídica no Brasil, mas às suas ideias gerais assim como uma de suas matrizes no coração do Império, talvez a baboseira mais citada. Fica subentendido do que e a quem se trata e que vistam as devidas carapuças.

O que se difunde no país é uma soma do mais nefasto individualismo – até em termos filosóficos – com a noção de que o papel do Estado como garantidor do serviço público e da ampliação dos direitos políticos, sociais, econômicos e civis, seria algo como uma heresia ou um ato autoritário. Todo esse tipo de afirmação estapafúrdia não passaria de simples bobagem se não fosse reproduzido pelos grupos de mídia em alguma escala. Uma mentira repetida mil vezes se torna uma meia verdade na mente das maiorias destreinadas na lida política e em especial no que diz respeito às medidas e instrumentos de política econômica para disputar o controle dos gigantescos recursos do Brasil.
Todos os dias a lenga-lenga volta: “toda dona de casa sabe que ela não pode ir a um supermercado e gastar mais do que recebe no salário e nem sequer ficar super endividada a ponto de comprometer seus ingressos e patrimônio”. O que parece ser uma frase razoável não passa de perigosa mentira. Uma família chefiada por alguém, homem ou mulher, não se assemelha em nada a um governo pois não pode emitir moeda, não tem poder de gerar e rolar a própria dívida, não encarcera e nem cobra tributo e menos ainda detém o monopólio da força e nem de longe administra um sistema de Justiça. Ou seja, uma família não é um governo e menos ainda um Estado. Mas, ao comparar uma “banana com um parafuso”, a propaganda neoliberal avança na mente do cidadão comum. E, ao fazer uso desta mentira já difundida para aplicar conceitos ainda mais nefastos, como na confusão entre direito e serviço “eficiente”, a população fica sem o grau de certeza necessário para rechaçar o engodo.
Se os grupos de mídia e seus “colonistas” de plantão repetem a analogia tão correta como a comparação de uma fruta com um parafuso (a dona de casa com o Estado), a ladainha dos porta-vozes dos institutos, os chamados “empreendedores comunicacionais” treinados pela Rede Atlas (atlasnetowrk.org) ou por seus reprodutores, financiados pelos Irmão Koch (charleskochfoundation.org), boa parte destes fazendo cursos de “liderança” em cursinhos de verão na Georgetown University, dentre outras formas de influenciar a soberania da América Latina, é outra. O palavrório preferido é o tal “índice de liberdade econômica”, uma indicação de quanto menos regulados são os mercados internos de alguns países, obviamente sem entrar no mérito dos direitos políticos. A origem desta célula morta que se reproduz em metástase é a Heritage Foundation (heritage.org), um think tank conservador criado em 1972 justo no período do auge da Cruzada Conservadora de Richard Nixon (sim, ele próprio, também conhecido à época como “Dick Vigarista”, tal como o personagem dos desenhos). O índice se encontra no domínio heritage.org/index/e é um indicador repetido como mantra pelo conjunto de ultra liberais, liberais e liberais conservadores. O mesmo besteirol é repetido pelo Fraser Institute (fraserinstitute.org) cuja missão na Terra é extinguir as políticas sociais no Canadá, país cujos índices de Bem Estar se comparam com os da Europa, ao contrário dos EUA. A difusão é tamanha que no ranking da Forbes em 2018, a Heritage é o mais citado em mídias sociais que circulam nos Estados Unidos, ganhando do também conservador embora mais respeitável, Brookings Institution (brookings.edu).
Recentemente tive a tenebrosa experiência de dividir um debate televisivo com dois fieis adeptos deste peculiar sistema de crença. O nível de absurdo sociológico e econômico é surreal. O “consultor e experto empresarial” me disse que: “Keynes era socialista, mas também era fascista”; “quase não existe capitalismo no mundo, o Brasil é parcialmente socialista e mesmo os EUA tem uma economia mista”; “tu – eu – confundes ‘socialismo’ com ‘comunismo’ e que pela falência deste último, o denominamos de ‘totalitarismo’”. Era daí para baixo, e sem pudor algum e suponho que reputação intelectual alguma a ser defendida. Ao contrário. Quanto mais estapafúrdias forem as afirmações, mais adeptos sem noção se sentirão confortáveis ao repetir a estupidez. Ou seja, qualquer semelhança com a Alt-Right e outras aberrações que garantiram a vitória eleitoral de Donald Trump nos EUA não se trata de coincidência alguma, justo pelo contrário. É intencional, seja por ilusão coletiva ou razão cínica expressa por convictos mentecaptos.
Repito, já não se trata mais “apenas” do jogo da mídia “econômica”, que escuta como fonte especializada consultores interessados na jogatina ou defensores da privatização. O perigo ganha proporção quando para além das mentiras midiáticas, vociferadas pelos defensores da especulação financeira e do “tal do mercado de capitais”, a noção do individualismo como fim último do ser humano é espalhada pelas versões brasileiras dos institutos financiados por grandes empresas. Para piorar, quando tais ideias reacionárias e conservadoras adquirem nova roupagem, se propagam pela internet como metástase avançada e terminam por ocupar o imaginário de auto realização de jovens até bem pouco tempo atrás encantados com o debate político de duas patas: uma linguagem da cultura nerd e os mais nefastos preconceitos para quebrar a suposta hegemonia das esquerdas nas áreas de humanidades nos centros de educação.
A ameaça ganhou forma política, entra nos discursos de várias candidaturas e chega a ter um “herói social” no pleito de 2018: “o especulador esclarecido”, conformado por candidatos ou supostos gurus econômicos, todos enriquecidos com fundos de renda de fixa e literalmente mamando no Tesouro através das aplicações financeiras. São a versão no século XXI dos Chicago Boys brasileiros, raposas querendo ser gestoras do galinheiro, literalmente. Diante disso, todo cuidado é pouco, em especial com a linha chilena.

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política (pela UFRGS), graduado em jornalismo (UFRJ), professor de relações internacionais, ciência política e jornalismo. (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday August 12, 2018 10:22 byBrunoL

Ao que parece, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) emplacando como vice o general da reserva (quatro estrelas) Antonio Hamilton Marques Mourão marca uma nova etapa da relação das Forças Armadas (FFAA) e a sociedade brasileira. Bolsonaro, em seu afã de homenagear os facínoras dos porões, vai desmontar o "legado" da obra conjunta de operadores como Orlando Geisel (no desenho da estrutura da guerra interna) e do então capitão Carlos Alberto Brilhante Ustra, na montagem dos DOIs. DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), com ramificações por todo o país e concentração nas maiores cidades da época (São Paulo, Rio de janeiro e Recife, dentre outras), como a sigla já diz, era para agir como Destacamentos operando unidades semi-autônomas e conjuntas subordinadas ao comando da Força Terrestre.

10 de agosto de 2018, Bruno Lima Rocha
Ao que parece, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) emplacando como vice o general da reserva (quatro estrelas) Antonio Hamilton Marques Mourão marca uma nova etapa da relação das Forças Armadas (FFAA) e a sociedade brasileira. Bolsonaro, em seu afã de homenagear os facínoras dos porões, vai desmontar o "legado" da obra conjunta de operadores como Orlando Geisel (no desenho da estrutura da guerra interna) e do então capitão Carlos Alberto Brilhante Ustra, na montagem dos DOIs. DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), com ramificações por todo o país e concentração nas maiores cidades da época (São Paulo, Rio de janeiro e Recife, dentre outras), como a sigla já diz, era para agir como Destacamentos operando unidades semi-autônomas e conjuntas subordinadas ao comando da Força Terrestre.
Assim, as FFAA não se "queimavam" matando a luz do dia envergando uniformes verde oliva. Isso ocorreu no Araguaia, nas três campanhas (1972-1975) e na segunda guerra (concomitante a fundação da Comissão Pastoral da Terra, CPT), esta só contra camponeses e tendo como alvo os posseiros da região. Mas, tamanha exposição de chacinas e massacres com gente envergando uniformes militares não ocorreu em áreas de grande concentração urbanas. No combate aos GTAs nas cidades (Grupos Táticos Armados, unidades básicas das pequenas organizações guerrilheiras do Brasil), as veraneios cinzas e os agentes descaracterizados traziam o terror sem escancarar o papel dos quartéis. Havia medo, e muito, mas não uma condição tal como na Argentina, quando todo o aparelho militar nacional e das províncias (as polícias provinciais, equivalentes às PMs, além da ação da Polícia Federal Argentina, ostensiva), era obrigado a reprimir, entrando em rodízio na guerra suja de extermínio contra seu próprio povo.
Com a aventura da extrema direita do Século XXI explicitando a guerra interna e tendo um general recém passado para a reserva no palanque, Bolsonaro e Mourão vão cumprir o papel de queimar - de vez - o Exército (EB) e por tabela as duas outras forças, diante da população brasileira. No período anterior a ditadura, a Escola Superior de Guerra (ESG) ao menos cunhou um conceito estratégico “Segurança Nacional & Desenvolvimento”. Qual seria agora o conceito dos bolsonaristas? “Segurança Patrimonial, Conservantismo Social e Entreguismo”? Possivelmente. Como autênticos entreguistas colonizados, vão bater palma para o Império, se calarão diante da entrega do Pré-Sal e vão aumentar a incidência de oficiais dentro do aparelho de Estado. Se não o fizerem e terminarem - em um hipotético e nada desejado governo eleito (faremos todos os esforços para que isso não ocorra) - rompendo com os Chicago Boys (tipo o guru dos rentistas selvagens Paulo Guedes) aí vão governar sozinhos, com menos de 100 votos no Congresso e sem o apoio nem da Globo e sequer das aves de rapinha. Logo, quem irá governar de fato? Generais do EB. Ou seja, mesmo quando Bolsonaro é menos ruim, segue sendo horroroso, dado o risco que impõe ao país.
Outra possibilidade advinda do envolvimento direto de dois generais de quatro estrelas recém passados para a reserva, como Antonio Hamilton Mourão e Augusto Heleno Ribeiro Pereira, é expor o generalato à uma visibilidade fora do manto da técnica militar, conseguindo assim "contaminar politicamente" a hierarquia nas tropas. Ou seja, de volta ao passado, retornando ao ciclo iniciado no tenentismo, fortalecido em 1935 e em tese encerrado em 1988. Parece que não.
Simón Bolívar já vaticinou há muito tempo, "maldito seja o soldado que aponta a arma contra seu povo". Logo, se eleito for Bolsonaro já disse que vai empregar um grande número de oficiais da reserva, ou mesmo da ativa, algo que era corriqueiro na ditadura (como os famosos 'coronéis da Petrobrás') ou o superdimensionado aparato de vigilância e espionagem interna (SNI-SISNI). Assim, por diversas ocasiões esses oficiais em cargos de responsabilidade entrarão em conflito direto contra seu povo.
Bolsonaro não começou a lambança, mas a aprofunda
A presença de militares na crise brasileira é visível. Já houve uma quebra de acórdão político no desgoverno de Temer, quando Raul Jungmann (o eterno arrependido ex-partidão) deixou a pasta da Defesa e esta foi assumida por Joaquim Silva e Luna, um general da reserva de quatro estrelas (contrariando assim a condição de um paisano à frente da pasta, até para não melindrar a Marinha e a Aeronáutica). Jungmann passou o bastão logo após a crise pós carnaval (em 28 de fevereiro de 2018) assumindo um mentecapto Ministério Extraordinário da Segurança Pública (uma versão minguada dos famigerados Ministério do Interior nos países vizinhos) depois de haver sido desmoralizado justamente por Antônio Hamilton Mourão e a decisão unilateral do comandante em chefe do Exército, general Eduardo Villas Bôas de que não puniria o Mourão ("ele é um gauchão patriota" segundo Villas Bôas).
Assim, caso o capitão de artilharia que teve uma péssima folha de serviços na força terrestre vier a assumir o Palácio do Planalto, vários cargos de chefia, CCs e FGs serão disputados por oficiais generais e oficiais superiores das três forças. O resultado será institucionalmente desastroso, mas pode vir a servir para escancarar o período da ditadura militar e o fato - terrível - de que a ideia de nacionalismo passa bem longa da defesa do povo brasileiro. Parece que a oficialidade quando fala o que pensa realmente manifesta o mito de Guararapes. Quando muda é para pior, com tenebrosa idealização racial de Antonio Hamilton Mourão, muito semelhante às barbaridades proferidas por gente como o racista Nina Rodrigues ou o integralista e também general Olímpio Mourão Filho.
Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva estariam desesperados agora, vendo que toda a articulação para que os militares saíssem limpos do regime ditatorial que inventaram, após haverem cometidos crimes de lesa humanidade à frente do Estado, indo para o ralo. Enquanto os gênios da ditadura veem do além o caldo entornar, seus colegas de caserna vão sendo expostos ao vexame e ao repúdio iminente caso o desastre ocorra e o falastrão protofascista ganhe os votos da direita brasileira. Será que a ala profissional e constitucionalista das três forças irá se manifestar a tempo?

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e jornalismo (www.estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday July 29, 2018 23:59 byBrunoL

O abraço dos desesperados pode se dar na aposta, ou falta de opções, em torno de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O ex-governador de São Paulo recebeu ainda no final de julho o apoio formal de DEM, PP, PR, PRB, SD. O autointitulado “Centro Democrático” seria a continuidade do Centrão da Constituinte, décadas após veio a ser chamado de Blocão na Era Cunha e retornando ao nome de Centrão no Brasil pós-golpe. Se formos avaliar a condição da aliança, além de razoável consonância programática – que difere pouco ou nada das ideias manifestas sem definir um programa fechado com Jair Bolsonaro – significa uma chance real de disputar parcelas de poder, tanto na União como nos estados.

29 de julho de 2018,
Bruno Lima Rocha

Aproximam-se as candidaturas definitivas à Presidência e parece que há um enorme vazio político mais à direita no Brasil. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), campeão da “nova-velha” direita nas redes sociais, baluarte das posições retrógradas e reacionárias, chegando ao ponto de ser um conservador social, simplesmente não emplaca nos palanques. Nota-se a dificuldade em fechar o nome do candidato à vice, e a causa é simples. A primeira meta dos operadores políticos profissionais é seguir nos mandatos, conseguindo o acesso aos postos de poder dentro do aparelho de Estado e aos recursos coletivos. Ainda que no Brasil existam medidas legais, pesos, contrapesos e formas de controle cada vez mais rígidas, ainda assim há uma razoável margem de manobra para o Poder Executivo e suas maiorias parlamentárias, tributárias do semiparlamentarismo e da composição de governo no terceiro turno sem o escrutínio popular.

Por outro lado, se o “mito” da direita saudosa da ditadura e defensora de gestos que atentam contra os direitos humanos e valores democráticos não emplacam, reconhecemos, não foi por falta de tentativa. Bolsonaro e seus parcos aliados formais votaram em uníssono com o governo ilegítimo de Michel Temer (ex-vice eleito e reeleito com Dilma Rousseff), Henrique Meirelles (ex titular da Fazenda de Temer e por oito anos presidente do Banco Central com Lula) e Ilan Goldfajn (à frente da autoridade monetária sem haver recebido voto algum a não ser a sabatina do Senado que apoiou o golpe). Assim, um pacto de classes e acórdão de governabilidade rompido resultou no golpe com apelido de impeachment entre os tortuosos meses de abril e agosto de 2016. E justamente a dificuldade de refazer este pacto mantendo um mínimo de legitimidade é o que está minando as candidaturas mais à direita.

Assim, o abraço dos desesperados pode se dar na aposta, ou falta de opções, em torno de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O ex-governador de São Paulo recebeu ainda no final de julho o apoio formal de DEM, PP, PR, PRB, SD. O autointitulado “Centro Democrático” seria a continuidade do Centrão da Constituinte, décadas após veio a ser chamado de Blocão na Era Cunha e retornando ao nome de Centrão no Brasil pós-golpe. Se formos avaliar a condição da aliança, além de razoável consonância programática – que difere pouco ou nada das ideias manifestas sem definir um programa fechado com Jair Bolsonaro – significa uma chance real de disputar parcelas de poder, tanto na União como nos estados.

Parece que teremos consolidadas disputas. Uma, dentro do legado do lulismo e tendo como favorito o possível indicado do ex-presidente, que já larga com 15% das intenções de voto. Este “campo” vai do trabalhismo (com Ciro Gomes que insiste em não decolar) ao reformismo radicalizado, ocupando um espaço no sistema político que seria do PT nos anos ’80 e no século XXI passa a ser do PSOL, ainda que a legenda e sua organicidade sejam muito distintas do que se apresenta com densidade eleitoral. Assim, o “centro” da centro-esquerda é o próprio ex-presidente preso sem demonstrações cabais de provas materiais contundentes. Ele seria o conciliador dos interesses embora polarize os afetos. Neste último quesito, a nova-velha direita cibernética aproveita-se para fazer seu proselitismo político em cima de uma moralidade seletiva. Como afirmei em textos anteriores, continua sendo a Bala de Prata da campanha.

Já a outra disputa se dá dentro da direita com chances eleitorais e alguma base definida. Há um embate, onde Geraldo Alckmin insiste em apresentar-se como “moderado” diante da falta de pudor de Jair Bolsonaro. Não seria exagero afirmar que o conservantismo social do ex-capitão reformado da força terrestre (e político profissional de seguidos mandatos) chega a ser obscena. Aproveitando esta fragilidade composta de falta de apoio de oligarquias estaduais; ausência de organicidade e instrumento partidário (Bolsonaro favoreceu sua prole e não um instrumento político neofascista de massas) e, por fim, a altíssima rejeição superior ao apoio virtual do “mito”, criaram as condições necessárias para que a base do governo Temer visse na criatura política do ex-governador Mário Covas sua saída de tipo “mal menor”.

Mas, cabe uma ressalva. A “moderação” de Alckmin não coaduna com sua conduta à frente do Palácio dos Bandeirantes em várias oportunidades. Tanto em “suposta participação” de escândalos vultosos como o Trensalão, DERSA/Rodoanel e Merendão; passando por fechamento de escolas em 2015 e garantindo a “pax paulista pós-2006” exemplarmente retratada pelo jornalista Luis Nassif. Iniciada a campanha os embates não serão cordiais e submissos como a vergonhosa “entrevista” realizada em 23 de julho para o moribundo programa Roda Viva, outrora orgulho do telejornalismo nacional. Se alguém quiser observar a “moderação” de “Geraldo”, basta observar tanto sua política de segurança pública como a mão de ferro sobre a Fundação Padre Anchieta, especificamente no setor de jornalismo.

Como na Assembleia Nacional Constituinte, a direita articula uma saída possível e pragmática. Na década de ’80 do século passado, ninguém queria estar associado à ditadura, ainda que o então vice de Tancredo, que viria a tomar posse, era o ex-presidente nacional da ARENA quando esta se transforma em PDS após a reorganização partidária promovida por Golbery do Couto e Silva. A partir do terceiro turno “venezuelizado” de 2014 – porque antes o terceiro turno era a composição de maioria e da tal da governabilidade – o Brasil virou à direita nas redes sociais e no proselitismo primeiro golpista, e depois entreguista e antipovo. Isso pode servir para derrubar governo eleito, iniciado o desastre já na administração de Joaquim Levy como timoneiro do austericidio, mas não opera para convencer o eleitorado para cargos majoritários. Assim, toda a direita oligárquica e neopentecostal “virou ao centro” magicamente embora tanto a base de Alckmin como a de Bolsonaro, tenha apoiado o governo Temer e votado nas retiradas de direitos coletivos. E, para não tergiversar, nunca é demais lembrar que metade desta base ou mais compuseram as maiorias parlamentares dos três governos e meio de Lula e Dilma. Logo, seria um pacto de classes e elites conservadoras reconstruído, mas sem o elemento geração de emprego e renda da era anterior.

Vale ressaltar que a “moderação” de Geraldo Alckmin é de forma e não de conteúdo. Se nas relações sociais o PSDB flerta com a pós-modernidade lúcida de estilo europeu, na política econômica é puro neocolonialismo entreguista, sem tirar nem por com Bolsonaro e adjacências. O cenário é interessante. Podemos ver o engajamento das hordas virtuais com o “outsider” confrontando as cúpulas partidárias do Centrão da Direita. No segundo turno, possivelmente será o “centro” da centro-esquerda versus o “campeão da direita”. O desconforto do PSDB é um pouco maior do que os defensores da “linha chilena”, a que vai mesclando um protofascismo social e a aplicação de medidas neoliberais selvagens. A alta cúpula tucana alinha-se com uma subordinação incondicional ao Partido Democrata, mas entra em crise quando nos EUA tem uma política protecionista, isolacionista e sem a elegância do multilateralismo aparente de Clinton e Obama. Enfim, ambas as chapas, Bolsonaro (simulando ser um Trump subalterno) e Alckmin (a continuidade do colonialismo “responsável”) concordam com a pauta econômica entreguista, mas distanciam-se nas condições de execução de governo. O troglodita pode ganhar na urna, mas não governa. Já o “ponderado” conseguirá governar até o fim do mandato e executa o mesmo programa econômico do rival.

Triste escolha que não se soluciona nem com saídas de tipo mal menor e menos ainda desorganizando a população para assegurar a tal da governabilidade a qualquer custo, como ocorreu até 2013.

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, cientista político e professor de relações internacionais e jornalismo (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday July 15, 2018 01:59 byBrunoL

Estamos em plena crise política, uma crise que abala as instituições da chamada "Nova república", fruto da transição inaugurada a partir da Abertura Lenta, Gradual e Segura de tipo GGG (Geisel e Golbery, elogiada por Gaspari) e garantida pela Anistia, Ampla, Geral e Irrestrita - na sua segunda versão e através de jurisprudência obtida com o fim do AI-5. Na sequência, o Brasil quebrou mas, simultaneamente, a classe trabalhadora aparecia na cena política através do reformismo radical, então de base e legítimo. Graças a essa luta social intensa - mesmo que discorde das opções, as quais sigo em discordância - tivemos a versão substantiva da transição do autoritarismo na metade dos anos '80, através da Constituição de 1988. Pois bem, é esta versão de democracia liberal com traços oligárquicos e elementos, contraditoriamente, substantivos e representados até há pouco, na tentativa de controle do orçamento público que está em jogo. E estamos perdendo o jogo.

14 de julho de 2018, Bruno Lima Rocha
Trago estas notas analisando um problema de fundo, os ovos das serpentes do fascismo sócio-empresarial (linha chilena) estão sendo chocados em escala industrial. Estamos em plena crise política, uma crise que abala as instituições da chamada "Nova república", fruto da transição inaugurada a partir da Abertura Lenta, Gradual e Segura de tipo GGG (Geisel e Golbery, elogiada por Gaspari) e garantida pela Anistia, Ampla, Geral e Irrestrita - na sua segunda versão e através de jurisprudência obtida com o fim do AI-5. Na sequência, o Brasil quebrou mas, simultaneamente, a classe trabalhadora aparecia na cena política através do reformismo radical, então de base e legítimo. Graças a essa luta social intensa - mesmo que discorde das opções, as quais sigo em discordância - tivemos a versão substantiva da transição do autoritarismo na metade dos anos '80, através da Constituição de 1988. Pois bem, é esta versão de democracia liberal com traços oligárquicos e elementos, contraditoriamente, substantivos e representados até há pouco, na tentativa de controle do orçamento público que está em jogo. E estamos perdendo o jogo.
Alguém pode afirmar que a disputa entre neoliberais e social-democratas não é para a esquerda se meter. No embate político eleitoral entendo que a afirmação está correta. Na disputa pelos rumos da sociedade brasileira, é justo ao revés. Minha maior preocupação neste momento é, modestamente, fornecer capacidade analítica por esquerda tentando, ao mesmo tempo, não ficar a reboque dos apoiadores do governo deposto através de um golpe jurídico-midiático-parlamentar e, menos ainda, colocando quem atua pela esquerda da política ainda mais à margem da centralidade dos acontecimentos.
Infelizmente, circula um discurso obtuso por uma parte da esquerda brasileira - minoritária, é verdade - que confunde o momento estrutural vivido no país - o da crise político-institucional, quebra do modelo econômico do capitalismo periférico e a ascensão das carreiras jurídicas como setores protagonistas no Estado brasileiro - com a radicalidade discursiva. Entendo, respeito e repito ser a capacidade de alinhamento fundamental para fazer política, ainda mais importante quando o sistema de crenças tem de estar acima das alocações de recursos de poder disponíveis na concorrência permitida no liberalismo. Mas, como costumo afirmar, a melhor posição é combinar serenidade, frieza analítica e fervor ideológico. Acontece, que tal combinação é difícil, bem difícil.

Antes nem farda nem toga. Agora, nem toga e nem farda.
Recentemente afirmei em programa local de TV - local, digo, transmitido para a Região Metropolitana de Porto Alegre/RS - que não me entusiasmava um ambiente político onde as pessoas sabiam de cor nomes de magistrados, ministros de tribunais superiores, delegados da PF e procuradores federais. Isso por si só já caracterizava a presença de uma - algumas - tecnocracias de carreira em franca ascensão dentro do aparelho de Estado. E, estas carreiras, pelo próprio poder da caneta e da toga, podem operar como - de fato - Poder Moderador nos atos da república. Acontece que o caldo já entornou e hoje, quem estiver fazendo política - mais dentro do que fora das urnas - necessariamente deve contar com bases e contatos no mundo jurídico.

Neste sentido, há algum paralelo com os anos '50, quando o Estado-Maior do Exército estava dividido em Progressistas, Nacionalistas, "Democratas" e Intervencionistas. Estes últimos, gestando na Escola Superior de Guerra (ESG) dois partidos políticos, duas facções interna corporis e que viriam a disputar todo o poder do Estado para além da capacidade de governo. Na década em que Vargas pela primeira vez eleito presidente viria a se matar para não ser deposto, as forças políticas profissionais contavam com marechais - como o Marechal Henrique Teixeira Lott e o golpe preventivo que garantiu a posse de JK eleito -, aviadores - como os golpistas João Paulo Moreira Burnier, Haroldo Veloso e sua referência política Eduardo Gomes -, e navais como o contra-almirante Cândido Aragão (progressista) ou o almirante fascista Penna Botto -, dentre centenas de outros militares.
O outro paralelo se dá na interna do desenho de Estado no Brasil. Se a Nova República acabou, e acabou mesmo, e há uma evidente e brutal regressão de direitos, logo, é de se esperar um embate dentro das elites política, caos na interna do Estado e algum tipo de conflito social organizado. Mas, este último, o mais relevante para estruturar a sociedade debaixo para cima, precisa ser organizado e ter alguma referência para além do reboquismo ou a retomada do pacto anterior do governo deposto. E isso está bem difícil, embora sempre desejado. Talvez seja esta a dimensão mais complicada que torna vitoriosa a pauta baseada na luta pela recondução do governo deposto e, ao mesmo tempo, a necessidade de articulação cada vez maior das esquerdas mais à esquerda - onde me incluo como analista e apoiador.

Cabe observar o perigo real de avanço fascista em nossa sociedade. Explico.
Não se trata “apenas” da aventura de Bolsonaro no rumo da Presidência, embora este fenômeno por si só já assuste o bastante. Mas a difusão de um punitivismo baseado no pior do conservadorismo colonial - racista, elitista, nababo, misógino, entreguista, viralata - que agarra corações e mentes, tanto na geração de concurseiros profissionais, como da classe média para cima, na pirâmide que se entende olhando de cima para baixo - mesmo quando não passamos de uns pobres coitados com diploma, rezando para o mês acabar antes da chegada do próximo boleto de contas atrasadas - e vendo a maioria com asco e distância.
Nunca é demais recordar que o famigerado general Hamilton Mourão Filho, o militar que comandou a coluna golpista que desceu a estrada Rio-Bahia no sentido do Rio de Janeiro, era, na década de '30, membro do setor de inteligência da laia dos “galinhas verdes”, a famigerada Ação Integralista Brasileira. Ou seja, a difusão das estupidezes de Plínio Salgado e Gustavo Barroso - este por sua vida retrógrada era um anti-cristão na Restauração Católica, espécie de versão brasileira do franquismo - penetrou, e fundo, no Estado Brasileiro, em especial no período da ditadura getulista ainda sob a Lei de Segurança Nacional e depois no Estado Novo.
Se vale a comparação, ao difundir as cloacas jorrantes da nova-velha direita na América Latina - versões atuais dos Chicago Boys e posturas demenciais a favor do proto-fascismo militar - tais manifestações de pensamento entram com vigor no aparelho de Estado, assim como sempre seguiram atuando no aparelho policial deste nosso país campeão em execuções extra-judiciais. A manilha de esgoto já estourou, os dólares gastos pela fundação dos Irmãos Koch, a lavagem cerebral promovida pela Atlas Network e adjacências já penetrou em camadas sociais médias e a ideologia do empresariado selvagem pode vir a superar a velha panaceia oligárquica nacional.
Aconteça o que acontecer em outubro de 2018, a cancha está aberta em 2019 e tudo, absolutamente tudo, pode vir a acontecer. A esquerda mais à esquerda terá tanta chance de influenciar nos acontecimentos quanto mais força social e organização de base devidamente articulada e fazendo sentido com a maioria, estes setores puderem incidir. A campanha eleitoral formal ainda não começou, mas a luta antifascista não espera soar o gongo para entrar no ringue.
Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e de jornalismo, editor do portal Estratégia & Análise (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

This page has not been translated into 한국어 yet.

This page can be viewed in
English Italiano Català Ελληνικά Deutsch



#Nobastan3Causales: seguimos luchando por aborto libre en Chile

#Nobastan3Causales: seguimos luchando por aborto libre en Chile

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana

Wed 19 Sep, 01:18

browse text browse image

golpe_entreguista.jpg imageBrasil em transe e o desmonte generalizado, duas constatações Sep 10 01:57 by BrunoL 0 comments

perigo_ultraliberal.jpg imageEstamos diante de uma ameaça ultraliberal? Aug 27 10:50 by BrunoL 0 comments

bolsonada_careta.jpg imageBolsonaro e as Forças Armadas: a desastrosa imagem associada Aug 12 10:22 by BrunoL 0 comments

alckmincentroe1532685483562.jpg imageO Centrão da direita Jul 29 23:59 by BrunoL 0 comments

ovo_quebrado_verde.jpg imageNotas de conjuntura pré-campanha eleitoral: uma visão à esquerda Jul 15 01:59 by BrunoL 0 comments

bolsonaro_trump.jpg imageUm risco real do protofascismo no Brasil Jun 14 06:31 by BrunoL 0 comments

greve_dos_caminhoneiros_2018.jpg imageA Petrobrás sob o controle dos especuladores e a greve dos caminhoneiros May 28 10:00 by BrunoL 0 comments

Cuadro 1 imagePara una teoría de la estrategia May 21 00:22 by Coordinadora Anarquista Brasilera (CAB) 0 comments

antipetistasfazendosaudacaofascista.jpg imageEstamos sob ameaça fascista? Mar 31 10:24 by BrunoL 0 comments

textLa lutte de Marielle Franco continue! Mar 29 19:41 by Coordination des Groupes Anarchistes 0 comments

textLa lucha de Marielle Franco sigue ! Mar 29 19:38 by Coordination des Groupes Anarchistes 0 comments

textAsesinato político, Terrorismo de Estado: Marielle Franco, Presente! Mar 20 09:55 by CAB 0 comments

textAssassinio Politico, Terrorismo di Stato: Marielle Franco lotta con noi! Mar 19 22:30 by Coordinazione Anarchica Brasiliana 0 comments

Nota da CAB. imageAssassinato Político, Terrorismo de Estado: Marielle Franco, Presente! Mar 19 22:21 by CAB 0 comments

ato__por__marielle_centro_do_rio.jpg imageO assassinato de Marielle Franco e o genocídio estruturante no Rio de Janeiro Mar 18 20:22 by BrunoL 0 comments

460_0___30_0_0_0_0_0_29250100_10204225355389931_3506571102731584640_n_1.jpg imageΜαριέλ Φράνκο. Πα ... Mar 18 19:37 by Brazilian Anarchist Coordination 0 comments

textAssassinat Politique, Terrorisme d’Etat : Marielle Franco, Avec Nous ! Mar 16 08:52 by Accattone 0 comments

interveno_federal_rj.jpg imageA intervenção federal no Rio e a ameaça aos direitos democráticos Feb 27 04:14 by BrunoL 0 comments

27972487_10204129930964380_6391417269855699928_n.jpg imageNota de la CAB sobre la intervención federal y militar en Rio de Janeiro Feb 27 00:12 by CAB 0 comments

Intervenção federal e militar no Rio de Janeiro. imageA intervenção federal no Rio de Janeiro e o xadrez da classe dominante Feb 26 22:46 by FARJ 0 comments

cab.jpg imageNota da CAB sobre a Intervenção federal e militar no Rio de Janeiro Feb 22 06:46 by Coordenação Anarquista Brasileira 0 comments

interrogacao_brasil.jpg image2018 e o quarto turno de 2014 que não vai terminar Dec 17 18:56 by BrunoL 0 comments

peq_1.jpeg imageFor a Theory of Strategy Dec 06 00:10 by Coordenação Anarquista Brasileira 0 comments

textDeclaración de Apoyo a la Federación Anarquista Gaúcha Dec 05 17:17 by Federación Anarquista Uruguaya 0 comments

fag1.jpg imageBrasil, deriva neoliberal y represión de los movimientos populares y del movimiento libert... Nov 20 00:42 by José Luis Carretero Miramar 0 comments

textBas les pattes du mouvement anarchiste ! Solidarité avec la FAG et les anarchistes au Brés... Nov 05 22:33 by Anarkismo Organizations 0 comments

fag_demo.jpg imageHands off the anarchist movement ! Solidarity with the FAG and the anarchists in Brazil ! Nov 05 21:41 by Anarkismo Organizations 3 comments

22089863_1950783278524683_5291511063971490928_n.jpg imageNota De Solidariedade Do CPERS Sindicato Nov 03 20:19 by evandro 0 comments

textDeclaración de la Biblioteca Popular José Ingenieros sobre la represión en Porto Alegre Oct 30 01:24 by BPJI 0 comments

textDeclaración de la Federación Anarquista Uruguaya sobre la Represión en Porto Alegre Oct 30 01:19 by FAU 0 comments

more >>
© 2005-2018 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]