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Portugal - economia sinistrada

category iberia | economia | opinião / análise author Saturday August 09, 2008 08:17author by Manuel Baptista - Colectivo Luta Social*author email manuelbap at yahoo dot com Report this post to the editors

(e o resto também anda lá perto...)

A vacuidade e desvergonha da máquina propagandística do P"S" só-crata não pode omitir o descalabro em que se transformou a economia do país, em pouco mais de três anos:


Portugal - economia sinistrada


A vacuidade e desvergonha da máquina propagandística do P"S" só-crata não pode omitir o descalabro em que se transformou a economia do país, em pouco mais de três anos:

- A taxa de desemprego tem vindo a subir, sistematicamente.
- A perda líquida de postos de trabalho mostra que os sectores mais afectados são os que têm mais repercussões ao nível macroeconómico (perda muito acentuada de emprego nas indústrias transformadoras).
- A destruição de empresas sem a criação de novos postos de trabalho empurra os trabalhadores, sobretudo jovens, para a emigração: o saldo migratório inverteu-se desde meados de 2006 e o número de portugueses que buscam noutras paragens a subsistência não pára de crescer.
- Portugal não consegue competir de forma eficaz com a vizinha Espanha em vários sectores onde possui trunfos.
- Portugal tem um IVA de 20% (muito superior ao da Espanha). Uma enorme gama de produtos é mais barata do lado de lá da fronteira, o que significa que o comércio do lado português da raia está moribundo.
- Portugal tem combustíveis muito mais caros que a Espanha. Isso tem efeitos em toda a economia. Retira competitividade às empresas. Diminui o poder de compra duma população, já muito debilitada economicamente.
- A energia eléctrica é exageradamente elevada, para assegurar lucros da EDP, aos seus accionistas (maioritariamente) privados.
- O investimento privado em novos projectos é praticamente nulo. As poucas unidades são como as célebres «maquiladoras» da América central, exploram brutalmente os trabalhadores, com baixos salários, ausência total de protecção contra despedimento. Aproveitando-se de generosas ajudas do estado português para se instalarem, saindo logo que lhes convenha sem honrar os seus compromissos e sem restituir um chavo.
- As actividades dos bancos têm um retorno enorme, um nível de impostos ridículo face aos lucros; isto com uma série de truques perfeitamente legais, outros nem tanto, mas de qualquer maneira, sob protecção muito especial do estado.
- As famílias têm de pagar rendas elevadíssimas, face ao estado calamitoso de muitas casas ou - em «alternativa» - pagar juros de hipotecas pesadíssimas para os seus parcos proventos. Mas, tanto o sector de arrendamento, como o de compra são mantidos artificialmente inflacionados, por convergência de interesses dos promotores imobiliários e da banca, que financia amplamente quer a edificação, quer a compra de andares.

Mas, se as situações acima são reconhecidas como influenciando directamente a saúde económica de um país, as que se seguem não deixam de ser factores muito fortes, pois têm um efeito, directo ou indirecto, nas variáveis económicas... e revelam o estado mental dum país:

- O estado foi tomado de assalto por uma série de «boys and girls» que usam os dinheiros públicos, sem o mínimo controlo, sendo que uma grande parte do défice das contas públicas é devido ao que não se diz: as faraónicas «consultorias» em todo e qualquer domínio (mesmo onde existe reconhecida competência de departamentos do estado), os enxames de assessores, de «staff», tudo fora dos mecanismos normais de contratação pública ... esta clientela do poder está visceralmente interessada em ocultar «a mama»
- Uns mass media que são uma agressão permanente à inteligência das pessoas, que apenas têm debates muito chatos sobre política ou economia, ou então debates não menos chatos sobre futebol. Esta máquina de propaganda disfarçada de informação está associada à clique no poder. Muitos exercem (legal ou ilegalmente) funções como «conselheiros de imagem», ou como «relações públicas», sobretudo durante as campanhas eleitorais (vai ser um fartote nas próximas autárquicas!).
- Umas autarquias, que são um poço de corrupção permanente, onde os diversos partidos vão sacar os fundos que lhes permitem sobreviver e sobretudo fazer campanhas eleitorais, cada vez mais dispendiosas. As chamadas «forças vivas» (normalmente empreiteiros, o «partido do betão») dominam candidatos da maioria e da oposição e ditam o que deve ou não ser aprovado.
- Um ensino básico e secundário em estado de choque, depois de investidas contra a carreira dos professores, contra as escolas do interior (acentuando a litoralização e a desertificação do interior rural), duma catadupa de medidas contraditórias e que apenas causam instabilidade, dum investimento em acessórios de luxo (ex.: quadros interactivos) e um deixar degradar-se o parque escolar, na imensa maioria das escolas. Além, claro está, da municipalização da escola (ficando a gestão das escolas controlada por esses exemplos de probidade e boa administração que têm sido os/as autarcas !!)
- Um ensino superior em perda de qualidade, estrangulado pela aplicação atabalhoada do «processo de Bolonha» em paralelo com uma diminuição (cerca de 12%!) de verbas, como se não fosse prioritário um investimento público neste sector...Pois não, não é: assim as universidades privadas, «cooperativas ou «católicas» conseguem ter estudantes ...a pagar propinas bem altas! Só que às vezes, as coisas tornam-se demasiado obscenas: então, retira-se lhes o «alvará» como na Independente e na Moderna.
- Uns recursos naturais e um ambiente completamente a saque. Um desprezo pelos estudos de impacto ambiental, como nos casos de barragens do Sabor e de outras obras, uma indiferença pela preservação de património natural, como os numerosos atentados cometidos - quando não pelo próprio estado, por capitalistas por ele protegido - em zonas classificadas (rede natura 2000; em parques naturais). Uma política de vistas curtas, mas de comprido passado, permitindo uma degradação acentuada do ambiente, em especial das zonas litorais, nas grandes cidades e nas suas periferias.
- Uma propagação da incultura, por efeito conjugado da abaixamento do nível de exigência em todos os graus de ensino (veja-se o caso dos conservatórios de música...), um clientelismo endémico no campo da produção artística, um total abandono da promoção da qualidade, uma adoração a tudo o que reflecte a suposta «cultura de massas» anglo-saxónica (mas ignorando os casos excelentes desta cultura).
- Uma subserviência ao aparelho de dominação militar do império, com envio de contingentes para Bósnia, Kosovo, Iraque, Afeganistão... a cedência (sem contrapartida, pois o ferro velho militar que nos fazem o «favor» de vender com desconto, não o é!) da Base das Lajes, um ponto estratégico de primeira importância.
- A subserviência aos potentados da UE, especialmente com aqueles que têm desejo que a 'Aliança' (de bandidos e de criminosos de guerra) se estenda cada vez mais para Leste (e Sul)...

E muito mais haveria para enumerar!

Manuel Baptista

(*a título individual)

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