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Nossa Concepção De Feminismo Na Perspectiva Do Anarquismo Organizado Apr 14 20 by Coordenação Anarquista Brasileira

Λατινοαμερι_... Dec 16 19 by FAU/CAB/FAR

Para una teoría de la estrategia May 21 18 by Coordinadora Anarquista Brasilera (CAB)

Encontro Pró-Federação Anarquista de São Paulo

category brazil/guyana/suriname/fguiana | movimento anarquista | news report author Wednesday August 06, 2008 06:21author by Núcleo Pró-FASP - Núcleo Pró-FASP Report this post to the editors

26 e 27 de julho de 2008

Com muito otimismo, o Núcleo Pró-FASP da capital realizou seu:

1º Encontro Pró-Federação Anarquista de São Paulo

Foram mais de 150 solicitações de inscrição: pessoas de 28 cidades do estado de São Paulo e de 7 outros estados. Compareceram e participaram 75 inscritos, mais 3 que não quiseram ou se negaram a se inscrever. Ao todo foram 78 participantes mais os 3 organizadores e 2 militantes da FARJ. Totalizam assim 83 as pessoas que fizeram parte do encontro. Destes, havia pessoas de 18 cidades do Estado de São Paulo: São Paulo, São Jose dos Campos, Rio Grande da Serra, Santos, Piracicaba, Ribeirão Preto, São Caetano do Sul, São Carlos, Diadema, Ferraz de Vasconcelos, Santo André, Sorocaba, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Campinas, Osasco, Americana, Anhanguera; e 7 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceara, Paraná, Distrito Federal, Goiás e Espírito Santo.

O encontro foi excelente, conseguindo cumprir todos seus objetivos de iniciar as discussões para a formação de uma organização especifista anarquista no estado de São Paulo – a FASP. As exposições e os debates caminharam bem, assim como os encaminhamentos.

Abaixo, um relato das exposições e debates ocorridos, mais uma pesquisa com o perfil dos participantes e alguns de seus depoimentos. Colocamos abaixo, também, o “Manifesto Pró-FASP” e a “Carta de Apresentação do Encontro”.


Foi distribuído na entrada do Encontro um KIT aos 83 participantes contendo a “Carta de Apresentação do Encontro”, as pautas, o “Manifesto Pró-FASP”, o boletim n° 02 do Centro de Cultura Social Antonio Martinez (CCS-AM), uma entrevista com a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) e um Libera que é o boletim oficial da FARJ.

Foi realizada a abertura com a leitura da “Carta de Apresentação” e feita a apresentação do Núcleo Pró-FASP da capital.

A FARJ foi presenteada pelo Núcleo Pró-FASP da capital, com cartazes das comunas do MST, jornal do MST e com um produto das Cooperativas da Reforma Agrária que os trabalhadores Rurais Sem Terra, conquistaram na LUTA!

PRIMEIRA PAUTA: FARJ CONTRIBUINDO COM O DEBATE PRÓ-FASP

A apresentação da primeira pauta foi feita pelos convidados do Núcleo Pró-FASP: a FARJ.

A FARJ iniciou sua exposição com um breve histórico “de onde saiu a FARJ”, passando pela militância de Ideal Peres, CEL, CELIP, até a fundação da FARJ.

Foi dito sobre o ANARQUISMO SOCIAL E BUSCA DA RETOMADA DO VETOR SOCIAL do anarquismo. O que é anarquismo, justificando-o como uma ideologia que surge no seio da luta de classes do século XIX e que busca se formar a partir das aspirações dos trabalhadores da época. Pontuando que enxergam a ideologia como algo que nasce da prática do movimento operário daquele momento e, a partir de Proudhon começa a tomar forma e se consolida em Bakunin. Desenvolvem a interpretação de perda do vetor social, justificando para esta perda o contexto social da época (do inicio do século XX até a década de 1930) e o contexto do próprio anarquismo: a mistura dos âmbitos social e político e a conseqüente falta de organizações específicas de anarquistas.

Foi falado da importância da ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA. Sobre a concepção da organização específica anarquista, conceito, trabalho como minoria ativa, etc.

Foi explicado qual é a função desta organização, que é a atuação nos movimentos como agente catalisador da mudança. Explicado como a organização constitui uma força social dentro dos movimentos sociais para afastar as ameaças (burocracia, partidos, etc.). Além disso, foi tratado dos princípios que a FARJ tem hoje repensando como eles interagem com outros princípios que este modelo (especifista) de organização preconiza (unidade teórica e ideológica / unidade estratégica e tática, além da responsabilidade e autodisciplina).

Foi tratado das funções da organização: produção e reprodução de teoria / ideologia; promoção do trabalho e inserção social (com a criação e a interação com os movimentos sociais); e descrição do seu funcionamento interno, em linhas gerais (com círculos concêntricos, etc).

Foi falado dos trabalhos com as publicações ideológicas (com função política e social), criação/desenvolvimento de espaços públicos e atividades culturais; e como isso contribui taticamente com a estratégia.

Foi falado da NECESSIDADE DE ESTRATÉGIA, TÁTICA E PROGRAMA. Desenvolveram o conceito de estratégia, tática e programa. Explicaram como isso se dá na prática, como isso funciona na organização específica e como isso interage com os movimentos sociais.

Foi falado das RELAÇÕES DA ORGANIZAÇÃO ESPECÍFICA ANARQUISTA COM OS MOVIMENTOS SOCIAIS. Desenvolvendo o assunto das relações entre a organização anarquista e os movimentos sociais, em seguida como pensam que para caminhar no sentido da revolução social, o caminho é a organização popular com o objetivo de constituir uma força social do povo que possa fazer frente ao capitalismo. Trataram do porque acreditam que a mudança só pode acontecer com o concurso dos movimentos sociais. Além disso, desenvolveram como esses movimentos devem funcionar (ação direta, democracia direta, combatividade, autonomia, etc.), colocando que estes não devem caber dentro de uma ideologia, mesmo que a anarquista.

Foi colocada a diferença entre minoria ativa e vanguarda, dos níveis de atuação, as diferenças com o leninismo, a necessidade mútua entre político e social (como um desenvolve o outro e vice-versa), o que se trata no político e o que se trata no social, como funcionam os círculos concêntricos, etc.

Finalmente, foi visto como a interação a organização política com os movimentos sociais pode funcionar como tática para a estratégia que buscamos desenvolver.

Foram dados exemplos práticos e contado toda a experiência atual no Rio de Janeiro detalhando um pouco o que a FARJ teve ou tem hoje de experiências práticas: CELIP, Petroleiros, Biblioteca Social Fábio Luz, padaria comunitária, Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro e atividades comunitárias, trabalho com as ocupações urbanas, Frente Internacionalista dos Sem Teto, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Núcleo de Pesquisa Marques da Costa, Núcleo Germinal e atividades agroecológicas, atividades no campo cultural: simpósios, colóquios, pedagogia, etc., e publicações como Libera, Protesta e livros.

Assim a FARJ contribuiu com o debate do Núcleo Pró-FASP da capital! Agradecemos os companheiros Rafael V. e Gabriel.

SEGUNDA PAUTA: POR QUE INSERÇÃO SOCIAL?

A segunda pauta foi apresentada pelo Núcleo Pró-FASP da capital.

Foram apresentados os temas:

CONCEITO DE INSERÇÃO SOCIAL. Poderíamos dizer que inserção social, é a “participação ativa nos movimentos sociais”.


E POR QUE INSERÇÃO SOCIAL?

Visto que alguns companheiros não entenderam a orientação tática da inserção social, acreditamos ser importante aprofundar o tema. Por exemplo, há companheiros que nos dizem que já têm inserção social porque são membros da sociedade ou porque participam de um grupo “X”.

O que estamos dizendo é que isto não é inserção social. Ser membro de uma sociedade de classes significa aceitá-la ou lutar contra ela. Portanto, não entendemos a sociedade como algo homogêneo ou uniforme, mas sim uma sociedade dividida em classes. Portanto, quando pensamos em lutar e pensamos em transformar a sociedade de classes, temos que falar em inserção social. A inserção social traz obrigatoriamente a discussão de classe para o anarquismo e a partir deste conceito se pensa que a atuação em movimentos sociais deve buscar “devolver o anarquismo ao povo pobre”. Ou seja, para nós é imprescindível que o anarquismo tenha contato com os meios populares em que a luta de classes é mais evidente. Isso não significa afirmar que pretendemos transformar cada pessoa em anarquista, significa, igualmente, devolver a pratica da ação direta, autogestão dos meios de produção, ajuda mutua/solidariedade de classe, que lhes foram outrora roubadas.

Um grupo “X” não tem inserção social quando não desenvolve suas atividades junto à classe que é oprimida e explorada, e que está em luta!


POR QUE TÁTICA?

Visto que a tática é condicionada dentro de uma estratégia anarquista, e entendendo o que é o processo revolucionário, nos orientamos taticamente pela inserção social em VÁRIOS NÍVEIS e FRENTES.

Foi debatido O QUE SÃO AS FRENTES DE INSERÇÃO SOCIAL. Elas são a denominação do lugar onde se está inserido, e que pode ser representada pelo sujeito social, como juventude libertária aos estudantes, sem terra aos camponeses, indígena para quem é ou desenvolve trabalhos com os povos originários. Pode também representar o nome de uma frente como o sindicalismo para o trabalho junto aos trabalhadores ou movimento comunitário para designar as ações com moradores de uma determinada comunidade. No entanto, o Núcleo não tem nada ainda estabelecido sobre isso.

Foi debatido POR QUE FRENTES DE INSERÇÃO SOCIAL. Entendemos que não estamos mais no inicio do século XX que o sindicalismo era a única expressão da luta de classes e que hoje esta se encontra em muitas frentes. Não nos opomos ao sindicalismo revolucionário, mas acreditamos que devemos somar outras lutas a ele. Além disso, não entendemos o sindicalismo como a defesa abstrata de princípios, como fazem alguns companheiros, mas um processo que necessita somar as forças em luta e entender as frentes e os níveis de lutas que se constroem na luta de classes, separando os níveis social do político e ideológico, dando mais clareza e definição a cada um deles.

Se hoje uma “minoria ativa”, se orienta por esta prática tática da inserção social, é porque acreditamos que há muito espaço para nossa participação ativa nos movimentos sociais, sendo eles um campo fértil para nossas metodologias libertárias tais como:
- ação direta;
- horizontalidade;
- participação;
- delegação;
- federalismo.

Foi debatido POR QUE NIVEIS DE INSERÇÃO SOCIAL. Para entender os níveis é necessário entender o processo de transformação social e a construção de uma força capaz de dar respostas e esta transformação social, através das conquistas que se dão nas lutas sociais.

Por exemplo:
1*) O nível ideológico: é o nível do debate estratégico onde os anarquistas traçam seus programas para os níveis e frentes.
2*) O nível jurídico: entendemos que em uma sociedade dita “de direito” é uma sociedade que só reconhece entidades jurídicas, por exemplo como entidade jurídicas no anarquismo de São Paulo temos o CCS-SP ou nos movimentos sociais, suas entidades de base. Na pratica: é um nível tático e uma atividade representativa, que pode ser criada como o CCS-AM ou reivindicada como um sindicato, grêmio, associação de moradores...
3*) O nível social: é o nível das lutas sociais onde, na luta de classes, o povo amadurece e começa a entender o processo revolucionário. Este é um nível participativo onde se materializam as ações em um movimento. Pode ser uma frente ou várias frentes juntas, pode ser criado, como a REDE PERIFERIA, ou pode receber a participação, em caso de um movimento que já exista, como o MST. No nosso exemplo: Na frente comunitária, estamos criando a Rede Periferia, da qual o CCS-AM é um núcleo. Na frente camponesa criamos a Tendência Filhos de Toda Terra, que atua em apoio ao MST.
4*) O nível econômico: é o nível da atividade necessária à sobrevivência. Pode ser desenvolvido na criação de cooperativas ou na resistência do sindicalismo aos patrões. Na prática, este é o que chamamos de segunda parte da luta de classes, quando a luta começa a dar seus frutos e começa a dar certo, como o exemplo o MST, depois que conquista um assentamento, o povo começa a entender o processo e começa uma nova fase, a econômica, que vem junto com uma velha proposta anarquista. “as cooperativas de produção e consumo” e a coletivização das terras.
5*) O nível segurança: foram, no exemplo da historia do anarquismo, as milícias da Federação Anarquista Ibérica, a OPR 33 da Federação Anarquista Uruguaia, e o exército makhnovista da Ucrânia. Na prática histórica, num processo em que a classe oprimida é explorada e começa a “construir-se como força”, a classe privilegiada contra-ataca com a sua força, e é necessário dar respostas para sobreviver.

Foi debatido O QUE É TRABALHO SOCIAL. Este é o trabalho militante realizado nas frentes, são exemplos, entre outros:
- Organização Social; - Organização econômica; - Formação Política; - Educação; - Comunicação; - Cultura; entre outras...

Foram apresentadas as atividades que o Núcleo Pró-FASP da capital promove; como a Tendência Filhos de Toda Terra – MST; o CCS-AM; UNILIVRE JAIME CUBERO; a Rede Periferia, a Rede de Solidariedade Entre os Povos, e a escola de arte e ofícios Maria Lacerda de Moura.

TERCEIRA PAUTA: ORGANICIDADE

A terceira pauta também foi apresentada pelo núcleo Pró-FASP da capital, incluindo o debate sobre história das organizações especificas anarquistas, solicitado por um dos participantes. Foi debatida a existência de grupos de afinidade desde a década de 1930 e de grupos que se decretavam publicamente anarquistas desde a década de 1980, quando ressurgiu o Centro de Cultura Social e o movimento de reativação da COB. Em 1990 alastram-se grupos específicos anarquistas por todo o país que oscilavam entre o especifismo e o sintetismo, e inúmeras tentativas de se formar federações sintetistas que naufragaram, sendo a ultima em 2000.

Falou-se do nascimento da 1ª OSL em 1996, que simbolizou a 1° federação especifista a nível nacional.

Em seguida foi debatido, com explicação do método de Bakunin dos círculos concêntricos, e como a FARJ o utiliza. Para os círculos ideológicos foram apresentadas as estruturas de militantes apoio, militantes e o processo de aproximação e entrada de militantes na organização. Para os círculos sociais, foram apresentas as estruturas de movimentos sociais, agrupamento de tendência e da organização específica anarquista, explicando como se dá a influência do anarquismo nos movimentos sociais e como acontecem os agrupamentos de tendência que não são ideológicos e buscam agrupar os militantes que defendem posições semelhantes nos movimentos sociais (perspectiva revolucionária, ação direta, democracia direta, etc.).

Também foi apresentado o federalismo como método e forma de organização político-ideológica, mostrando como funcionam as instâncias deliberativas (núcleos, conselhos, congressos) e executivas (secretarias como formação política, comunicação, articulação). Falou-se também da experiência histórica com prós e contras do método federativo que, entre outras, implica no conhecimento dos métodos de participação, horizontalidade, delegação, método decisório e ética militante.

No momento, temos um Núcleo na capital e pensamos que para formar um ou mais Núcleos Pró-FASP, sejam necessários 3 militantes que tenham afinidade com o especifismo e que se proponham em debater programa, princípios, organicidade e práticas de inserção social, iniciando em sua cidade uma militância com trabalhos sociais.

Em seguida foi apresentada a proposta do Núcleo Pró-FASP, para a criação de uma instância de apoio à Pró-FASP.

QUARTA PAUTA: NOVOS ENCONTROS E CONSTITUIÇÃO DO GRUPO DE APOIO

A quarta pauta foi apresentada pelo Núcleo Pró-FASP da capital. Foi debatido que o Núcleo Pró-FASP da capital se responsabilizaria com os interessados no interior e no litoral de formar Núcleos Pró-FASP em suas cidades, e que na medida do possível levaria novos encontros a estas cidades onde tiver se formando novos núcleos.

Foi decidido então criar um grupo de apoio que cobrisse a região da grande metrópole e que outras pessoas do interior e litoral poderiam também participar, até construírem seus próprios núcleos. Foi agendado assim local, horário e pauta do grupo de apoio. A idéia é continuar as discussões e, aos poucos ir construindo a FASP. Será um processo longo de debates, de confronto das idéias com a prática e das práticas com as idéias. O processo seguirá com calma, porém de maneira consistente.

O encontro contou com uma banca de materiais anarquistas a venda como: livros, revistas, jornais, dvd's, cd's, boton's, camisetas, entre outros. Também contou com a venda de lanches trazidos pelos companheiros do Ativismo ABC.

Que avancem o debate programático e as praticas libertárias!
Pela construção da Pró-FASP!
Que novos encontros aconteçam!

Núcleo Pró-FASP da capital.


* * *

SOBRE O PERFIL DOS PARTICIPANTES

O resultado do perfil dos participantes está colocado a seguir. Não foram todos os participantes que responderam, portanto, a soma dos números não tem relação com o total de participantes. Os dados totalizam os participantes que responderam cada uma das questões.

1) Que não participa de grupo anarquista: 35 participantes
Que participa de grupo anarquista: 20 participantes

Dos que participam de grupos:

M.A.P., CCS-AM, Filhos de Toda Terra, G..R.A.V.I.D.A., Juventude Libertaria, R.A.V.E., Coletivo Cultural Revolta, S.E.M., Ativismo ABC, Fenikso Niegra, freqüentadores do CCS-SP, Casa da Lagartixa Preta, G.R.M.L., C.A.V.E., COBASE, Grupo de Estudos, Gang Punk, Faísca Publicações, FARJ, A.C.R., G.E.L.C., Organização Resistência Libertaria, Desarme a PM (Banda e Fanzine), Index Librorum Prohibitorum.

2) Que não participa de nenhum movimento social: 35 Participantes
Que participa de algum movimento social: 15 Participantes

Dos que participam de movimentos:

Fórum Centro Vivo, Sindicato dos Metalúrgicos, Movimento Sindical, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento de Educação, Grupo Homossexual Dignidade, APEOESP, Movimento Passe Livre, Movimento Comunitário, Movimento Negro, Movimento de Mulheres, Movimento Feminista, Movimento Indígena, Centro de Mídia Independente, Movimento Camponês, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Movimento Ecológico, Movimento de Ocupação Urbana, colaboradores do Geenpeace e vegans.

3) Que não conheciam a proposta de organização especifica anarquista: 10 Participantes
Que conhecem a proposta de organização especifica anarquista: 45 Participantes

4) Que não conheciam a diferença entre as propostas de organização anarquista (especifismo e sintetismo): 20 Participantes
Que conheciam a diferença entre as propostas de organização anarquista (especifismo e sintetismo): 35 Participantes

5) Que tem identidade com a proposta especifista: 22 participantes

6) Que tem inserção Social: 25 participantes
Que não tem inserção Social: 05 participantes
Que gostariam de ter inserção Social: 20 participantes

Dos que realizam trabalhos militantes:

Mobilização, Educação, Cultura, Comunicação, Formação Política, Organização de Gênero, e Outros Trabalhos...

7) Que está interessado em montar um Núcleo Pró-FASP ou participar de um: 35 participantes

8) Que ficou sabendo pela Internet: 35 participantes
Que ficou sabendo por amigos: 35 participantes
Que ficou sabendo de outra maneira: 00 participantes

9) Que está interessado em realizar em sua cidade do interior e litoral de São Paulo um encontro Pró-FASP: 15 participantes

10) Que deixaram um depoimento para o Encontro: 25 participantes

10 Depoimentos selecionados:

“Bom, sou um jovem anarquista muito interessado em ajudar a construir uma organização libertária que ande ombro a ombro com o movimento social. Com unidade ideológica, unidade pratica, responsabilidade e autodisciplina.”

“Amigos de São Paulo, com muita alegria vejo o ideal libertário e anarquista se estabelecer em uma frente que fortalecerá nossas forças dentro de outras organizações e correntes, minando, aos poucos, as influencias bolcheviques que há tanto tempo atrapalham a luta pela emancipação humana através de seus autoritarismo, que leva à burocratização em que tantos sindicatos se encontram hoje. Pela horizontalidade, participação direta, e pela construção do federalismo em nossa sociedade. Viva a FASP.”

“Temos que travar uma luta inexorável pela REFORMA do latifúndio da terra (fundiário), do latifúndio do saber (acadêmico/eurocêntrico) e do latifúndio do espectro magnético (midiático)”

“É engraçado que quando comecei a tentar compreender a idéia anarquista, eu mesmo achava algo impossível, já tinha um pré-conceito antes de conhecer, mas tendo algumas experiências com alguns militantes de partidos que dizem lutar pela liberdade e igualdade aqui na minha cidade, que ambas as visões têm um objetivo de estar no poder, seja qualquer preço, então me perguntava como estes que falavam que estavam do lado dos oprimidos agiam de forma preconceituosa e já errônea, já que eles vêm os cidadãos de cima para baixo. Eu percebi que por mais que fosse utopia para uns, a idéia libertaria (que não é verdade), realmente ela busca uma forma de mudança legitima. Após isso me interessei ainda mais a idéia anarquista, mas há muito a ver e apreender.”

“No momento não participo de nenhum movimento social e nem conheço muito sobre a Pró-FASP, penso que essa seria uma ótima oportunidade para conhecer já que será o primeiro encontro. Comecei a me interessar pelo ideal anarquista e obter informações dentro dos CCS, tenho muito interesse nesse tipo de assunto, mas como já citei não participo de nenhum movimento social ou organização e não tenho experiência com organizações. Assim, penso ser essa uma ótima oportunidade de conhecer e me empenhar neste ideal.”

“Vejo que a direita e os capitalistas são muito unidos,a maior prova disso é que nosso governo é de direita. Nós anarquistas e grupos sociais de esquerda precisamos nos unir,todas as células precisam formar um organismo vivo e ativo.”

“A todos que aqui participarem: Mantenham sempre a sinceridade em relação ao ideal anarquista.”

“Fico feliz com a iniciativa de organização deste encontro e espero que a partir dele possamos ampliar nossa rede, estudos, organização e prática.”

“A organização anarquista deve surgir assim como o anarquismo, através da necessidade e da afinidade dos indivíduos, funcionando como um catalisador da revolta gerada pela exploração e manipulação do povo e de suas organizações populares.”

“Há uma necessidade de nos organizarmos, pois o mundo se encontra submerso em um mar de alienação sustentada por este sistema cruel racista e sanguinário, cujo o único sentido está em lucrar sobre o sangue de inocentes. Vamos nos organizar e lutar.”


11) Que solicitaram alojamento: 25 inscritos
Que usaram o alojamento: 10 participantes

12) Que conhecem nossos convidados da FARJ ou ouviram falar: 25 participantes

13) Que estão participando dos debates por internet de princípios, organização, programa e práticas de inserção social: 10 participantes

14) Que conhece alguém que tenha afinidade com a proposta: 30 participantes

15) Que fez uma critica construtiva sobre o movimento anarquista de São Paulo: 30 participantes

10 Críticas selecionadas:

“A total falta de discussão dentro das diferentes propostas de organização devem ser superadas pela necessidade imediata de inserção nos movimentos de massa.”

“Que haja mais dialogo e respeito entre os grupos e ou indivíduos. Respeito a diversidade e opções que cada um faz sobre como cada um prefere lutar. Não há um só caminho para o anarquismo, mas sim múltiplos, e cada um se completa.”

“Um movimento que tem tudo para crescer, pois há realmente pessoas capacitadas. Talvez ainda seja pequeno, mas com um núcleo forte com idéias grandes, capaz de se desenvolver através de troca de informações.”

“No meu ponto de vista não há “movimento anarquista” em São Paulo. Há tentativas de criar um núcleo ou movimento anarquista. Mas todos sem sucesso.”

“Passamos por muitos problemas, principalmente problemas de ego, e isto atrapalha muito. Perdemos mais tempo brigando entre nós, do que contra aqueles que devem ser combatidos. Precisamos criar fóruns de discussões com mais freqüência.”

“O Movimento Anarquista em São Paulo está praticamente na mão de movimentos “político-musicais”. Nada contra punks (só não se pode resumir anarquismo a isso), e a FOSP (anarco-sindicalista) a meu ver perdeu muito de sua força e características históricas. Não querendo desmerecer o trabalho de ninguém, ainda mais eu que não tenho militância alguma mas não se pode reduzir um movimento que exige inserção social em vários âmbitos ao sindicalismo, que as vezes cai em propostas reformistas, necessárias muita vezes porem que acabam se tornando fins e não meios. (Perdão por ultrapassar o limite de linhas mas não consegui resumir se quiserem cortar algo vou entender completamente).”

“Bem vejo muita fofoca e pouca solidariedade no movimento, muitas vezes o meu coletivo (CAVE) e muitos companheiros de luta como por exemplo o Moésio, foram atacados por pessoas do movimento que nunca nos perguntaram como se dava a luta aqui na baixada. Esperamos que com este encontro e outros do tipo isto se resolva, pelo menos entre aqueles de boa vontade.”

“Infelizmente há muita descontinuidade nos trabalhos e organizações anarquistas em São Paulo desde final dos anos 1980 e muita divisão entre as correntes e grupos.”

“Assim como em diferentes lugares, a proposta anarquista tem sido depreciada enquanto viabilidade política de enfrentamento ao Estado e ao Capital. Aparentemente São Paulo demonstra ser um local de muitas tendências que divergem quanto as estratégias e táticas para se alcançar isso (as que tem pelo menos) isso é comum em todos os cantos. Entretanto, o que não se pode é impedir, associar e enfatizar a falta de comprometimento daqueles que reivindicaram um anarquismo social, organizado e comprometido com uma concepção social de transformação.”

“O movimento é composto por vários grupos e indivíduos, que desenvolvem trabalhos valorosos dentro de suas especificidade, porém acredito que existe muita falta de respeito e generalizações, principalmente com nós que somos anarco-punks.”

MANIFESTO PRÓ-FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO

A proposta de discutir a possibilidade de construção da Federação Anarquista de São Paulo (FASP) surgiu a partir de uma analise da conjuntura dos movimentos sociais e dos grupos que se identificam como anarquistas.

No Brasil, na maioria, o que temos até o momento são grupos de propaganda anarquista se articulando com grupos e indivíduos também anarquistas. O campo de atuação dos grupos anarquistas de São Paulo não difere desta realidade nacional.

Existe uma minoria ativa que é exceção no contesto nacional atual (pós-ditadura militar), a qual está retomando as atividades dos companheiros da primeira metade do século XX, com participação ativa nos movimentos sociais. (MST, MTST, movimento estudantil, movimentos comunitários, movimentos étnicos, movimento sindical).

Partindo da iniciativa de militantes anarquistas agindo nos meios sociais (por dentro), muitas vezes isoladamente, sem uma estrutura orgânica dando apoio, que surge a proposta de uma organização especifica (anarquista) federativa. Desde a “abertura brasileira” os anarquistas se mantiveram no resgate da memória do movimento e na propaganda. Tudo ligado a pesquisas e muitas vezes a trabalhos acadêmicos. Queremos contribuir na retomada da prática junto aos movimentos sociais, que até o momento, em sua grande maioria, está aparelhado pelas organizações partidárias.

Pensamos que essa referencia histórica (atrasos) e discussão dessa referencia, não condiz com a realidade. Hoje, nós, enquanto anarquistas, já temos uma identidade local e não mais como uma idéia trazida pelos imigrantes europeus no fim do século XIX. Temos nossas próprias referencias de luta por libertação (quilombos, revoltas indígenas, canudos ...) e de resistência (lutas indígenas na preservação de sua cultura e território, remanescentes de quilombos, favelas, movimentos de trabalhadores rurais sem terra, movimento de trabalhadores sem teto).

A proposta de criação da Federação Anarquista de São Paulo (FASP) é estabelecer de forma organizada a atuação dos anarquistas nesses movimentos sociais.

Atenciosamente:

NÚCLEO PRÓ-FASP da Capital.


* * *

ENCONTRO PRÓ-FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO
São Paulo, 26 e 27 de Julho de 2008


Evidentemente, organização significa coordenação de forças
com um objetivo comum, e obrigação de não promover
ações contrárias a este objetivo.
Errico Malatesta


Bom dia a todos!

Primeiramente, nós do Núcleo Pró-Federação Anarquista de São Paulo, ou FASP, gostaríamos de dar as boas vindas e agradecer a todos e todas que se inscreveram neste encontro.

Como já deve ser de conhecimento, nossa proposta é abrir a discussão para a constituição de uma organização anarquista no estado de São Paulo. Ao lançar a proposta de constituição da FASP, temos em mente um modelo para esta organização e algumas questões “de saída” que são consenso entre nós.

O modelo que escolhemos adotar é o modelo conhecido na América Latina como “especifismo”. Trazido do Uruguai, o termo “especifismo” refere-se a dois eixos fundamentais que marcam a atuação anarquista: a organização e a “inserção social”, baseados em dois conceitos clássicos do anarquismo, que são:

1. a atuação diferenciada nos níveis político (da organização anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.) – conceito de Bakunin.
2. a organização específica anarquista – conceito de Malatesta.

Os primeiros a utilizar este termo foram os companheiros da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), apesar de se referirem a uma forma de organização que começou a ser desenvolvida no século XIX por Bakunin e que foi aprimorada posteriormente por Malatesta, Magón, Durruti, Makhno, FAU, entre outros. No Brasil Neno Vasco e José Oiticica, Jaime Cubero, Antonio Martinez e Ideal Peres, por exemplo, defenderam posições semelhantes.

Hoje, este modelo especifista desenvolve-se em oposição ao modelo “de síntese” ou “sintetista”, mais conhecido no mundo e adotado por organizações como a Federação Anarquista da França. No modelo sintetista, a Federação é uma organização que associa uma série de grupos federados, com algumas linhas gerais em que se baseiam os acordos desta associação e com autonomia completa dos grupos dentro da federação. Há múltiplas linhas teóricas e ideológicas e múltiplas linhas programáticas ou estratégicas. É um modelo em que cabem todos os tipos de anarquismo: anarco-individualismo, anarco-comunismo, anarco-sindicalismo, e todos os outros. O que pretendemos começar a discutir, não é uma organização sintetista, nestes moldes, mas sim uma organização especifista.

Voltando aos dois eixos da organização especifista, ou seja, organização e inserção social, podemos dizer que sabemos que eles não são defendidos por todas as correntes anarquistas. Sabemos que o anarquismo é bastante amplo e, por isso, abarca diversas concepções, muitas delas contraditórias.

O especifismo defende uma posição clara na polêmica histórica sobre a questão da organização e da prática anarquista, e é por isso que tem como seu primeiro eixo a organização. Em primeiro lugar, defende que os anarquistas devem organizar-se especificamente, como anarquistas, para então trabalhar com os movimentos sociais. Neste modelo organizacional, vale a idéia que, para se atuar com eficiência na luta de classes, é preciso que os anarquistas estejam organizados, no nível político e ideológico, como um grupo coeso, com discussão política e ideológica avançada, com uma estratégia bem definida, de forma que isso lhes dê força suficiente para atuar no âmbito das lutas, dos movimentos sociais.

A organização específica anarquista, que trabalha no âmbito político, atua no seio da luta de classes, nos movimentos sociais e populares, que constituem o âmbito social. Neste trabalho, os anarquistas, organizados como minoria ativa, influenciam-lhes o quanto podem, fazendo-os funcionar da forma mais libertária e igualitária possível. Organizados como um agrupamento específico coeso, os anarquistas constituirão uma força social muito maior e poderão funcionar como um elemento sólido de influência e persuasão que terá menos chance de ser “atropelado” por um partido de esquerda, por autoritários de qualquer estirpe, pela igreja, e outros indivíduos e grupos que tentam a toda hora usar o movimento social para seu próprio benefício.

O segundo eixo do anarquismo especifista é a inserção social. A idéia de inserção social está ligada àquela busca do vetor social perdido pelo anarquismo, quando este terminou por desligar-se da luta de classes e dos movimentos sociais. Com o episódio do afastamento dos anarquistas do movimento sindical no Brasil, ocorrido entre os anos 1920 e 1930, há uma perda desse vetor social do anarquismo que termina por organizar-se em centros de cultura, ateneus, escolas etc. A inserção social reforça a idéia de que os anarquistas devem buscar, além destes aspectos de reforço da memória e da promoção da cultura libertária, principalmente, ter um papel relevante na luta dos movimentos sociais e populares.

Muitos têm um pouco de receio com o termo inserção social por associá-lo ao velho “entrismo” da esquerda autoritária em movimentos para tentar aparelhá-los ou fazê-los funcionar em seu próprio benefício. Na realidade isso não é verdade; este conceito de inserção social dos anarquistas está ligado tão-somente, à idéia de retorno organizado dos anarquistas à luta de classes e aos movimentos sociais e uma atuação com ética – um dos princípios mais importantes neste modelo de organização. Não em um sentido vanguardista de lutar pelo movimento, mas defendendo a idéia da minoria ativa, que luta com o movimento. Neste caso, não há hierarquia e nem dominação do nível político em relação ao nível social, como querem os autoritários, mas há complementaridade; o político complementa o social assim como o social complementa o político.

Há algumas outras idéias que caminham junto com os conceitos apresentados acima. Por exemplo, a crítica à falta de organização de muitos anarquistas, propondo, para tanto, essa forma de anarquismo organizado, norteado pela concepção de organização específica anarquista explicada anteriormente. Há também uma clara oposição ao anarquismo individualista e à exacerbação dos egos, propondo uma forma de anarquismo comunista ou coletivista, que faz da liberdade coletiva seu norte estratégico e que, sem ela, considera impossível a liberdade individual.

Essa forma de organização opõe-se ao modelo sintetista, por acreditar que não funciona colocar uma série de indivíduos e organizações sob o “guarda-chuva” anarquismo, simplesmente realçando uma identidade em torno da crítica – pois geralmente só há acordo na crítica do Estado, do capitalismo, da democracia representativa – ou mesmo da sociedade futura; isso porque não há nenhum acordo ou unidade em termos organizacionais ou nas questões construtivas. Ou seja, não há uma posição clara em torno da forma de organização adequada, em torno do “como” atuar. Muitos anarquistas nem mesmo consideram a organização tão necessária e outros a acham até autoritária.

No modelo de organização especifista, defende-se a idéia de se trabalhar com unidade teórica e ideológica e unidade programática (estratégica), o que facilita enormemente o trabalho, com todos trabalhando no mesmo sentido. Nesta forma de organização, há também um papel preponderante para a questão da responsabilidade e do compromisso militante.

Não se trata de trazer uma proposta pronta, mas de algumas linhas pré-estabelecidas de um projeto de longo prazo que queremos desenvolver coletivamente. O propósito deste encontro é discutir e agregar pessoas que tenham interesse em iniciar um trabalho organizacional no sentido colocado acima e iniciar a construção desta organização em São Paulo.

A partir de então, a proposta será a discussão mais aprofundada sobre os moldes da organização, a elaboração de uma carta de princípios, a definição dos espaços de inserção e a apresentação para os novos companheiros dos trabalhos que já existem no Núcleo, a formulação de uma linha estratégica, dos conceitos, e a própria fundação da organização. Consideramos esta, portanto, uma forma de construção coletiva.

Esperamos que aproveitem e que gostem do encontro.

Pelo anarquismo como ferramenta de luta!
Pela organização dos anarquistas!
Pela Federação Anarquista de São Paulo!


Núcleo Pró-FASP da capital

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