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Algumas Considerações Sobre Responsabilidade Colectiva

category iberia | movimento anarquista | debate author Wednesday August 22, 2007 00:12author by Marco Montenegroauthor email riottheghost at riseup dot net Report this post to the editors

Como crítica aos comunistas autoritários leninistas-marxistas, afirmamos frequentemente que os meios devem estar de acordo com os fins, ou seja, se queremos uma sociedade sem classes, onde tomos somos iguais, onde todos temos os mesmos direitos e deveres, onde predomine a autogestão e onde exista um equilíbrio entre indivíduo e colectivo, então também as organizações anarquistas que lutam por essa sociedade devem estar de acordo com esses princípios e, assim, ao contrário dos marxistas-leninistas, devemos rejeitar as orgânicas burocráticas, hierarquizadas verticalmente e centralizadas, como também devemos rejeitar o “seguidismo”, o culto do líder e a passividade crítica

Como crítica aos comunistas autoritários leninistas-marxistas, afirmamos frequentemente que os meios devem estar de acordo com os fins, ou seja, se queremos uma sociedade sem classes, onde tomos somos iguais, onde todos temos os mesmos direitos e deveres, onde predomine a autogestão e onde exista um equilíbrio entre indivíduo e colectivo, então também as organizações anarquistas que lutam por essa sociedade devem estar de acordo com esses princípios e, assim, ao contrário dos marxistas-leninistas, devemos rejeitar as orgânicas burocráticas, hierarquizadas verticalmente e centralizadas, como também devemos rejeitar o “seguidismo”, o culto do líder e a passividade crítica.

Desde logo, a prática de agir sob a responsabilidade de um indivíduo deve ser decididamente condenada e rejeitada nos postos do movimento anarquista. Isto, não só pela razão discorrida acima, a compatibilidade entre meios e fins, mas também porque um indivíduo sozinho nada pode conseguir sem ajuda de ninguém. Nem mesmo o escritor mais solitário poderá escrever senão tiver quem lhe corte a árvore, quem lhe faça a pasta de papel, quem lhe forneça a tinta. Um indivíduo agindo sozinho nunca conseguirá nada de completo e que será facilmente descontextualizado. As áreas de acção social e política são profundamente colectivas na sua natureza, dai que as actividades, sociais e públicas, nunca se poderão basear sob a responsabilidade de um indivíduo.

Logicamente, então temos o princípio de “Responsabilidade Colectiva”, um princípio, que apesar dessa condenação do acto solitário, tem no entanto uma ligação estrita com uma responsabilidade moral individual. O que quer isto dizer? Ora como colectivo anarquista preconizando a horizontalidade e a autogestão, todos os membros devem ser activos e participar em todas as decisões da organização para que tais decisões sejam o fruto de uma vontade o mais possível geral, fruto de uma discussão aberta a todos os membros. Porque não admitimos que existam lideres e subordinados, nem queremos que existam condições para tal, e porque queremos que todos tenham uma capacidade crítica ilimitada baseada na racionalidade de uma prática e não de um processo mimético de arrastamento. No entanto, isto só acontecerá se existir essa responsabilidade moral individual, essa predisposição moral para ser activo e critico sempre. Não existirá responsabilidade colectiva sem responsabilidade individual e, vice-versa, não existirá responsabilidade individual sem responsabilidade colectiva, não só o indivíduo tem o dever de promover ele próprio a sua capacidade crítica, como tem também o colectivo a responsabilidade de estimular prática crítica de todos os indivíduos.

O anarco-sindicalista Rudolf Rocker tem nas suas memórias uma citação curiosa acerca da responsabilidade individual que cada um tinha e que determinava também uma responsabilidade colectiva que, de resto fazia a força dos anarco-sindicalistas da CNT: “Uma das coisas que me surpreenderam mais, foi a atenção com que o público escutava os oradores, como se identificasse com eles; mas, contrariamente ao que se passava noutros países, ninguém aplaudia para exprimir o seu entusiasmo. O próprio Durruti, que falou em termos rudes, chamando sem eufemismo as coisas pelos seus próprios nomes, não recolheu uma única ovação, ainda que fosse visível que o público estava sensibilizado. Todos pensavam naquilo que escutavam, num acto de reflexão. Perguntei depois a Durruti porque é que o público não aplaudia. Pôs-se a rir e disse-me: «Mas, amigo Rudolf, sabes perfeitamente que nós, anarquistas, não nos prestamos a nós próprios o culto da personalidade. Os aplausos e as ovações que são dirigidas aos oradores, são a musicazinha que faz despertar o verme da vaidade e, por fim, o “leader”. È justo que se reconheça a competência do companheiro que expõe a sua posição, mas, crer que ele é superior, isso é praticar o culto do chefe; e isso não é norma entre os anarquistas”.

author by Jonathan - Anarkismopublication date Sun Aug 26, 2007 16:15Report this post to the editors

Este artigo em Inglês:

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author by Anarkismo Editorial Group - Anarkismopublication date Mon Aug 27, 2007 00:54Report this post to the editors

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