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Wednesday May 23, 2007 15:35 by Associação de Classe Interprofissional acinterpro at gmail dot com
![]() Apenas uma greve activa, ou seja organizada desde a base, pode ser instrumento eficaz de luta contra o poder do governo e patronato. Apenas uma greve activa, ou seja organizada desde a base, pode ser instrumento eficaz de luta contra o poder do governo e patronato. Vem isto a propósito da greve geral decretada pela cúpula da CGTP para o próximo 30 de Maio. Com efeito, esta estrutura limitou-se a decidir, mais uma vez nas costas dos trabalhadores que diz representar, que se devia fazer greve em tal dia, como resposta a determinadas políticas do governo. A primeira coisa a perguntar é se essas mesmas cúpulas estão convencidas de que é assim que se mobiliza para a luta difícil e dura, os trabalhadores deste país. É evidente que não. É evidente que eles não são ingénuos ao ponto de pensarem que assim conseguirão mais do que um fracasso. Mas se for um fracasso camuflado, isso irá dar-lhes a aparência de adesão de que necessitam para depois reivindicarem a «representatividade» desses trabalhadores que aderiram à greve. Dessa maneira, terão maior capacidade de se manterem nas cúpulas - como têm feito, ao longo de vinte e mais anos, alguns deles - dando o recado ao governo de que ela (cúpula da CGTP) tem de ser ouvida para fazer passar a «pílula amarga» das medidas anti-sociais. É basicamente por isso que, lá do alto dos seus «tronos» sindicais, eles decretam a «ordem de greve» ... e os trabalhadores que obedeçam! O conceito antiautoritário e sindicalista revolucionário de greve é o oposto. São os próprios, susceptíveis de fazer (ou não) greve, que têm de decidir. Assembleias de trabalhadores realizam-se nos locais de trabalho e todas as pessoas se pronunciam, sobre as formas de luta e sobre as suas modalidades de aplicação. Com esta luta decidida desde as bases, não apenas a greve terá muito mais adesão, como haverá uma mobilização constante, durante um período, o que em si mesmo já é um factor de pressão sobre o governo e o patronato. Então, a greve será um culminar, será realmente uma ruptura assumida conscientemente pelos seus protagonistas. A ameaça de continuação do movimento grevista, caso não haja um recuo do governo e da entidade patronal, em pontos muito concretos, tem de pairar no ar, tem de ser uma ameaça séria e credível. Os burocratas, que dominam o movimento sindical, quase nunca fazem reuniões nos locais de trabalho. Porém, é este um direito sindical, que corresponde a um dos direitos sociais conquistados logo a seguir ao 25 de Abril de 74. Seriam reuniões nas empresas, nos serviços ou nas zonas próximas, os locais mais próprios da tomada de decisão para greves ou outras formas de luta. Só assim haverá uma adesão plenamente consciente e só assim terá o trabalhador a convicção de que esta greve, por muito sacrifício que lhe traga no imediato, lhe trará vantagens no longo prazo. Porém, uma greve assim, como as estruturas burocráticas costumam decidir, decretada desde o alto, nunca irá alterar, sequer um pouco, a correlação de forças a favor dos trabalhadores: Os do governo ficarão a rir, pois os grevistas lhes farão poupar milhões no orçamento. Os capitalistas não irão também sofrer qualquer perda significativa. Mesmo que a greve fosse muito bem sucedida, seria somente como um dia suplementar de feriado. Sendo esta greve destinada a mostrar que os chefes da CGTP ainda conseguem ser obedecidos por umas dezenas de milhares de grevistas... vai haver -como habitualmente - contradição total entre as estatísticas apresentadas pela central sindical e pelo governo, incluindo a comunicação social, submissa ao poder político e aos grandes grupos económicos. A única forma revolucionária de responder perante greves decretadas do alto, é dizermos que nós - trabalhadoras e trabalhadores deste país - não somos reféns de ninguém, nem do governo, nem dos «chefes» das centrais sindicais. A nossa vontade é apenas dependente das tomadas de decisão colectivas, em assembleias onde possamos, em igualdade de circunstâncias, expor os nossos pontos de vista. Aí sim, se tal for a vontade das assembleias de trabalhadores, estaremos de acordo em apelar à greve e em implementar as condições para efectuá-la. Nós, AC-Interpro, Associação de base, de trabalhadores anti-autoritários e anti-capitalistas, não iremos pois apelar à greve nestas circunstâncias, salvaguardando no entanto a decisão individual dos nossos militantes, visto se admitir a hipótese de circunstâncias locais onde se possa realizar uma greve activa. Não apelamos à greve geral no dia 30 de Maio pois estaríamos a participar no engano, estaríamos a canalizar os trabalhadores para um beco sem saída, para mais uma derrota... Temos - antes de mais - que devolver os sindicatos aos seus associados e transformar profundamente o modo de funcionamento dos mesmos. Só assim os sindicatos poderão voltar a ser, de novo, instrumentos da luta de classes. 22-05-2007 A Comissão Administrativa da AC-Interpro Associação de Classe Interprofissional www.acinterpro.org acinterpro@gmail. com http://groups.google.com/group/AC-Interpro |
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