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Carta Aberta de desligamento do Fórum do Anarquismo Organizado

category brazil/guyana/suriname/fguiana | movimento anarquista | other libertarian press author Monday April 23, 2007 15:06author by Glauco Luizauthor email materialista_1864 at yahoo dot com dot br Report this post to the editors

O Coletivo até então chamado Amigos do FAO DF vem por meio desta comunicar seu desligamento do FAO (Fórum do Anarquismo Organizado) motivado por questões teórico e prático metodológicas.


Carta Aberta de desligamento do Fórum do Anarquismo Organizado

Coletivo Amigos do Fao – DF, abril de 2007.


O Coletivo até então chamado Amigos do FAO DF vem por meio desta comunicar seu desligamento do FAO (Fórum do Anarquismo Organizado) motivado por questões teórico e prático metodológicas. A discordância com a construção do FAO vem a se colocar como uma divergência da construção bem sucedida de uma organização anarquista no Brasil, impossibilitada por: 1) debilidade teórica (ecletismo) ; 2) Debilidade prática (que comprova a dialética entre ação-pensamento- ação); 2.1) posicionamento estratégico(Conlutas X Intersindical) .
A teoria tem se mostrado uma pedra de toque que é citada como importante no discurso, mas é obscurecida e esquecida por conta de uma ilusória precedência de unidade tática que supostamente conduziria a uma unidade teórica e uma organização. Não haveria o anarquismo no Brasil tido suficientes experiências práticas para dar conta de sistematizar uma teoria mínima para dar liga a uma organização anarquista? Em nossa opinião a UNIPA (União Popular Anarquista) teria sido mais bem sucedida neste processo ao desenvolve-la pelo bakuninismo. Por meio de uma análise histórica sem exaltações meramente ideologistas se observa uma crítica ao revisionismo. Esta pode parecer arbitrária aos olhos de alguns, porém a luta concreta e a busca pela verdade histórica nos mostrou que a crítica da UNIPA é correta e acerta mais neste sentido.
A perspectiva ecletista na qual se coloca no FAO foi bem explanada no texto Comunicado da União Popular Anarquista UNIPA # n º 15 intitulado “Anarquismo e Ecletismo, em geral e particularmente no Brasil” que aponta críticas para os grupos mais orgânicos do FAO que não se deram ao trabalho de responder lucidamente às mesmas. A necessidade de construção de um programa anarquista tem como tarefa a apreciação de problemáticas típicas do processo revolucionário, que não se encerra meramente na questão da organização como diz a UNIPA em seu texto:

“[4] A própria idéia de um Fórum do “Anarquismo Organizado” supõe a contraposição implícita ao “Anarquismo Desorganizado” , e coloca como ecletismo se mantém preso a eterna e insolúvel contradição e debate organizadores X anti-organizadores.
[5] Aceitar debater sobre a “necessidade de organização” é tão primário quanto debater sobre a “necessidade de oxigênio e alimento para os seres vivos”. Nossa posição foi de romper com todos os pressupostos deste debate e avançar para o que é importante análise da história, das relações de classe e desenvolvimento de um teoria da revolução brasileira. Basta ver os documentos do FAO, da FAG e da OSL, que veremos que existe um debate grande em torno dessas questões.”

O anarquismo deve avançar para além do especifismo se quiser ter uma ação bem sucedida na luta de classes. O FAO neste sentido tem se perdido justamente em circundar unicamente este pólo do debate esquecendo a necessidade de formulação teórica e a substituindo numa “unidade prática” ficcional e danosa que não leva em conta as importantes ponderações colocadas pela UNIPA se perdendo na pequena política.
No campo prático esta falaciosa perspectiva vem a se apresentar com resultados desastrosos. Como já foi dito a ligação dialética entre ação-pensamento- ação vem a demonstrar como uma composição teórica falha se desdobra numa ação também falha .
A opção de grupos orgânicos do FAO pela chamada INTERSINDICAL demonstra isso muito bem. Qual seria o papel do anarquismo na conjuntura levando em conta o posicionamento após a vitória do PT no governo central do país? A UNIPA mostra claramente três posições considerando que duas se inviabilizaram na prática restando a “de que o Governo Lula era neoliberal, e que as forças políticas do movimento popular-sindical haviam degenerado em peleguismo aberto” (A Inter-Sindical e a CONLUTAS.
Por Alvaro/UNIPA, retirado da lista unipa_net). Posta desta maneira fica evidente que deve-se romper com os aparatos dependentes do governismo (CUT, UNE, CMS) para estabelecer uma luta efetiva contra a s reformas neoliberais. Fica aqui claro que romper com o governismo não se situa apenas no discurso, mas também e essencialmente na luta e organização do movimento sindical-popular. O que em termos mais claros se explica pela formulação: não se deve separar luta de organização.
Porque a Intersindical, considerando estas premissas, não cumpre este papel? Porque a opção pela CONLUTAS quanto a este ponto?
A começar pela CONLUTAS e a caracterização da contradição que a move pode se responder de forma bem sucedida a ambas as questões.

“1º) a CONLUTAS será possivelmente, uma alternativa para romper com o governismo, mas não se constituirá numa central de tipo sindicalista revolucionária, ou seja, que rompa com o modelo corporativista. A composição real do I Encontro da CONLUTAS e as forças políticas hegemônicas nele, indicam exatamente isso. A CONLUTAS representará uma ruptura com o governismo, mas não representará uma ruptura com o modelo reformista de luta de massas.
2º) a CONLUTAS será possivelmente, uma Central Sindical, mesmo que aberta formalmente, a movimentos populares. Isto porque, para que ela se tornasse isso, seria fundamental investir num trabalho de base junto a tais movimentos, e também um trabalho no campo, junto ao movimento camponês.
3º) a CONLUTAS cumprirá possivelmente, a tarefa de desgastar parcialmente o modelo reformista, e criar um meio sindical menos atrelado ao governismo e a política burguesa, impulsionando as lutas contra as reformas liberais e o modelo econômico.” (Comunicado da União Popular Anarquista UNIPA # n º09)

O que vem a demonstrar que a contradição essencial que move a CONLUTAS é rompimento organizativo com o governismo, mesmo por não apontar para a construção de uma central sindicalista revolucionária por conta de seu campo majoritário. A ação mais acertada está: apostar na contradição governismo x antigovernismo, construindo a CONLUTAS pela base através da luta direta das massas, e apostar na contradição: reforma x revolução no interior da CONLUTAS, dado o fato que ação de PSTU e PSOL tendem ao cupulismo e ao aparatismo. Por isso se coloca a criação de um bloco revolucionário para se opor a essa tendência[1].
A Intersindical por outro lado surge num processo claro de refrear o rompimento organizativo com o governismo demonstrado claramente por sua força iniciadora, a APS, em algumas de suas resoluções:

"13. A despeito de tudo isto, a CUT continua sendo reconhecida pela maioria dos trabalhadores e trabalhadoras sindicalizadas e muitos sindicatos do campo combativo continuam e continuarão filiados à CUT; 14. Mesmo não havendo condições de alterar a correlação de forças da CUT hoje em nível nacional, existe a possibilidade de se travar a luta política com parte de sua base e os sindicatos filiados à CUT são autônomos e independentes frente às decisões da central e seus dirigentes e militantes não se submetem, obrigatoriamente, às mesmas;" 1- A militância da APS continuará integrando a CUT, o que significa participar do conjunto de suas instâncias, como federações, confederações e direções estaduais e nacional, assim como dos sindicatos filiados, defendendo a manutenção destas filiações, posição esta que firmaremos tanto nas instâncias da própria central, como na FES, nas articulações intersindicais e outras frentes de mobilização popular como a ANPE (Assembléia Nacional Popular e de Esquerda). 2- A CUT não é mais suficiente para atender às necessidades de luta dos trabalhadores e trabalhadoras. Daí ser necessária a existência, sem sair da CUT, de articulações entre sindicatos combativos e outras organizações na resistência e luta contra o neoliberalismo, como é o caso da Assembléia Nacional Popular e da Esquerda (ANPE) e da proposta de uma Intersindical, das quais participaremos.” (Resoluções da APS, Março-2006)"

Diante disso se observa o claro oportunismo prático que contraria a metolodologia materialista na linha de massas, que demonstra que a ação é produtora do ser. Quer dizer, a ilusão alimentada pelos aparatos cutistas governistas só será quebrada por meio da ação objetiva das massas acompanhada de uma estrutura organizativa. A consciência, assim entendida, se faz pela ação[2]. Consciência esta que para ser disputada :

“Constatar que grande parte dos sindicatos ainda estão filiados a CUT não justifica automaticamente a defesa da permanência da CUT, já que para disputar as bases dos trabalhadores e os sindicatos de base não é necessário estar dentro das direções, o mesmo se aplicando a Central, e muito menos fazer sua defesa.”
(A Inter-Sindical e a CONLUTAS.Por Alvaro/UNIPA)

Caminhando agora para uma conclusão pode ser dito que a retirada coletiva do até então chamado coletivo ADF, Amigos do FAO, é motivada por conta de todas estas incompatibilidades acima expostas. Os grupos mais orgânicos do FAO efetivaram por meio de análises pouco aprofundadas e regionalizadas a adesão a INTERSINDICAL chegando a até mesmo enunciar publicamente no encontro do dia 25 de março contra as reformas por meio da tendência RP (resistência popular). Isto é sintoma de um erro de análise que corrobora o quantitativismo de setores como o PSTU e PSOL que por meio de uma falaciosa “unidade na luta contra as reformas” realiza uma dinâmica superestrutural e oportunista nos acordos de direção e na metodologia do ilusório “consenso”, que nada mais é do que uma forma de imposição às bases dos acordos prévios de direção. A perspectiva de que o ADF estaria tomando uma atitude “ultimatista e sectária” como talvez se poderia pensar não se comprova na realidade tendo em vista a tarefa prioritária que o proletariado tem na destruição do governismo. Não seria a nós útil um cansativo debate que não poderíamos vencer dentro do FAO, a luta requer assim ações imediatas e claras. A defensiva ativa, que se atingida levará a contra-ofensiva, só se realizará em tais termos.A partir do momento em que se abraça o quantitativismo e se acorda com os setores para-governistas (INTERSINDICAL) se caminha para uma defensiva passiva e a manutenção das posições até o inevitável. Desta forma o caminho é a capitulação e a derrota.
Fica aqui o registro de nosso desligamento acompanhado da intenção de permanecer na luta classista e revolucionária . Encaminhamos coletivamente o nosso pedido de ingresso a UNIPA e reafirmamos junto a ela o objetivo de construir uma organização bakuninista no Brasil .


Assinam este documento:
Glauco Luiz de Barros Wanderley Neto
Leon Martins Carriconde
Ariel Martins Carriconde


BAKUNIN VIVE! OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!


[1] O “Comunicado nº 06 -Rio de Janeiro, Março de 2005- UNIPA” sintetiza bem a intencionalidade expressa neste parágrafo, realiza boa análise do papel contra-revolucioná rio que cumpre o reformismo considerando ele instrumento de efetivação das reformas neoliberais para a transição “pacífica” rumo ao liberalismo econômico.
[2] ”Essa caracterização da Inter-sindical deriva de um outro erro teórico. Não são as opiniões políticas que possibilitam a unidade e a luta de classes, mas as contradições materiais, econômicas. Dessa maneira, exatamente pela situação estrutural de classe, os trabalhadores podem ser momentaneamente levados à colaboração com a burguesia em razão da penetração das idéias e ilusões inculcadas pela classe dominante (como é o caso da relação com o PT e a CUT), mas as contradições econômicas e a luta de classes tendem a desfazer essas ilusões. Por isso uma força política que defende os interesses de classe do proletariado terá sempre apelo no momento em que as ilusões se desfizerem. Ou seja, esse argumento que sustenta a inter-sindical, por ignorar as condições econômicas e materiais como base da ação de classe, é anti-materialista, e só pode retificar a política de colaboração de classes, com uma retórica "basista" e "obreirista" .” (A Inter-Sindical e a CONLUTAS. Por Alvaro/UNIPA. )

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