user preferences

New Events

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana

no event posted in the last week

A Alma e o Corpo do Anarquismo(Brasil) - Parte 2

category brazil/guyana/suriname/fguiana | movimento anarquista | other libertarian press author Saturday February 17, 2007 19:52author by Coletivista - UNIPA Report this post to the editors

continuação do Documento

"O ponto de partida exigido para a adesão a organização
de massas é a luta pela melhoria das condições
materiais de vida. Este ponto de partida é o centro do
método político materialista de mobilização. É ele que
permite a aglutinação massiva de pessoas, consciência
socialista e revolucionária é um desdobramento advindo
da experiência que esta organização de massas gera.

Mas como então garantir a adesão das massas a política
revolucionária através da experiência de luta?"

2ª Parte:



Vemos que existe um encadeamento entre os quatro
princípios, e que eles se traduzem numa determinada
estrutura organizacional. Os pontos de maior polêmica,
nas críticas movidas a plataforma, foram em relação à
responsabilidade coletiva e sua interpretação do
federalismo. Por isso é importante discutir as
definições e questões de fundo.

A responsabilidade coletiva é um princípio
organizativo plenamente coerente com a ideologia
anarquista e o pensamento guia, o Bakuninismo. Este
princípio indica a relação dialética entre
indivíduo-organização, a necessidade de um controle
recíproco, de uma disciplina bem determinada. Seu
objetivo é garantir a coerência e harmonia das ações
da organização. Bakunin formula com precisão a mesma
questão:



“A fim de estabelecer uma certa coordenação na ação,
coordenação necessária, creio eu, entre as pessoas que
tendem para o mesmo objetivo, impõe-se determinadas
condições: um certo número de regras ligando cada um a
todos, determinados pactos e acordos renovados
frequentemente – se falta tudo isto, se cada um
trabalha como lhe apetece as pessoas mais sérias se
encontrarão elas próprias numa situação em que os
esforços de um serão neutralizados pelos de outros.
Disso resultará a desarmonia e não a harmonia e a
confiança serena para a qual nós tendemos.

Eu quero que no nosso trabalho haja ordem e uma
confiança serena, e que nem uma nem outra sejam os
resultados de ordens de uma única vontade, mas da
vontade coletiva, da vontade bem organizada de
numerosos companheiros disseminados em numerosos
países.



Por muito inimigo que seja daquilo que na França se
chama de disciplina, no entanto reconheço que uma
certa disciplina, não automática, mas voluntária e
refletida, estando perfeitamente de acordo com a
vontade dos indivíduos, continua a ser e sempre será
necessária, todas as vezes que vários indivíduos,
livremente unidos, empreenderam um trabalho ou uma
ação coletiva qualquer. Esta disciplina não é senão a
concordância voluntária e refletida de todos os
esforços individuais para um objetivo comum. No
momento da ação, nomeio da luta, os papéis dividem-se
naturalmente, segundo as aptidões de cada um,
apreciados e julgados por toda a coletividade: uns
dirigem e coordenam, outros executam as ordens. Mas
nenhuma função se petrifica, se fixa e fica
irrevogavelmente ligada a nenhuma entidade ou pessoa.
A ordem e a promoção hierárquica não existem, de modo
que o comandante de ontem pode tornar-se o subalterno
de hoje. Ninguém se eleva acima dos outros, ou se se
eleva, não é senão para cair logo a seguir, como as
ondas do mar, voltando sempre ao nível salutar da
igualdade.”(Bakunin, 2002, p. 60).



A temática da responsabilidade coletiva se
relaciona diretamente a questão do federalismo. O
federalismo é uma formulação política e teórica
central no anarquismo. É importante saber o que o
federalismo significa em termos práticos.

P.J. Proudhon dá uma definição do
princípio federativo:



“Federação, do latim foedus, genitivo foederis, quer
dizer pacto, contrato, tratado, convenção, aliança, é
uma convenção pela qual um ou mais chefes de família,
uma ou mais comunas, um ou mais grupos de comunas ou
estados, obrigam-se recíproca e igualmente uns em
relação aos outros para um ou mais objetos
particulares, cuja carga incumbe especial e
exclusivamente aos delegados da federação. (Proudhon,
Do Princípio Federativo, p.90)

Em resumo, o sistema federativo é o oposto da
hierarquia ou centralização administrativa e
governamental a qual distingue, ex aequo, as
democracias imperiais, as monarquias constitucionais e
as repúblicas unitárias. A sua lei fundamental,
característica, é esta: na federação, os atributos da
autoridade central especializam-se, restringem-se,
diminuem de número, de intermediários, e se ouso assim
dizer, de intensidade ...” (Proudhon, Do Princípio
Federativo, p.91)



O princípio federativo, enquanto fórmula de contrato
político, tem duas características, segundo Proudhon:
ele é sinalagmático ou bilateral, implicando obrigação
recíproca; é comutativo, já que as partes se
comprometem em dar coisas equivalentes as que recebem.

Assim, o princípio federativo coloca o equilíbrio de
poder e obrigações iguais na base das relações
políticas. Isto não significa a inexistência de
organismo centrais, muito pelo contrário, exige eles;
a diferença é que a relação de poder entre os
organismos centrais ou federais e locais e
intermediários é equilibrada. Proudhon afirma que a
função dos organismos federais é essencialmente
iniciadora[16].

O Catecismo Revolucionário, documento
programático da Aliança, apresenta também algumas
questões relativas ao federalismo:



“J. A divisão de um país em regiões, províncias,
distritos, e comunas, como na França, dependerá
naturalmente das tradições, das circunstancias
específicas, e da natureza particular de cada país.
Nós podemos indicar aqui somente os dois fundamentais
e indispensáveis princípios que precisam ser postos em
prática por um país que esteja seriamente tentando
organizar uma sociedade livre. Primeiro: todo
organização precisa proceder por meio da federação da
base para o topo, da comuna a associação coordenada do
país ou nação. Segundo: é preciso existir no mínimo um
corpo intermediário autônomo entre a comuna e o país,
o departamento, a região, ou a província. Sem um tal
corpo intermediário autônomo, a comuna (no estrito
sentido do termo) seria isolada e também fraca para
ser capaz de resistir a pressão centralística e
despótica do estado, que irá inevitavelmente (como
aconteceu duas vezes na França) restaurar o poder
regime monárquico. O despotimo se origina mais in
organização centralizada do Estado, do que na natureza
despótica dos Reis.”

K. A unidade básica de toda a organização política em
cada país precisa ser a comuna completamente autônoma,
constituída pelo voto da maioria dos adultos de ambos
os sexos. Ninguém terá quer o poder quer o direito de
interferir na vida interna da comuna. A comuna elege
todos os funcionários, legisladores, e juizes. Ela
administra a propriedade comunal e finanças. Toda
comuna teria o direito incontestável de criar, sem
sanção superior, sua própria constituição e
legislação. Mas na ordem de liga-la e torna-la uma
parte integral da federação da provincia, a comuna
precisa conformar sua própria carta constituinte
particular aos princípios fundamentais da constituição
provincial e ser aceita pelo parlamento da província.
A comuna precisa também aceitar os julgamentos do
tribunal provincial e quaisquer medidas ordenadas pela
administração da província. (Todas as medidas da
administração provincial precisam ser ratificadas pelo
parlamento provincial) A Comuna recusando aceitar as
leis provinciais não terá direito a seus benefícios”.
(Catecismo Revolucionário, p. 7).



Podemos visualizar então que o federalismo
é uma determinada forma de organização política da
sociedade e também um princípio organizativo. O
fundamental é que o federalismo significa a inclusão
das unidades locais em unidades amplas; por isso a
comuna se ajusta as regras da província e esta as
regras da organização política nacional.

No entanto é preciso distinguir o
princípio federativo, enquanto formulação política
anarquista inserida na sua concepção global de
sociedade, da federação enquanto fato social. Como
vimos, o princípio federativo anarquista significa
bilateralidade, participação de várias partes e
comutatividade, equivalência, igualdade; a federação é
a compartimentalização igualitária (administrativa e
territorial) das funções políticas.

Entretanto, existem federações na sociedade
capitalista (o Brasil é uma república federativa), mas
que se reduzem ao aspecto administrativo. O princípio,
a relação política que a ordena é baseado no
estatismo, em relações de dominação. O princípio
federativo anarquista é uma relação igualitária de
poder, que se expressa em uma administração federada,
mas que é mais que isso.

Podemos dizer assim que a Plataforma,
conscientemente ou não, resgata o verdadeiro sentido,
político e social, das formulações que já estavam
devidamente acabadas no pensamento guia: em Bakunin e
Proudhon. O federalismo não exclui instancias
concretas de coordenação central, muito pelo
contrário, as exige; o papel delas é iniciar, regular
e zelar pelos acordos coletivos. O Poder máximo no
entanto reside nas bases.

A noção de que a União geral é composta por células
(organismos locais), que por sua vez tem um núcleo
dinamizador (o secretariado), e que existirá um Comitê
Geral, responsável pela observação das decisões
tomadas e pela função de iniciar e orientar o trabalho
coletivo é simplesmente a afirmação, e não a negação,
do federalismo. A Articulação coerente entre os
organismos locais numa estrutura que funcione de baixo
para cima, e da circunferência para o centro (mas que
possui um “cima” e um “centro”) e o funcionamento
efetivo da política revolucionária, são exatamente o
cerne do federalismo.





3 – O lugar da Organização Política



A organização política revolucionária ocupa um lugar
central no processo revolucionário, no sentido que ela
tem o papel de iniciador, vanguarda e guardião. Este
elemento, desenvolvido por Bakunin, é retomado pelo
Grupo Dielo Trouda (causa dos trabalhadores) nos anos
20 do século XX, pela Agrupação Amigos de Durruti nos
anos de 1936-1937, e pela FAU nos anos 1960/70. Em
todos estes casos se veria a reprodução da distinção
da organização dos anarquistas e das massas.

A Organização Política Revolucionária Anarquista tem
um papel central a cumprir. Isto porque dada as
condições da luta revolucionária – as exigências de
mobilização do proletariado e a repressão burguesa – o
movimento de massas não tem condições de cumprir todas
as tarefas da luta revolucionária.

A Organização tem assim a missão de guiar
teoricamente, de dar o exemplo, de tomar a iniciativa
da luta, ser a vanguarda popular, em todos os momentos
do processo, como afirma corretamente a plataforma. A
formulação da FAU nos anos 70 do século XX, durante a
luta contra a ditadura vai na mesma direção:



“Mas a transformação de fundo do sistema somente se
pode alcançar na medida em que exista uma organização
especificamente política, capaz de disputar o poder
com as classes dominantes. E para isso são necessárias
formas de organização e métodos de ação que somente
uma organização ideologicamente homogênea e apta para
atuar em todos os terrenos, pode dar-se. (Cartas de
FAU, in Acion Direta Anarquista, p. 192).

O problema do poder, decisivo em uma mudança social
profunda, só pode resolver-se a nível político,
através da luta política. E esta requer uma forma
específica de organização: a organização política
revolucionária. Somente através de sua ação, enraizada
nas massas, pode lograr-se a destruição do aparato
estatal burguês e sua substituição por mecanismos de
poder popular. (...)

A atividade de uma organização política supõe uma
previsão do devir possível dos acontecimentos durante
um lapso mais ou menos prolongado, previsão que inclui
a linha de ação a ser adotada pela organização frente
estes acontecimentos de maneira a influir sobre eles
no sentido mais eficaz e adequado.” (Cartas de FAU, in
Acion Direta Anarquista, p. 194 e 196).



Em última instância, como afirmava Bakunin, a
organização tem o dever de preparar as condições para
a vitória revolucionária das massas, obtida através de
uma prolongada preparação. É preciso ficar claro que a
organização política revolucionária ocupa um lugar
central na concepção bakuninista de revolução. Sem
organização política revolucionária anarquista, não há
revolução social. Exatamente como indicado pela FAU.



4 – A Organização de Massas



Iremos discutir agora a correta concepção anarquista
da relação da organização política revolucionária com
os movimentos de massa, ou dizendo de outra forma, as
organizações e entidades proletárias e populares.
Temos como objetivo esclarecer orientações teóricas a
serem adotadas, para que possamos visualizar com mais
precisão o porque de determinadas fórmulas práticas
empregadas no trabalho político.

Iremos então detalhar como a organização de massas se
constitui, como ela deve trabalhar, como ela se
organiza internamente para poder ao mesmo tempo
incorporar massas populares com opiniões diversas,
contraditórias e preconceitos burgueses para lutar por
melhorias imediatas, e ao mesmo transforma-las em
sujeitos cada vez mais conscientes e aderentes ao
programa socialista revolucionário. A nossa Linha de
Massas determina:



1) construir organizações de massa com “caráter de
tendência”, ou seja, que combinem em seu interior a
luta reivindicativa e a orientação revolucionária,
mesmo que em estado embrionário;

2) a partir daí construir/sustentar organismos
representativos (sindicatos, associações de moradores
e etc)

3) o conjunto das organizações de tendência
construídas/dirigidas pela organização específica, e
que seguem sua linha, serão chamadas de Braço de
Massas.

4) o objetivo do Braço de massas é fazer a luta
reivindicativa com uma orientação revolucionária, mas
seu programa não se confunde com o programa da
organização. O Braço de Massas é o elo da organização
específica com a vida cotidiana do povo e seus
problemas materiais; sua função é lutar para
resolve-los e aprofundar o grau de desenvolvimento
ideológico das massas em direção ao socialismo, sempre
começando da realidade material e concreta.



Fundamentaremos teoricamente, a seguir, as orientações
práticas da nossa linha de massas.



5 - O que é a Organização de Massas ...



De acordo com a concepção bakuninista, a organização
de massas tem uma função bem determinada: é fazer a
luta política pela melhoria das condições de vida do
povo. O seu programa e as suas exigências são
direcionadas para a aglutinação dos trabalhadores para
a luta, colocando somente este critério como central
para o ingresso na organização. Vejamos o que diz
Bakunin, num artigo chamado “A Dupla Greve de
Genebra”:



“Mas ,como chegar, do abismo da ignorância, da
miséria, da escravatura em que vivem os proletários
dos campos e das cidades, a este paraíso, a esta
realização da justiça e de humanidade sobre a terra?
Para tal, os trabalhadores tem apenas um meio: a
associação. Através da associação,
instruem-se,esclarecem-se mutuamente e põem fim, por
si próprios, a esta fatal ignorância que é uma das
principais causas da sua escravatura. Através da
associação, aprendem a se ajudarem, a se conhecerem, a
se apoiarem mutuamente, e acabarão por criar um poder
muito maior que o de todos os capitais burgueses e
poderes políticos juntos. (...)

Se a Internacional conspira, o faz a luz do dia, e diz
a quem quiser ouvir. E que diz? Que exige? A justiça,
nada mais que justiça, o direito da humanidade e o
direito ao trabalho para todos. (...)

É uma obra revolucionária? Sim e não. É revolucionária
no sentido em que pretende substituir uma sociedade
fundada sobre a corrupção, sobre a exploração da
imensa maioria dos homens por uma minoria opressora,
sobre o privilégio, sobre a ociosidade e sobre uma
autoridade que protege tudo isso, por uma sociedade
fundada sobre a justiça igual para todos e sobre a
liberdade de todos. (...)

A Associação Internacional é revolucionária no sentido
de querer chegar a destruição violenta da ordem
política atualmente existente na Europa? Não. Pouco se
preocupa com esta política, melhor, nada se preocupa
com esta política.” (Bakunin, L´égalite 1869 ,in O
Socialismo Libertário, p. 7-8).



Vemos que a organização de massas tem como objetivo
lutar pela garantia dos direitos dos trabalhadores.
Mas devido a situação concreta do proletariado, ela
não pode exigir que estes assumam um programa
revolucionário como exigência de sua adesão, pois isto
faria com que a organização fosse impossível. Mas
assim mesmo a organização de massas cumpre funções
necessárias a política revolucionária; separar os
trabalhadores da política burguesa, gerar a força
coletiva, o poder dos trabalhadores.

A função principal da organização de massas (e que
define o seu caráter), fica ainda mais explícita,
quando Bakunin discute as instâncias internas da AIT e
sua importância. A AIT tinha pelo menos dois tipos de
seções, as centrais e as de ofício:



“Se só houvesse havido, na Internacional, seções
centrais, provavelmente elas já teriam conseguido
formar conspirações populares para inversão da ordem
atual das coisas, conspirações de intenção, mas muito
fracas para atingir seus fins, porque elas nunca
poderiam arrastar e receber no seu seio, senão um
pequeníssimo número de operários.,os mais
inteligentes, os´mais enérgicos, os mais convencidos e
os mais dedicados. A imensa maioria, os milhões de
proletários ficaria de fora e, para inverter e
destruir a ordem política e social que hoje nos
esmaga, é preciso a concorrência destes milhões.”
(Bakunin, op.cit, p. 68).



Apesar de não ser pré-requisito para a ação
revolucionária, a quantidade é fator indispensável
para vitória da revolução. A Revolução Social é uma
revolução das massas, das maiorias. A função da
organização de massas é aglutinar estas maiorias para
o exercício prática da solidariedade e da luta. Esta
organização é que gera o poder necessário a revolução.




6 - O Método Materialista de Mobilização do
Proletariado.



Para organizar as amplas massas é preciso, no
entanto chegar até elas e convence-las de
organizarem-se. Para isto Bakunin indicou o método
correto a ser seguido pelos socialistas
revolucionários. É o método político materialista:



“Os fundadores da Associação Internacional dos
Trabalhadores agiram com extraordinária sensatez ao
evitar assentar em princípios políticos e filosóficos,
como base dessa associação, e ao fundar-se
primeiramente apenas na luta exclusivamente econômica
do trabalho contra o capital, pois estavam certos de
que, a partir do momento em que um operário se coloca
neste campo, a partir do momento em que ganhando
confiança nos seus direitos e na sua força numérica,
se insere com os seus companheiros de trabalho numa
luta solidária contra a exploração burguesa, será
necessariamente levado, pela própria força das coisas,
e pelo desenvolvimento dessa luta, a reconhecer
rapidamente todos os princípios políticos socialistas
e filosóficos da Internacional, princípios que não são
mais, com efeito, que a justa expressão de seu ponto
de partida, do seu fim.” (Bakunin, A Política da
Internacional 1869, in O Socialismo Libertário, p.
57).



Este critério de recrutamento, que coloca como
pressuposto a luta e a organização popular, sem exigir
mais nada dos aderentes, conduzirá pela dinâmica
política da luta de classes, a um aprofundamento cada
vez maior em direção uma consciência de classe
socialista. È a prática de luta e organização imediata
(e lembramos que toda prática compreende certas
idéias) que deve ser o ponto de partida, a adesão
consciente ao programa máximo socialista
revolucionário é o ponto de chegada.
A exclusão das “idéias políticas e religiosas” dos
critérios de adesão de massas, e seu centramento na
reivindicação, é o único meio de aglutinar as
maiorias, como indica Bakunin:



“Portanto, para interessar e para arrastar todo o
proletariado na obra da Internacional,era e é preciso
aproximar-se dele não com idéias gerais e abstratas,
mas com a compreensão real e viva dos seus males
reais;e os seus males do dia a dia, ainda que
apresentem um caráter geral para o pensador, e ainda
que sejam na realidade efeitos particulares de causas
gerais e permanentes, são infinitamente diversos,
tomando uma multiplicidade de aspectos diferentes,
produzidos por uma variedade de causas passageiras e
reais. (...)

Então, para tomar o coração e conquistar a confiança,
o consentimento, a adesão,a afluência do proletário
... é preciso começar por falar-lhe, não dos males
gerais de todo o proletariado internacional, nem das
causas gerais que lhe dão nascença, mas dos seus males
particulares, quotidianos privados. É preciso
falar-lhe da sua profissão, das condições do seu
trabalho precisamente na localidade em que habita; da
duração e da grande extensão do seu trabalho
cotidiano, da insuficiência do seu salário, da maldade
do seu patrão, da carestia dos víveres e da sua
impossibilidade de nutrir e de instruir
convenientemente sua família. E propondo-lhes meios de
combater os seus males e para melhorar sua posição,
não é preciso falar-lhe logo dos objetivos gerais e
revolucionários que constituem neste momento o
programa da Associação Internacional dos Trabalhadores
(...) provavelmente ele não compreenderia nada destes
objetivos, e poderia mesmo acontecer que, estando
influenciado pelas idéias religiosas, políticas e
sociais que os governos e os padres procuram
inculcar-lhe, repelisse com desconfiança o
propagandista imprudente que quisesse converte-lo com
esses argumentos. Não, primeiramente só é preciso
propor-lhes objetivos que o seu bom senso natural e
sua experiência quotidiana não possam ignorar a
utilidade, nem repeli-los (Bakunin, o Conceito de
Liberdade, p.144-145).



O ponto de partida exigido para a adesão a organização
de massas é a luta pela melhoria das condições
materiais de vida. Este ponto de partida é o centro do
método político materialista de mobilização. É ele que
permite a aglutinação massiva de pessoas, consciência
socialista e revolucionária é um desdobramento advindo
da experiência que esta organização de massas gera.

Mas como então garantir a adesão das massas a política
revolucionária através da experiência de luta? Na
verdade esta garantia se dá porque dentro da
organização de massas existem também os
revolucionários, que vêem a luta imediata como parte
de uma luta de longo prazo pela libertação proletária.
A organização da AIT possuía na sua estrutura, como já
vimos, pelo menos duas instancias fundamentais: a
Seção Central e Seção de Ofício. Vejamos qual o papel
de cada uma delas.



7 - A Estrutura da Internacional: Seções Centrais e
Seções de Ofício


Dentro de algumas formulações anarquistas, veremos
quase sempre ser mencionada a relação dos pequenos
grupos que normalmente dão início a alguma ação com os
amplos movimentos que podem ser, e que efetivamente
são, gerados no correr do processo de luta. Assim
vemos Bakunin analisar o surgimento e desenvolvimento
da AIT:



“A seção central, já dissemos, foi o primeiro germe, o
primeiro corpo constituinte da Associação
Internacional em Genebra; ela deveria, continuar a ser
sua alma, a sua inspiradora e propagandista
permanente. É neste sentido, sem dúvida, que muitas
vezes se lhe chamou de “Seção da Iniciativa. Ela criou
a Internacional em Genebra, deveria conservar e
desenvolver seu espírito. Sendo todas as outras seções
corporativas,os operários estão aí reunidos e
organizados não pela idéia, mas pelo fato e pelas
próprias necessidade de seu trabalho idêntico. Este
fato econômico, o de uma indústria especial e de
condições particulares de exploração desta indústria
pelo capital, a solidariedade íntima e particularmente
os interesses, as necessidades, os sofrimentos, a
situação e as aspirações que existem entre todos os
operários que fazem parte da mesma seção corporativa,
tudo isso forma a base real da sua associação. A idéia
vem depois, como explicação ou como explicação
equivalente do desenvolvimento e da consciência
coletiva e refletida deste fato (Bakunin, 2002, p.
66).



Esta indicação inicial nos permite fazer uma série de
inferências importantes, que permitirão uma melhor
visualização da questão. Vemos que há uma distinção
entre as seções centrais e seções corporativas. Mesmo
nas organizações de massa, existe uma distinção entre
os núcleos geradores que devem ser também os núcleos
duros dos movimentos de massa.

Isto é importante porque contraria certas visões
socialistas reformistas e autoritárias, principalmente
social-democratas, de que as organizações de massa têm
simplesmente caráter reivindicativo (sindicalista ou
trade-unionista na linguagem leninista). Na verdade, é
possível, e historicamente provado, que a ideologias
revolucionárias nascem e se organizam dentro das
organizações proletárias e populares. O anarquismo é o
melhor exemplo disso.

As seções centrais reuniam exatamente os militantes de
vanguarda do proletariado, aqueles que já tinham
desenvolvido uma sólida consciência socialista.
Vejamos o que mais diz Bakunin sobre as seções
centrais:



“As seções centrais são os centros ativos e vivos onde
se conserva, se desenvolve e se explica a nova fé. Lá
ninguém entra como operário especial desta ou daquela
profissão; lá entram todos unicamente como
trabalhadores em geral, com o fim da emancipação e da
organização geral do trabalho e do novo mundo social
baseado no trabalho, em todos os países. Os operários
que fazem parte dela deixando à entrada sua qualidade
de operários especiais ou reais, no sentido de
especialidade, apresentam-se lá como trabalhadores em
geral. Trabalhadores de que? Trabalhadores da idéia,
da propaganda e da organização do poder tanto
econômico como militante da Internacional:
Trabalhadores da Revolução Social” (Bakunin, o
Conceito de Liberdade, p. 142).

.

Em primeiro lugar, eles deviam dirigir-se as massas em
nome de sua emancipação econômica e não da política;
primeiro em nome de seus interesses materiais, para
chegar mais tarde a seus interesses morais, sendo os
segundos interesses coletivos, unicamente a expressão
e conseqüência lógica dos primeiros. Eles não podiam
esperar que as massas viessem procurá-los, tinham de
ir procura-las onde elas estão,na sua realidade
quotidiana, e esta realidade é o trabalho cotidiano,
especializado e dividido em corporações de profissões,
já mais ou menos organizado pelas necessidades do
trabalho coletivo, em cada industria particular, para
que eles aderissem ao objetivo econômico, a ação comum
da grande Associação dos Trabalhadores de todos os
paises ...(..) O que quer dizer que a primeira coisa
que eles deviam fazer, e efetivamente fizeram, foi
organizar, em volta de cada organização central,
tantas seções de profissão quantas industrias
diferentes existissem.” (Bakunin, o Conceito de
Liberdade, p. 147-148).



As seções centrais eram compostas de “trabalhadores
revolucionários”, ou seja, proletários já adeptos de
um projeto revolucionário, aglutinados em tornos de
idéias e aspirações determinadas. São estes os que dão
inicio a organização de massas. Mas esta organização
exige do aderente que ele seja a princípio,
trabalhador e não revolucionário. A organização de
massas comporta assim em seu interior os núcleos
iniciadores que iniciam o trabalhado político de
organização e as maiorias que vão aderindo a ela pela
luta.

No entanto existe uma relação dialética
entre as seções centrais e as seções de oficio. Uma
complementa a outra, e separada elas perdem igualmente
sua força revolucionária. Bakunin diz:



“Se a Associação Internacional dos Trabalhadores fosse
composta somente de seções centrais, ela nunca teria
reunido nem mesmo um centésimo do poder que ela agora
pode se orgulhar. As seções centrais teriam sido meras
sociedades onde se debateria todo tipo de questão
social, incluindo naturalmente aquela da organização
dos trabalhadores ... (...) A imensa tarefa que a AIT
tem se dedicado não é somente econômica ou puramente
material. Ela tem, ao mesmo tempo e no mesmo grau, um
objetivo social, filosófico e moral. Longe de
dissolver-se, as seções centrais precisam perseguir
este objetivo e continuar a propagar a nova filosofia
social, teoreticamente inspirada pela ciência real -
experimental e racional - baseada nos princípios
humanísticos e na harmonia com os eternos instintos de
igualdade, liberdade e solidariedade social.”
(Bakunin, in On Program of the Alliance).



Vemos assim que a estrutura orgânica da AIT se
expressava em dois pólos antinômicos unidos
dialeticamente: a relação contínua de interação entre
os dois pólos é que fazia com que a organização de
massas não se desviasse da realidade do povo e se
esvaziasse e nem que se tornasse uma mera organização
corporativa, exclusivamente interessada em melhorias
econômicas.

O método materialista de mobilização do proletariado
conjugado com uma organização de massas com esta
estrutura faz com que o povo eduque a si próprio pela
prática. E que através dela desenvolva uma consciência
socialista, o que é indispensável para a revolução:



“O trabalhador aprende mais a partir de sua própria
experiência pessoal do que da explicação verbal dos
trabalhadores da mesma categoria, explicações que são
confirmadas pela sua própria experiência e pelas
experiências de todos os membros de sua seção. (...)

Está claro que somente as seções de ofício podem dar
uma educação prática a seus membros e que estas
somente podem conduzir a organização das massas
proletárias na Internacional, sem a qual a poderosa
participação a Revolução Social nunca será realizada.”
(Bakunin, in On Program of the Alliance).



Tendo agora uma compreensão correta da organização de
massas e sua forma de ação e organização, precisamos
entender o lugar desta organização na luta
revolucionária.



8 – O Lugar da Organização de Massas



A organização das massas é pré-condição para a
política revolucionária. Na concepção bakuninista, a
revolução social – o programa da organização política
revolucionaria anarquista – só pode ser alcançada pela
participação massiva do proletariado. Mas o mesmo
método que possibilita a mobilização massiva do
proletariado faz com que esta organização não possa
cumprir todas as tarefas necessárias a uma revolução.

A Plataforma formula com precisão os contornos
fundamentais desta concepção:



“A concepção anarquista do papel das massas na
revolução social e na construção do socialismo
difere-se tipicamente daquele dos partidos estadistas.
Enquanto o bolchevismo e tendências afins consideram
que as massas possuem somente instintos destrutivos e
revolucionários, sendo incapazes de realizar
atividades criativas e construtivas - a principal
razão pela qual a última atividade deve concentrar-se
nas mãos dos homens que formam o governo do Estado do
Comitê Central do partido - os anarquistas, pelo
contrário, acham que as massas trabalhadoras possuem
enormes possibilidades criativas e construtivas
inerentes, e os anarquistas desejam suprimir os
obstáculos que impedem a manifestação destas
possibilidades.

Os anarquistas consideram o Estado o principal
obstáculo, que usurpa os direitos das massas e retira
delas todas as funções da vida econômica e social. O
Estado deve perecer, não "em algum dia" na sociedade
vindoura, mas sim imediatamente. Deve ser destruído
pelos trabalhadores no primeiro dia de sua vitória, e
jamais deverá ser reconstituído usando qualquer outro
tipo de falsa aparência. O Estado será substituído por
um sistema federalista de organizações dos
trabalhadores de produção e consumo, unidas
federalmente e autogestionadas. Este sistema exclui
tanto as organizações autoritárias quanto a ditadura
de um determinado partido, qualquer que seja ele.

A Revolução Russa de 1917 demonstra precisamente esta
orientação do processo de emancipação social através
da criação do sistema de soviets de operários e
camponeses e os comitês de fábrica. Seu triste erro
foi não ter liquidado, em um momento oportuno, a
organização de poder do estado: inicialmente do
governo provisório, e em seguida do poder bolchevista.
Os bolchevistas, aproveitando-se da confiança dos
trabalhadores e dos camponeses, reorganizaram o estado
burguês de acordo com as circunstâncias do momento e,
consequentemente, mataram a atividade criativa das
massas, através do apoio e da manutenção do estado:
que sufocou o regime livre dos soviets e dos comitês
de fábrica, o que havia representado o primeiro passo
em direção à construção de uma sociedade socialista
não-estatal.(A Plataforma, p. 15).



Mas se as massas são a força revolucionária, como
dissemos, sua organização e método de mobilização
possui limitações. Para aglutinar muita gente, é
preciso afrouxar os laços ideológicos e “conspirar a
luz do dia”, como indicou Bakunin. Isto faz com que
somente uma organização política revolucionaria, com
coesão ideológica e teórica e capacidade de ocultação
seja capaz de dar conta das tarefas revolucionárias
publicas e clandestinas tão essenciais.

Na concepção bakuninista, as massas cumprem um duplo
papel; elas são a principal força destrutiva da
revolução, a essência do poder que destrói o Estado
Burguês e o Capitalismo; mas elas são também a
principal força construtiva, pois são os organismos de
mobilização de massa (soviets, comitês de fabrica e
etc) o centro de estruturação dos organismos de poder
da nova sociedade. Assim, as massas são o único
soberano da sociedade socialista. Estas duas faces,
destrutiva e construtiva, são indissociáveis. Por isso
a prática política anarquista é indissociável da luta
de massas.

É fundamental distinguir ainda a relação entre
determinada organização de massas e a organização
política, que acima falamos e delineamos a estrutura,
da organização das massas em geral. A FAU formula a
distinção entre o que chama de organização de tipo
sindical e a organização de tipo de tendência:



“Em primeiro lugar convém ter sempre presente que a
organização de tendência não equivale a organização
gremial, sindical ...

Não há sindicato que possa subsistir muito tempo se
abandona a defesa do grêmio que agrupa. Defesa do
grêmio em geral e de seus interesses em particular,
frente aos patrões e autoridades.

O sindicato está aberto a todos. Entre seus membros há
habitualmente as mais diversas opiniões e orientações
políticas e ideológicas e é correto que assim seja.
Estas distintas opiniões se confrontam dentro da vida
sindical e se o grêmio tem – como deve ser – um tipo
de organização que reflita com fidelidade a opinião de
seus membros, será a orientação majoritária que
expressará a opinião do sindicato. É necessário e
lógico que nos sindicatos se tratem de temas que vão
além da preocupação salarial, da luta econômica. Mas
na medida que vão – e vem – mais longe surgem as
discrepâncias. Sobre métodos, sobre formas de atuar, e
as vezes, inclusive, sobre programas. E todo isto é
normal. (...)

O sindicato não pode por isso, ser um alicerce
suficientemente sólido para construir, a partir
dele,um movimento revolucionário.

Por isso se se quer levar firmemente adiante uma linha
conseqüente de ação combativa a nível de massas, além
de atuar sindicalmente, é preciso agrupar-se como
tendência, o que implica já um primeiro grau de
definição, maior que o sindical. (...)

Os sindicatos significam um nível, primário e geral,
de ação de massas. As agrupações de tendências
coordenadas entre si e enraizadas no conjunto dos
setores mais combativos do povo, nos bairros,são um
nível superior ao anterior.” (Mechoso,Acion Direta
Anarquista, p. 189-192).



A organização de tendência é uma organização de massa,
mas distinta das organizações de tipo representativo
(como os sindicatos). A organização de tendência supõe
a aceitação de determinados métodos de luta, o que as
faz mais coesas ideologicamente que as demais. Porém
elas são ainda insuficientes. Elas só fazem esta
separação necessária de setores das massas da política
reformista e reacionária, e dão maior consistência
ideológica aos seus membros.

A organização política revolucionária
anarquista precisa gerar um movimento revolucionário.
Como é impossível gerar este movimento a partir de
organizações de tipo sindical, a organização política
tem de agrupar organizações de massa sob a forma de
tendência. A organização de massas, de tipo de
tendência orientada pela organização anarquista, é o
que chamamos de braço de massas[17].

A unidade dialética da organização política
revolucionária com a organização de massas, se dá
através de um continuo processo político, que gera
luta e organização, que permite a incorporação
progressiva do povo, devido ao seu método materialista
e ainda desenvolve a consciência socialista.





--------------------------------------------------------------------------------[1] Entendemos que esta afirmação á válida tanto para
o anarquismo e Bakunin como para a própria história
de Marx e da ideologia comunista por ele desenvolvida.
Não pode ser obscurecido o fato de Marx produziu todo
o seu pensamento do interior do contexto da luta
operária do século XIX e todo o seu pensamento
correspondia a demandas colocadas no interior da luta
de classes e no interior das lutas de Marx e seus
correligionários contra seus adversários no interior
do movimento operário. (como o anarquismo, por
exemplo).

[2] Bakunin, M. O Conceito de Liberdade. P. 19

[3] Bakunin, M. O Conceito de Liberdade. P. 20

[4] Idem. P. 24

[5] Idem. P. 17

[6] Idem. P 92

[7] Idem. P. 90

[8] Idem. P. 202

[9] Idem. P. 43

[10] Idem. P. 41

[11] Bakunin, Mikhail. O Conceito de Liberdade. P. 45

[12] Idem. P. 51

[13] Idem. P. 144.

[14] Idem. P. 47

[15] O debate em torno da organização anarquista, sua
estrutura e funcionamento, teve seus momentos mais
importantes e críticos, assim nos parece, nas décadas
de 20 e 30, com a polêmica, hoje famosa, entre Nestor
Makhno, Piotr Arshinov e Errico Malatesta sobre a “A
Plataforma Organizacional”. É preciso contextualizar
esta discussão, e vê-la também a luz do desdobramento
dos fatos históricos. Isto é necessário para que não
nos deixemos equivocar nas discussões, confundindo a
crítica da estrutura interna da organização
anarquista, com a crítica da proposta de organização
em si. È preciso analisar também as insuficiências e
vacilações que contribuíram, num momento decisivo,
para a não superação de problemas teóricos e práticos
do anarquismo e da revolução.

O debate em torno da Plataforma Organizacional se
inicia com a carta de Malatesta a Makhno, em que
comenta e faz uma série de críticas a noção central da
Plataforma Organizacional, responsabilidade coletiva.
Makhno e o grupo organizado em torno da revista Dielo
Trouda respondem a carta, não sem surpresa, diante das
críticas feitas por Malatesta e a sua recusa em
aceitar a idéia de responsabilidade coletiva.



[16] “Em lugar de absorver os Estados federados ou
autoridades provinciais e municipais em uma autoridade
central, reduzir as atribuições desta a um simples
papel de iniciativa geral, de garantia mútua e de
vigilância ...” (Proudhon, Do Princípio Federativo,
p.102)

[17] Existem organizações de tipo de tendência
independentes ou vinculadas a outras organizações
políticas. A noção de braço de massas indica assim a
vinculação da organização anarquista a determinadas
organizações de massas que seguem sua orientação.

This page can be viewed in
English Italiano Deutsch
George Floyd: one death too many in the “land of the free”
© 2005-2020 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]