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Os Numantinos nos pubs

category internacional | movimento anarquista | other libertarian press author Monday January 29, 2007 22:39author by CeNiT - Regional exterior de la CNT-AIT Report this post to the editors

CeNiT sobre o 23º Congresso da AIT

A princípios de Dezembro de 2006 a Internacional numantina celebrou o seu XXIIIº congresso em Manchester, capital do noroeste de Inglaterra, mais conhecida por seu famoso clube de fútebol...


«OS NUMANTINOS NOS PUBS»

A princípios de Dezembro de 2006 a Internacional numantina celebrou o seu XXIIIº congresso em Manchester, capital do noroeste de Inglaterra, mais conhecida por seu famoso clube de fútebol, e porque ali a família de Frederich Engels (1820-1895) tinha uma fábrica têxtil que chegou a ser dirigida pelo famoso materialista histórico e da qual saíu parte a mais-valia que permitiu que o camarada Carlos Marx (1818-1883) escrevesse «O Capital». Sem a mesada de Engels, Marx teria sucumbido num subúrbio londrino, ao lado dos seus familiares, morto de fome e de frio e a humanidade toda teria perdido as suas elaborações teóricas. Concretamente, a Solidarity Federation (SF), radicada em Manchester e fundada em 1994, é a secção britânica da Internacional numantina.

Sobre os acordos e debates do congresso apenas contamos com nota resumida que na página web (http://www.iwa-ait.org/spanishindex.html) publicou até à data o secretariado cessante de Oslo. Porém, para os iniciados nos assuntos anarcossindicalistas e anarquistas, existe a página www.libcom.org na qual se encontra informação mais ampla sobre o referido evento.

Do comunicado do secretariado norueguês depreende-se que os numantinos decidiram que o novo secretariado passará à secção sérvia (ASI, Iniciativa Anarcossindicalista), em Belgrado, até à celebração do XXIVº congresso que se realizará em Dezembro de 2008 no Brasil, não se indica en que cidade, a cargo da COB (Confederação Operária Brasileira), secção numantina no país carioca.

Por informações que transpiram extraoficialmente, sabemos que a secção alemã, a FAU, não foi excluída, mas advertida de que se continuam os contactos com os de Vignoles, ou seja o sector maioritário da CNT francesa, sê-lo-há posteriormente, ou seja, uma decisão semelhante à do congresso anterior.

A secção italiana, a USI, foi autorizada a participar nos RSU (os comités de empresas italianos), recorrendo ao princípio da "autonomia da secção". Pelos vistos, tratou-se de uma decisão política no sentido de impedir que as secções italiana e alemã (a segunda e a terceira em número, respectivamente) se vão embora ao mesmo tempo. Então, foi dada uma resposta positiva, a favor da USI, em face do seu ultimatum ao secretariado numantino.

O que é estranho, já que os alemães são uns puristas mais respeitosos -para os qualificar assim- quanto aos comités de empresa mas, de momento, o que é mais grave aos olhos da Internacional numantina é abrir-se e ter contactos com o "inimigo" que é a CNT francesa já referida, de Vignoles.

A grande preocupação numantina no XXIIIº congresso foi a conferência sindical internacional (denominada I07) que a CNT francesa está convocando para o primeiro de Maio de 2007 e cuja convocatória aparece em http://www.ainfos.ca/06/oct/ainfos00257.html.

Como a secção alemã, a FAU, a apoia ao que parece oficialmente, isto quer dizer que deveria ser excluída da Internacional, mas os numantinos não quiseram aparecer como os maus da fita. Porque a FAU (sempre no espírito de Rocker e de Souchy, e fiéis ao verdadeiro espírito da Internacional) não querem desfazer-se das siglas históricas. Talvez os chefes numantinos esperem também que a FAU sofra uma cisão em torno do caso I07, mas parece ser apenas uma ilusão.

É nesta situação que a USI declara o seu apoio à FAU e fica óbvio que agora farão causa comum dentro da Internacional para que se trabalhe sobre a base de uma linha mais sindical, aberta e realista. Então, hoje temos fracções que operam abertamente nas fileiras anarcossindicalistas, ou seja, há uma «trotzquização» da Internacional.

O secretariado da AIT vai à Sérvia sendo desempenhado por um grupo de uma pessoa que se chama Ratibor e que é mais ortodoxo(claro, trata-se da Sérvia) que todos os novos grupinhos anarcodogmáticos que formam "secções" da Internacional na Europa de Leste.

E o próximo congresso no Brasil é inexplicável, porque a COB não pagou nada à AIT desde há anos, o que tanto a USI como a FAU criticavam, durante a revisão das contas, mas receberam uns milhares de dólares da Internacional no mesmo período. O secretário norueguês, Larsen, justifica isso alegando que os brasileiros «são pobres».

Realmente, os numantinos consideram como autênticos inimigos da sua Internacional tanto a já mencionada CNT francesa de Vignoles, como a CGT espanhola. A história é longa e mais parece o guião de uma ópera bufa.

O caso do núcleo numantino brasileiro é demasiado conhecido desde há muitos anos. A maior parte do movimento anarquista latinoamericano está noutra onda - são várias as ondas - e é muito exagerado propor-se que Numâncio possa ter por estas terras sólidos núcleos inseridos na luta sindical ou de massas. O da Colômbia é risível e o da Venezuela nem se fala. Talvez haja algo na Argentina, mas duvido. Os contactos que existem com o México tem-nos a CGT espanhola, a peste dos numantinos. A secção dos Estados Unidos foi expulsa também, em 2000. Um congresso, portanto, que não quis rectificar tudo anterior, o que é sempre possível. A Internacional sempre foi colonizada pelos espanhoís - é a sua sina - mas ultimamente foi por asturianos que se tornaram granadinos. Isto foi um erro fatal. Trazer as desavenças das famílias anarcossindicalistas espanholas ao plano internacional tem sido um disparate, assim como utilizar critérios básicos do federalismo, como a autonomia das secções, para resolver conflitos internos é, para dizê-lo sinceramente, uma estupidez.

Assim vamos-


Floreal Castilla
Venezuela, 26 de Dezembro de 2006

[*traduzido a partir de http://periodicocenit.blogspot.com/2006/12/cenit-esto-y-aquello_26.html ]

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