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[Brasil] A situação da Educação em Goiás

category brazil/guyana/suriname/fguiana | education | opinião / análise author Wednesday January 24, 2007 22:05author by Coletivo pró Organização Anarquista em Goiás - Construindo o FAO - Brasilauthor email proorganarquista_go at riseup dot netauthor address Caixa Postal 92 CEP:74003-901 Goiânia - Goiás Report this post to the editors

A situação da educação em Goiás não é diferente da do restante do Brasil, estudantes e trabalhadores/as de escolas e universidades públicas enfrentam no seu cotidiano o sucateamento e o descaso do Estado com a educação. Tudo isso não acontece por acaso, este sucateamento das instituições públicas de ensino é uma estratégia neoliberal para justificar a privatização da educação e, no caso de Goiás também serve para justificar a militarização que vem ocorrendo em diversas escolas públicas de nosso Estado.


Sucateamento, privatização e militarização
A situação da Educação em Goiás.



A situação da educação em Goiás não é diferente da do restante do Brasil, estudantes e trabalhadores/as de escolas e universidades públicas enfrentam no seu cotidiano o sucateamento e o descaso do Estado com a educação. Tudo isso não acontece por acaso, este sucateamento das instituições públicas de ensino é uma estratégia neoliberal para justificar a privatização da educação e, no caso de Goiás também serve para justificar a militarização que vem ocorrendo em diversas escolas públicas de nosso Estado. No ensino superior, a UFG e a UEG sofrem com a falta de estrutura adequada e de verbas, assim como seus alunos sofrem com reitores que trabalham em favor dos interesses da elite brasileira e contra os estudantes e o ensino público de qualidade.

Além das universidades privadas tradicionais que cobram mensalidades exorbitantes e atendem a classe média alta e aos ricos, pipocam por todos os lados em Goiânia pequenas universidades particulares, oferecendo cursos rápidos, mensalidades com preços mais baratos, vestibulares que nem de longe se comparam com o nível de dificuldade apresentado nos vestibulares das universidades federais e estaduais e, com isso, estas universidades acabam por tentar disfarçar a enorme exclusão existente nas universidades públicas, aonde apenas uma parcela ínfima dos estudantes secundaristas conseguem ter acesso após o termino do segundo grau. A privatização do ensino superior é uma realidade que precisa ser combatida por diversas razões, primeiro porque transforma a educação em mercadoria e trabalha o estudante apenas para que ele “entre” no mercado, criando diversas ilusões de oportunidades de emprego inexistentes neste sistema excludente. Nestas instituições de ensino o discurso de obter sucesso é constante, e junto com ele a desilusão de diversos estudantes trabalhadores que passam grande parte de sua vida pagando seus estudos e ao termino destes se deparam com a realidade dura do desemprego e da falta de oportunidades. Outro ponto fundamental para se combater a privatização da educação é que a educação não vai melhorar ficando nas mãos de empresários! A educação é direito de todos e todos devem ter acesso a uma educação pública de qualidade, educação não é mercadoria e deve ser gerida pelos estudantes e professores.

Nas escolas públicas a situação é ainda pior, o sucateamento e o desvio de verbas são uma realidade que transforma as escolas públicas em locais de ensino esquecidos pelos governantes, que não gera condições de trabalho adequadas para os professores, que não gera um ambiente de estudo saudável para os estudantes, que não apresenta alternativas esportivas e culturais, que não respeitam a associação dos estudantes, que esquecem o papel da educação. Outra critica necessária a ser colocada é sobre o método de ensino errôneo que, nas escolas de ensino primário, fundamental e médio, é ainda mais baseado em um autoritarismo que freia sempre que pode o desenvolvimento livre dos estudantes e gera uma relação de dominação entre professores e alunos.

Em Goiás está em plena ação um plano de militarização das principais escolas públicas. Estas escolas sofrem com o desvio de verbas, com a falta de professores, em muitos casos não apresentam as mínimas condições para a prática esportiva e cultural. O descaso, o sucateamento e a péssima qualidade da educação pública estão sendo usados como pretextos para a implementação de escolas militares no interior e na capital de Goiás, entre as escolas militarizadas e colocadas sob o comando da Policia Militar estão duas das maiores escolas de Goiânia, o Colégio Hugo de Carvalho Ramos e mais recentemente a Escola Estadual Polivalente Modelo.

Os militares chegam com o discurso de que vão organizar e moralizar a educação, porém o que se vê é apenas um ensino extremamente autoritário, baseado na submissão total de alunos perante os professores e a direção da escola. O ensino militar padroniza os estudantes, obriga todos a vestirem e a pensar de forma igual, aniquilando toda a liberdade necessária no processo de educação de crianças e jovens. A militarização da educação é um atraso em nosso estado. O militarismo só serve para ensinar submissão e aniquilar a diversidade humana. As escolas militares só contribuem para os planos da elite goiana e nacional que tem a intenção de manter os estudantes controlados e sem a mínima liberdade de pensamento, opinião e associação. É necessário que estudantes, professores e a sociedade em geral digam um basta contra essa tática macabra de militarização na educação de Goiás, não podemos aceitar que uma educação baseada totalmente em valores opressores ganhe mais espaço nas escolas em Goiás.

Por isso tudo, apontamos à necessidade urgente dos estudantes, professores e todos que lutam por uma sociedade mais justa, igualitária e solidária para que se organizem para lutar contra o sucateamento, a privatização e a terrível militarização que vem ocorrendo na educação de Goiás.

Por uma educação pública de qualidade com liberdade!
Fora empresários e militares da educação!

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