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[UCL-França] Belarus, a classe trabalhadora contra Lukashenko

category internacional | movimento anarquista | opinião / análise author Samstag September 19, 2020 05:53author by CAB - UCLauthor email tucum at autistici dot org Report this post to the editors

Apresentamos tradução de texto da Comissão Internacional da União Comunista Libertária, da França, sobre a situação de Belarus

Apresentamos tradução de texto da Comissão Internacional da União Comunista Libertária, da França, sobre a situação de Belarus.
"Durante 26 anos, Lukashenko governou este país da ex-esfera soviética com mão de ferro, mantendo o sistema econômico e burocrático resultante da organização soviética, com sua repressão política permanente através de um estado policial onipresente, perseguindo oponentes e reprimindo duramente qualquer protesto. No entanto, esta enésima eleição com um resultado conhecido de antemão parece ter levado as classes populares bielorrussas ao seu limite. Desde a noite de 9 de agosto, o país vem sendo abalado por enormes protestos populares, que foram amplificados por uma onda de greves sem precedente no país."

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Em 9 de agosto, o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, foi “oficialmente reeleito” com “mais de 80% dos votos” para seu 6º mandato em uma eleição grosseiramente fraudada. Mas desde o anúncio desses resultados pré-determinados, protestos e greves se espalharam.

Durante 26 anos, Lukashenko governou este país da ex-esfera soviética com mão de ferro, mantendo o sistema econômico e burocrático resultante da organização soviética, com sua repressão política permanente através de um estado policial onipresente, perseguindo oponentes e reprimindo duramente qualquer protesto. No entanto, esta enésima eleição com um resultado conhecido de antemão parece ter levado as classes populares bielorrussas ao seu limite. Desde a noite de 9 de agosto, o país vem sendo abalado por enormes protestos populares, que foram amplificados por uma onda de greves sem precedente no país.

Apesar da intimidação da principal concorrente na eleição, forçada a fugir do país, e apesar da repressão policial muito violenta e prisões em massa (quase 7.000 pessoas presas em poucos dias, várias centenas de feridos, e oficialmente dois mortos), nada parece enfraquecer a determinação da maioria dos bielorrussos em querer uma mudança política radical, nem mesmo a ameaça agitada por Lukashenko de uma intervenção do vizinho russo.

Abaixo os imperialismos!

Na verdade, Belarus, vizinha da Rússia, é por sua posição uma aposta estratégica para os imperialismos ocidentais e russos. Se por ora nenhum dos dois campos interveio senão por via diplomática, é certo que um endurecimento ou ampliação do movimento popular poderia levar a intervenções externas que seriam necessariamente negativas para ele. Tal como na Ucrânia em 2011, durante os acontecimentos de Maidan, as intervenções imperialistas iriam desviar as legítimas reivindicações dos manifestantes, que por ora se centram na saída do presidente e numa mudança de regime político.

No contexto atual, cabe, portanto, às organizações revolucionárias, e mais amplamente progressistas, na França e na Europa, fornecer o apoio político e material necessário, em particular denunciando qualquer ingerência estrangeira no processo atual e trabalhando para apoiar diretamente o movimento popular bielorrusso.

Rejeitamos, portanto, a chantagem que pode ser agitada por uma certa “esquerda” quando denuncia neste movimento uma pretensa vontade de fazer o jogo das potências ocidentais. Lukashenko não é anti-imperialista nem anti-capitalista. Suas políticas não têm sido nada além de remendar uma economia capitalista de estado para manter os privilégios da burocracia que a controla. Esta situação não evitou de forma alguma, uma precarização permanente das(os) assalariadas(os) tanto quanto em qualquer outro regime capitalista. É o movimento de trabalhadoras e trablhadores por meio de sua organização na greve, que terá força para obter reivindicações democráticas; e criar as condições para uma mudança social outra diferente do neoliberalismo, sem restaurar o capitalismo.

A classe trabalhadora entra em ação

Desde segunda-feira, 11 de agosto, o protesto deu uma nova guinada. Paralisações de trabalho massivas e espontâneas começaram em muitas fábricas. Os apelos à greve geral foram lançados e ecoam em indústras como a BelAz (maquinaria de mineração e transporte de carga) ou a MTZ (automobilística), que sozinhas reúnem dezenas de milhares de trabalhadores. Essa onda de greves parece estar crescendo como bola de neve, embora diga respeito principalmente ao setor industrial e às grandes empresas estatais, não parece se limitar somente a eles.

Realizam-se assembleias gerais, fazem-se pontes entre as várias empresas mobilizadas e os grevistas juntam-se às manifestações em procissão. Por enquanto, não parece que as demandas sociais estejam surgindo do movimento grevista, o principal slogan é claramente a saída de Lukashenko. Mas a espontaneidade dessas greves e de suas tendências para a autoorganização conferem um potencial político incrivelmente valioso. Embora a maioria das organizações sindicais seja subserviente ao Estado e ao poder, ainda existem pequenos sindicatos independentes, apesar da extrema repressão e o direito à greve muito limitado.

É o caso do Congresso Bielorrusso de Sindicatos Democráticos (BKDP), que pede “o estabelecimento imediato de comitês de greve nas empresas”, bem como “a criação de um comitê nacional de greve”. Na segunda-feira, 24 de agosto, vários delegados desses comitês foram presos. Em oposição, os gerentes das indústrias e também os sindicatos ligados ao poder aumentam os clamores pela “paz civil” e pelo retorno ao trabalho, ainda que sejam obrigados a condenar a violência policial e as prisões em massa diante da cólera popular.

Em algumas empresas, os trabalhadores exigiram posições claras desses sindicatos e alguns setores já fecharam as portas! Esta ação da classe trabalhadora merece toda a nossa atenção e apoio, talvez carregue consigo as sementes de uma ruptura política mais ampla, anticapitalista e antiautoritária.

Solidariedade internacional!

Sabemos que nossos camaradas anarquistas revolucionários têm um papel importante no movimento em curso, embora isso seja amplamente obscurecida pela mídia ocidental. Faz anos que elas e eles são reprimidos sem concessão pelo poder local. Expressamos, assim, nossa total solidariedade a Alexander Frantskevich e Akihiro Khanada, dois camaradas anarquistas presos em 12 de agosto por terem participado do movimento atual, e sujeitos a pesadas sentenças nas prisões do regime onde as e os oponentes são regularmente torturadas(os) e correm risco de morrer. [1] Exigimos a sua liberação imediata, bem como a de todas(os) prisioneiras(os) do movimento popular bielorrusso.

Viva a auto-organização dos povos e das trabalhadoras e trabalhadores. Solidariedade ao protesto bielorrusso!

União Comunista Libertária, 25 de agosto de 2020

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George Floyd: one death too many in the “land of the free”

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Di 27 Okt, 09:31

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O ano de 2020 começou com algumas mudanças na região, mas sobretudo com a continuidade da imensa mobilização do povo chileno, essa revolta popular que dura já muito mais do que cem dias e que mudou a situação social e política daquele país, mas também da região. Ela abre um novo cenário e se inscreve, como dizíamos em análises anteriores, na onda de mobilizações que os povos latino-americanos vêm realizando (Haiti, Equador e em outros países com menor intensidade). São tempos de povo na rua, são tempos de luta.

Ao mesmo tempo, começa no mundo uma crise econômica que se aprofunda com o coronavírus e seu impacto nos mercados internacionais. A questão do petróleo e seus efeitos nas economias periféricas da América Latina também podem impactar no custo de vida e na legitimidade da tecnocracia ultraliberal que continua fazendo parte dessa nova fase no nosso continente.

Mas a pandemia do coronavírus traz também uma série de mudanças nessa etapa, que é difícil e prematuro avaliar seus efeitos. No entanto, seu impacto nos obriga a falar de uma situação nova, uma etapa global que está mudando com uma política de controle de grandes populações e aumento de medidas repressivas, em que se tornam evidentes, além do mais, os estragos ocasionados por mais de três décadas de neoliberalismo com o desmantelamento da saúde pública e da previdência social.

Vamos dividir essa análise de conjuntura em duas seções: a primeira abordando a mobilização no Chile e as mudanças políticas e sociais no continente, e a segunda com uma análise inicial acerca da nova conjuntura desatada a partir da expansão do Covid-19.

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Recentemente tive a oportunidade de fazer uma comparação de cenários políticos em um programa de rádio do Rio Grande do Sul. Estamos em um momento onde os governos de centro-esquerda ou vivem em crise (caso do Brasil e Argentina), ou aderem parcialmente às teses do Império (caso de Chile e Peru) ou estão sob uma severa crise institucional, tal é o que ocorre na Venezuela. Vale observar que nestes países (Bolívia, Equador e o já citado país de Bolívar) as instituições não são sólidas e este é o labirinto. Quando há arranjo institucional fortalecido, o regime se mantem, mas as chances de transformação são pequenas. Já, quando não há estrutura fortificada e separação entre governo e Estado, há a tendência de que as elites dirigentes e suas sócias majoritárias transnacionais exerçam um poder discricionário. Ainda assim, pouca institucionalidade implica em maior poder da mobilização popular. E esta é nossa única chance, sempre.

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