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Nossa Concepção De Feminismo Na Perspectiva Do Anarquismo Organizado

category brazil/guyana/suriname/fguiana | movimento anarquista | feature author Dienstag April 14, 2020 00:48author by Coordenação Anarquista Brasileira - CABauthor email tucum at autistici dot org Report this post to the editors

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Diante do cenário atual, não podemos nos furtar a debater como as mulheres que compõem os setores da sociedade mais vulneráveis têm sentido de maneira muito mais violenta as restrições impostas por este contexto de pandemia. As desigualdades sociais, as opressões fundantes do Estado brasileiro e as violações constantemente deflagradas contra o povo têm historicamente repercutido de maneira peculiar sobre as mulheres. É neste sentido que nós mulheres da Coordenação Anarquista Brasileira publicamos este texto reflexão que se propõe a apresentar nossa concepção de feminismo. A nossa luta é por uma sociedade liberta de todo tipo opressão e exploração. Por isso, não aceitamos de forma alguma fechar os olhos ou abrandar, mesmo no contexto de pandemia, nossas análises, apontando para a luta contra o racismo, contra o machismo e o patriarcado, contra o Estado e seu projeto genocida e contra o Capital em sua lógica de morte ao povo e proteção aos patrões.


[Français] [Castellano]


Diante do cenário atual (e, vale dizer, um cenário que traz condições de vida e existência até então inimagináveis para boa parte de nós), não podemos nos furtar a debater como as mulheres que compõem os setores da sociedade mais vulneráveis têm sentido de maneira muito mais violenta as restrições impostas por este contexto de pandemia. As desigualdades sociais, as opressões fundantes do Estado brasileiro e as violações constantemente deflagradas contra o povo têm historicamente repercutido de maneira peculiar sobre as mulheres. Afinal, são elas que compõem de maneira significativa a base da pirâmide da exploração da força de trabalho; são elas que detêm os menores salários; são elas que representam na grande maioria o corpo de trabalhadoras domésticas; são elas que estão no lugar de chefes de família onde o genitor não só não se faz presente como também abandona financeiramente e emocionalmente a mulher e seus filhos e filhas; são elas que estão em maioria na linha de frente nos primeiros contatos ocorridos ao se chegar nos serviços de saúde; são também elas as que mais correm o risco de morrer em isolamento domiciliar, pois compartilham na residência o espaço com um parceiro agressor, consequência cruel das estruturas machistas nas quais somos criadas/os.

Além dessas realidades, ainda temos a miséria, o desemprego, a desesperança e tantas condições de vidas adversas às recomendações para se proteger da contaminação com o COVID-19. Os bolsões de pobreza do Brasil são muitos. A falta de água é realidade de muitas casas. O isolamento (tão recomendado pelas autoridades sanitárias) é algo impossível para muitas destas trabalhadoras, particularmente, as que exercem a função de empregada doméstica. Não à toa, vimos recentemente a notícia de uma empregada doméstica que faleceu após continuar indo trabalhar na casa dos seus patrões que estavam de quarentena. Há que se destacar: dá pra adivinhar a cor e a classe desta empregada vítima dos privilégios destes patrões? A crise da pandemia tem cor, genêro e classe! Nós devemos exigir que os nossos direitos sejam respeitados e devemos continuar na luta por uma vida digna!

É neste sentido que nós mulheres da Coordenação Anarquista Brasileira publicamos este texto reflexão que se propõe a apresentar nossa concepção de feminismo. A nossa luta é por uma sociedade liberta de todo tipo opressão e exploração. Por isso, não aceitamos de forma alguma fechar os olhos ou abrandar, mesmo no contexto de pandemia, nossas análises, apontando para a luta contra o racismo, contra o machismo e o patriarcado, contra o Estado e seu projeto genocida e contra o Capital em sua lógica de morte ao povo e proteção aos patrões. Que nossos debates não parem, assim como nossa luta e resistência seguem dia a dia! Pelo poder popular! Mulheres são resistência na luta por vida digna!


Nossa Concepção De Feminismo Na Perspectiva Do Anarquismo Organizado

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Nós, mulheres que compomos as organizações da Coordenação Anarquista Brasileira, nos compreendemos como parte de uma longa tradição de mulheres anarquistas que radicalmente denunciaram e combateram as opressões de gênero; também, por isso, a exploração do trabalho ganha uma especificidade para nós. Estamos inseridas na tradição das muitas e muitas mulheres anarquistas que, embora apagadas pela história dos de cima, bateram de frente com as violências que sofremos por sermos mulheres; mulheres que pautaram novas formas de amar e problematizaram o modelo de família burguesa que é base do sistema; mulheres que reagiram às violências machistas, muitas vezes, vindas dos próprios companheiros; mulheres que foram autodidatas, que promoveram alfabetização e pensaram uma educação libertadora, que atuaram na imprensa criando e escrevendo em periódicos libertários; mulheres que ergueram-se em armas! Essas mulheres destemidas e insubmissas lutaram contra um sistema opressor por uma vida digna e livre e semearam pelo mundo todo sementes libertárias. São muitas as lutadoras anônimas apagadas na história dos homens. São muitas as que nos precederam, muitas as que não estão. Carregamos em nós seu legado.

Essa história não começou conosco e tampouco termina amanhã. São muitas as violências e há muito o que fazer.

No espírito de Mujeres Libres, publicamos os acúmulos e acordos que construímos nacionalmente até aqui, bem como a síntese da perspectiva de feminismo que construímos em nossas organizações e nos espaços de luta em que nos inserimos.

Como anarquistas, acreditamos que a luta antipatriarcal e o feminismo, assim como a luta antirracista e anticolonial, são estratégias fundamentais para destruir esse sistema. Entendemos que as relações de poder se estruturam de formas específicas e é preciso compreendê-las se queremos destruir o sistema de opressão em seu conjunto. Acreditamos na construção de uma militância que tenha participação ativa nas organizações populares; que desenvolva atuação por meio da ação direta e da democracia direta. Nesse sentido, defendemos um feminismo classista e de base. Nosso feminismo é luta social e coletiva. Não acreditamos numa especialização da luta feminista, mas sim que o feminismo deve atravessar o conjunto das nossas organizações; que as formulações e metodologias feministas podem apontar não para a liberdade individual, mas sim para a conquista da liberdade de cada território e de cada corpo oprimido.

Eis nossa concepção.

Quais são as nossas linhas norteadoras?

Historicamente, o anarquismo combateu as diversas opressões sofridas contra as/os de baixo; por isso, compreendeu que as/os oprimidas/os estavam para além de uma categoria restrita de classe. Ao pautar a classe de modo amplo, o anarquismo apontou para a ideia de que as opressões a que estamos submetidas/os se estruturam dos mais diversos modos. Assim, o feminismo que nós anarquistas reivindicamos não poderia ter como centralidade apenas a ideia de classe, por exemplo. Tal recorte nos levaria a uma análise superficial, em que gênero e raça não teriam relevância, e, portanto, não estaríamos próximo da realidade social que vivenciamos. No fim, tal recorte também não estaria em concordância com nossa concepção de anarquismo.

É por causa de análises restritas apenas ao recorte de classe que existem, por exemplo, espaços do movimento negro onde a questão de gênero fica em segundo plano e as mulheres negras são silenciadas. Ou, por outro lado, não abordando a classe, corre-se o risco de elaborar uma análise descolada da realidade material da questão negra periférica, por exemplo. Da mesma maneira, também existem espaços de mulheres onde não se debate a questão de classe nem a de raça, e as mulheres trabalhadoras e negras não conseguem se encontrar, muito menos se identificar com os discursos e discussões ali feitas. Ou, ainda, existem determinados espaços onde se aplica uma centralidade somente no recorte de classe, as questões de raça e gênero ficam em segundo plano, e as mulheres brancas e não-brancas não se sentem confortáveis e nem um pouco identificadas.

Entendemos que a opressão de gênero está correlacionada à questão de raça e classe, e isso é algo que muda de acordo com os contextos sociais e materiais onde os sujeitos estão inseridos. Nesse sentido, a ideia de “interseccionalidade” nos serve como um instrumento de análise das dominações, ajudando-nos a compreender determinadas questões. Nessa medida, compreendemos que as opressões são transversais (atravessam e são atravessadas por outras opressões), estando presentes em todos os âmbitos de nossas vidas e na sociedade. Entretanto, não se pode partir disso e confundir esse caráter transversal com uma leitura de que as opressões seriam como algo totalmente homogêneo ou que fossem simplesmente um somatório de vários tipos de opressões. Além disso, devemos olhar para a realidade social como construtora da opressão e não como consequência. Ao mesmo tempo, não podemos apenas pensar em questões de teoria ou ideologia sem olharmos e entendermos como as coisas se dão na prática (e materialmente), para não perdermos de vista que nosso feminismo passa longe de libertação individual ou comportamento, mas é luta social e coletiva.

Portanto, para nós da CAB, nosso feminismo só pode ser o “feminismo das de baixo”, que considere as condições de gênero, raça, classe e diversidade sexual, entendendo que esses elementos e suas relações de poder andam juntos para estruturar as relações de dominação que nos atravessam.

Para resumir, acreditamos que o nosso feminismo como anarquistas especifistas deva ser um feminismo classista, antirracista, anticapitalista, não excludente (e trans-inclusivo) e com perspectiva revolucionária e de ruptura com o Estado.

Crítica ao feminismo liberal eurocêntrico

Como mulheres que acreditam na luta ao lado das de baixo, nós anarquistas temos divergências e críticas ao feminismo liberal eurocêntrico. No decorrer de seu desenvolvimento, o feminismo liberal pautou as liberdades individuais, manifestando e defendendo uma visão de que “todos somos iguais”. Nessa trajetória, buscou-se igualar a mulher ao homem branco e burguês, reivindicando para ela os mesmos direitos dele. À semelhança das concepções do liberalismo, este feminismo acaba realizando recortes que ficam limitados ao nível do individualismo.

Desse modo, nossa crítica ao feminismo liberal refere-se a sua defesa da liberação individual apenas, sem a reflexão de classe. Assim, ele reproduz a lógica capitalista quando pensa na emancipação da mulher somente como reconhecimento e mobilidade social, por exemplo, dentro de uma sociedade que continua desigual. Nessa concepção, as mulheres teriam direito de estar nos mesmos postos de trabalho que os homens, mas, quando lá, a lógica de desigualdade continua a se reproduzir. Esse feminismo liberal tem se apropriado de conceitos e pautas que são históricos da luta popular e das mulheres. Apropria-se de forma distorcida de muitos conceitos para que se moldem aos preceitos liberais e neoliberais. Essa apropriação serve ao capitalismo de muitos modos. Um exemplo é o uso da própria ideia de igualdade pelo mercado, com sua propaganda em massa, que contribui para naturalizar uma suposta “igualdade” já existente, naturalizando também as lógicas do capitalismo e do Estado, que se mantêm intactas. Assim, o mercado alimenta a falsa ilusão da igualdade, pregando como “empoderamento” que mulheres podem ser “bem-sucedidas em grandes empresas”, nos postos do Estado etc., conseguindo altos cargos ou de chefia, em uma lógica meritocrática. Porém, quando estão nesses postos, continuam a trabalhar para o sistema e dentro do sistema, sem questionar por que outras mulheres não “conseguiram”, sem atribuir essa desigualdade ao sistema capitalista.

Esse processo de distorção também ocorreu com o conceito de “Empoderamento”, cujas delineações se deram pelos trabalhos da pedagogia crítica, sobremaneira, a freireana. É importante lembrarmos que esse conceito nasceu enraizado aos movimentos populares, sendo apropriado de forma distorcida pelo feminismo liberal. Por isso, quando falamos em Empoderamento, devemos retomá-lo em sua raiz coletiva. Somente o Empoderamento coletivo fará diferença na luta das mulheres.

Para o feminismo liberal, basta uma “igualdade” simulada dentro do próprio sistema capitalista. Para nós, é preciso derrubar o capitalismo e o Estado. E isso é condição para a construção de uma liberdade e igualdade reais para as mulheres. Nesse sentido, observamos também que precisamos avançar para além do caráter eurocêntrico desse feminismo. Para isso, tomamos como referência a leitura do que as mulheres curdas estão construindo e de sua crítica ao caráter eurocêntrico que influenciou a construção feminista no mundo. É necessário que façamos a construção de um feminismo com os pés no chão de nossa própria realidade, latino-americana. E isso passa por uma compreensão de nossa própria história e nossa própria construção como mulheres latinas, lançando mão de nossas experiências e nossos acúmulos, desconstruindo e construindo conceitos que partam de nossa realidade concreta.

Por um feminismo trans

Para nós, mulheres anarquistas especifistas, é de extrema importância avançar na concepção do feminismo que queremos construir nacionalmente. Por isso, é necessário deixarmos claro que o nosso feminismo é inclusivo de pessoas trans (homens e mulheres). Dessa forma, nós não nos identificamos com o “feminismo radical” (ou com um feminismo trans-excludente) porque, como anarquistas, defendemos o fim de todas as dominações na sociedade. Para nós, não faz sentido pensar em um feminismo que exclui pessoas oprimidas, pessoas que estão sendo violentadas e massacradas pela transfobia impregnada em nossa sociedade todos os dias. Precisamos preservar e defender a dignidade, o respeito e o direito de todas as pessoas, absolutamente todos os seres humanos. Claro, não podemos deixar de relacionar a heteronormatividade ao machismo. Esse é um fator que acaba reverberando na discussão sobre a construção da família e do trabalho. Assim, é importante considerar a questão da masculinidade como uma discussão de gênero também, uma vez que somos todos e todas afetadas por ela e pela maneira que as pessoas a enxergam.

Recusa a um feminismo exclusivo de mulheres

Acreditamos também que espaços exclusivos são importantes para fortalecer as pessoas de um certo grupo social e que devemos entender e respeitar as necessidades deste. Portanto, não vemos problemas em ter espaços exclusivos (inclusive, entendemos sua força, importância e necessidade) quando surgirem as demandas nos espaços que construímos, mas entendemos que o movimento não deve se dar somente dessa forma. Dessa forma, acreditamos que também precisamos ter espaços mistos, pois a questão de gênero é algo que atravessa a realidade de homens e mulheres, e não somente das mulheres. Os homens também sentem várias pressões da sociedade para performarem suas masculinidades do jeito que o senso comum já determinou para eles há centenas de anos. Por isso, compreendemos a importância de também possuírem seus espaços de formações, discussões e debates exclusivos para poderem pensar novas formas de atuar nos níveis político e social; revendo as atitudes e vícios que o machismo estrutural da sociedade os fazem reproduzir diariamente, seja em suas vidas pessoais, profissionais ou política. Também precisamos compreender que a inclusão de pessoas homens cis é diferente da inclusão de pessoas trans. Entendemos então que uma mulher trans, por exemplo, deve se inserir em um espaço exclusivo de mulheres e que um homem trans deve se inserir em um espaço de homens e ambos devem ser aceitos nos ditos espaços.

Defesa da ampliação de direitos sociais por meio da luta popular e ação direta

Avaliando que a luta das mulheres, muitas vezes, precisa passar pela conquista de pautas muito básicas ainda e que seriam de responsabilidade do Estado, refletimos que não devemos abandonar essas pautas, uma vez que não podemos esperar a revolução para tão somente conquistarmos direitos básicos. Ou seja, não podemos trabalhar somente com programa máximo. A revolução social será construída nos processos de luta e de poder popular cotidianos, e também nos avanços e conquistas de mais políticas e direitos, assim como a manutenção dos mesmos.

A mulher é a primeira a ser desassistida, é a primeira a ser demitida numa crise, é a que sofre mais com o aumento do valor do alimento e do custo de vida. Sobre a maternidade, os próprios espaços de replicação de maternidade acabam sendo apropriados pelo Estado (Pre-natal, creches, etc). Estamos nos colocando na luta por essas pautas básicas dentro dos limites do Estado porque deve ser exigido dele assegurar tais direitos e, caso o Estado não os proporcione, devemos arrancar dele, com nossas mãos e nossa luta. É assim que defendemos a luta por moradia, creches, parto humanizado e melhor assistência nos hospitais, educação e saúde, que atingem diretamente a vida das mulheres do povo.

Temos ciência de que estamos reivindicando do Estado, embora almejamos seu fim. Por outro lado, nosso posicionamento se faz em uma relação de confronto e não de pedido ao Estado. Confrontamos o Estado para que ele propicie hoje o que é de urgência para a vida das mulheres de baixo. Nesse sentido, optamos por utilizar o termo “políticas públicas” em vez de reformas. O que exigimos no confronto com o Estado é a viabilização de políticas públicas que façam diferença para as mulheres. E é sempre uma reivindicação de direitos que venham através da luta e da organização popular. Ao lado disso, acreditamos e buscamos semear experiências autônomas de mulheres dentro de suas comunidades. Enquanto o Estado não garante políticas que possam propiciar o mínimo, devemos construir, apoiar, defender, junto às comunidades, experiências autogestionárias e autônomas que objetivem a organização de saídas coletivas para a vida das mulheres. Por isso, devemos construir e nos solidarizar com experiências de auto-organização coletiva de cuidados com as crianças, possibilidades de construção de “cooperativas” ou trabalhos cooperativados, que sejam saídas para a manutenção de mulheres das comunidades. Essas experiências são processos que contribuem na construção do poder popular, da autogestão, autonomia e empoderamendo das mulheres de baixo e trabalhadoras. Princípios que defendemos; e, por isso, são também nossas tarefas e responsabilidade.

Assim, nos colocamos ao lado das mulheres de baixo nessa luta que passa por direitos básicos, mas que deve chegar até as transformações revolucionárias. Nessa construção, defendemos a luta popular e a ação direta na conquista de diretos e avanço para o poder popular, bem como defendemos a estratégia de Autodefesa não só no sentido corporal, como também uma postura coletiva, sendo pensada, elaborada e trabalhada em conjunto com nossos companheiros e companheiras. Nesse processo, vamos construindo cotidianamente, na luta, a ruptura com o Estado, capitalismo e patriarcado, e o avanço para a construção de auto-organização e autonomia.

Armadas com esses princípios amplos e construindo um feminismo a partir da relação entre prática e teoria, nos colocamos nas fileiras de lutas das mulheres, como anarquistas e feministas! Que o feminismo seja uma realidade para as mulheres de baixo e que a luta das mulheres cresça e se propague com combatividade, apoio mútuo e sororidade por todos os cantos do mundo!

Pelo Poder Popular!

Por uma vida digna, livre e insubmissa!

Arriba las que luchan!

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Neste 8 de Março, levantamos mais uma vez a nossa voz e os nossos punhos pela vida das mulheres!

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana | Movimento anarquista | pt

Mo 01 Jun, 03:56

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La tendance est une organisation que nous pourrions appeler de politico-sociale, en d'autres termes, c'est une organisation qui regroupe des secteurs populaires qui possèdent une affinité en relations aux questions méthodologiques et programmatiques, mais qui ne possèdent pas nécessairement des affinités en relation à une certaine idéologie (marxisme, anarchisme, autonomisme, etc.). La tendance, donc, n'est pas une organisation politique (parti) ni, non plus, une organisation de masses (mouvement populaire) ; elle existe à un niveau que nous pourrions appeler d'intermédiaire, entre le politique et le social. La tendance réunit des militant.e.s qui agissent dans un ou plusieurs mouvements populaires et dans les secteurs désorganisés de la population avec pour objectif de promouvoir à l'intérieur des mouvements dans lesquels ils/elles sont actifs/ves une méthodologie de travail et un programme déterminé, en plus d'organiser ces mouvements dans les secteurs les plus divers du peuple qui pour l'instant sont désorganisés. En plus de cela, la tendance offre un espace d'interaction entre les diver.e.s militant.e.s qui partagent des visions proches et sert a augmenter la force sociale de son incidence dans le camps populaire, augmentant son pouvoir d'influence dans ce camps et empêchant que d'autres personnes ou regroupements, qui possèdent des conceptions contraires, puissent faire prévaloir leurs visions et user d'autres militant.e.s pour atteindre leurs objectifs propres. La tendance donne de la cohérence opérationnelle aux militant.e.s qui agissent avec des objectifs clairs et bien définis et constitue la « face » du militantisme quotidien dans le travail social. Contrairement a aspirer à être l'avant-garde des mouvements, elle a la fonction de ferment et de moteur ; elle doit stimuler les mouvements populaires, garantir qu'ils possèdent la capacité de promouvoir leurs propres luttes, tantôt revendicatives (court terme), comme transformatives (long terme). Les militant.e.s de la tendance font partie intégrante du peuple et promeuvent le protagonisme populaire, en d'autres termes, ils et elles ont pour objectif de créer un peuple fort.

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Terceiro número da revista Socialismo Libertário, publicada pela Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Veja aqui link para baixar a revista e para os artigos!

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Texto da CAB que conceitua estratégia e seus grandes elementos. [English]

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Os 14 anos de hegemonia do projeto democrático popular chegam a sua saturação final. Nestes últimos anos a esquerda não governista esteve em meio a uma luta para conformar uma alternativa a esse bloco. Cada setor, cada organização concebeu, a sua maneira, o que seria essa alternativa. Mas no fim, não foi capaz de presenciar alguma proposta que disputasse com o bloco governista nas lutas populares. Isso, por sua vez, não tirou de cena o surgimento de inúmeras experiências que transbordam ensinamentos e avanços difíceis de medir precisamente. Das “greves selvagens” e das revoltas nas obras do PAC, passando pelas jornadas de junho em 2013, a luta por moradia nas grandes cidades e a recente onda de ocupações de escolas por estudantes secundaristas em São Paulo, Goiânia, Rio de Janeiro e Belém mostram que em meio às trevas da ofensiva reacionária, também vai se afirmando uma nova geração de lutadores e lutadoras. Uma geração que não se formou pelas estruturas tradicionais de luta e organização que a esquerda construiu nas últimas décadas, por isso mesmo, uma geração refratária aos métodos e à cultura destas estruturas.

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