preferenze utente

cerca nell'archivio del sito Cerca cerca nell'archivio del sito


Search comments

ricerca avanzata

Nuovi eventi

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana

nessun evento segnalato nell'ultima settimana

A baderna militar e o conflito ainda controlado dentro da direita

category brazil/guyana/suriname/fguiana | anti-fascismo | opinião / análise author mercoledì marzo 04, 2020 01:37author by BrunoL - 1 of Anarkismo Editorial Groupauthor email blimarocha at gmail dot com Segnalare questo messaggio alla redazione

Ao terminar o carnaval o ano começou de fato com uma 4ª de cinzas “inesquecível”. A extrema direita foi convocada para na data de 15 de março, marcando o novo momento de micareta proto-fascista no Bra

Ao terminar o carnaval o ano começou de fato com uma 4ª de cinzas “inesquecível”. A extrema direita foi convocada para na data de 15 de março, marcando o novo momento de micareta proto-fascista no Brasil em transe pós-golpe coxinha. Parece piada, mas a situação é bem séria. O general de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira (4 estrelas), ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), como figura de proa do reacionarismo militar de alta patente, está dobrando a aposta.
helenomanifestao_032020.jpg

Bruno Lima Rocha, 03 de março de 2020
Ao terminar o carnaval o ano começou de fato com uma 4ª de cinzas “inesquecível”. A extrema direita foi convocada para na data de 15 de março, marcando o novo momento de micareta proto-fascista no Brasil em transe pós-golpe coxinha. Parece piada, mas a situação é bem séria. O general de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira (4 estrelas), ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), como figura de proa do reacionarismo militar de alta patente, está dobrando a aposta. O uso discricionário do orçamento da União é o sonho putrefato de Paulo Guedes e sua laia de Chicago Boys e mesmo que saia um acordo de oligarcas, apenas a hiper-exposição do ex-membro da alta hierarquia do Comitê Olímpico Brasileiro na Era Nuzman já foi demonstração suficiente de estranhas lealdades na caserna. Augusto Heleno se coloca à frente da destinação do orçamento impositivo. Se o Parlamento ceder, o pinochetista civil do governo, Paulo Guedes, apontaria uma contrapartida, prometendo aumento da margem orçamentária destinada aos estados. Na prática seria o golpe de morte na Constituição de 1988, ponto de confluência de toda direita, que vai de oligarcas decadentes aos ultra liberais do "novo", passando por tucanos e arrivistas militarizados como os do PSL.
Ainda tem muito em jogo, mas a dimensão estrutural já foi alterada. Para a camarilha de fariseus pentecostais e "neopentecostais", os que manipulam os milhões de brasileiros e brasileiras das várias linhas do evangelicalismo, o gol já foi marcado no governo Temer. Ainda que sempre pressionam por mais legislação de hereges praticantes do pecado da usura, as "igrejas" empresariais são o fluxo de caixa da pobreza, ultrapassando tanto as pastorais sociais como o digno esforço das linhas evangélicas de tipo diálogo ecumênico, fé e política de libertação.
Digo isso porque quem mobiliza parcialmente a pobreza são as empresas controladas por fariseus midiáticos, considerando que com a "reforma trabalhista", o caixa dos sindicatos (mesmo burocratizados) minguou. De onde já não saía quase nada, agora sai menos ainda. Logo, as redes sociais e os canais de comunicação de primeiro nível societário – grupos de amigos, familiares, espaços de trabalho, afinidades de costumes, religião e espaço geográfico – todos estes nichos de comunicação estão permeados por bandos de direita pregando de forma irracional suas imbecilidades. É o padrão Homer Simpson, não precisa provar nada, basta querer crer que a crença se torna parcialmente “real”. Repetidos mil vezes, os clichês se tornam “conceitos” e a cloaca ideológica é transformada em estrutura de mentalidade. Maldita “pós-verdade”, cada vez mais presente no Brasil.
Com tamanho bloqueio, a luta da "sociedade civil" recai sobre quem está mobilizado, tanto socialmente como virtualmente. Na mosca para a direita fascistoide. Atacam o feminismo difuso - observando o fenômeno geracional das mulheres brasileiras -; os territórios indígenas e quilombolas - mais organizados que nunca e hoje formando a primeira linha de resistência-; fazem um escândalo acusando a defesa LGBTQ+ como sendo “ideologia de gênero”; promovem a guerra cultural contra as "esquerdas" - e aí atacam diretamente a instituição universitária que supostamente seria a maior difusora desta matriz de pensamento.
Enquanto a guerra foi essa, a “nata colonizada” ganhava simpatias ou ao menos um que de "mal menor" porque os entreguistas não gostam do chefe mas amam o especulador Paulo Guedes e idolatram Sérgio Fernando Moro, o juiz da província que a mídia transformou em xerife do país, uma espécie de herói da TFP de Miami. O problema para a governabilidade é a luta "interna" em todas as instituições estatais e privadas do país.
Quem está na fogueira das direitas? A saber: os jornalões golpistas, a caserna golpista (vide o "profissionalismo" de Villas Bôas ameaçando o STF pelo Twitter) e o estamento jurídico e coercitivo (ou seja, a meritocracia de toga que arma todas desde a Lava Jato e está rachada de ponta a ponta incluindo a luta no MPF e principalmente na PF).
Já existem mais variáveis de jogadas do que cálculos possíveis e a tendência é sair um "centrão" ainda mais articulado, incluindo a dissidência de Dória Jr (PSDB, governador paulista) e Wilson Witzel (PSC, governador fluminense). Se o mineiro Romeu Zema (Novo) se soma, aumenta o balanço da corda bamba e as apostas. Alguém imagina um governo totalmente em oposição a São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais? Em seus estados, tais chefes do Poder Executivo operam ao estilo protofascista como Bolsonaro, mas ainda conseguem calibrar o discurso para se apresentarem como "opções viáveis".
Se em meados de 2019 pensávamos que o governo vivia entre crises, hoje sabemos tratar de algo mais grave. Estamos diante de uma crise política provocada pelo próprio governo, sua petulância e seu pânico. O presidente governa sem partido e se escora em robôs e proselitismo para milicos de alta patente com super salários.

Baderna de alta patente, militarização do governo federal e o imponderável em cena
Sei que costumo fazer analogias com a situação brasileira da década de '50 e a crise que chegou ao clímax em 1964. Estamos longe disso, dessa segunda parte, mas perto da primeira. A "baderna das vivandeiras" criou asas de barata cascuda e voou. Primeiro surfando nas redes sociais, burocratas de uniforme querendo uma fatia de prestígio manipulando hordas de idiotas e supostamente dividindo as preferências e lealdades com a "ala profissional". No enredo que seguiu, este analista aqui faz autocrítica pela equivocada apreciação. Cheguei a pensar em uma ala "saudosista e revanchista", representada por generais como Hamilton Mourão (vice-presidente eleito) e Sérgio Etchegoyen (ex-chefe do GSI do governo golpista de Temer) e outra, a dos coturnos de carreira, tropeiros convictos, como Eduardo Villas Bôas e Fernando Azevedo. Ledo engano.
Agora recai a "esperança" sobre o general de divisão Carlos Alberto Santos Cruz, que supostamente explicita um mínimo de sensatez. A mesma que lhe faltou para aceitar entrar no governo do capitão expulso do quartel e que não existe na coleção de oficiais de alta patente em verde oliva servindo no desgiverno.
Se no "governo" Temer o problema mais visível seria o Entreguismo, Bolsonaro e sua dinâmica olavista aumentam o problema, sendo que qualquer manifestação sensata e não intervencionista já é vista como sendo de "centro".
Aumenta a aposta de Bolsonaro e multiplicam-se os problemas nos quartéis. Como fazer com que mais de 100 oficiais superiores e generais voltem para os quartéis ou vistam comodamente o pijama da reserva? Pensem na imagem das conversas de bastidores no Clube Militar? Imaginem a prosa entre as partidas de carteado no Posto 6 em Copacabana? Pois bem, agora estão presentes no cotidiano do Poder Executivo assim como em representações parlamentares e nos governos estaduais. É tudo inversamente proporcional. A capacidade dos militares de carreira se dedicarem à defesa do país - em seus múltiplos e disputados significados - é inversamente proporcional às peripécias da “polititica” à qual vêm se dedicando com afinco ao menos desde 2015.
Estamos a caminho de uma ditadura? Creio que não, embora com um governo propenso a qualquer coisa desde que combine repressão social com Entreguismo colonizado. A ditadura militar tinha um projeto de país distinto ao de Bolsonaro, Guedes, Olavo e companhia? Evidente que sim.
Ou seja, a "papagaiada dos periquitos" de alta patente seria reprovada até por Golbery do Couto e Silva e pelo seu rival Carlos Meira Mattos. Se é patético o discurso olavista, é ainda mais absurda a posição de pessoal treinado pelo Estado e que domina como ninguém as correlações de apadrinhamento, "coxada e peixaria". O pior é que não é exceção, e sim a regra na interna das instituições militares ou coercitivas. Levar essa cultura para o centro do Poder Executivo, caminhando lado a lado dos Chicago Boys liderados por Paulo Guedes é muito perigoso.
Qual projeto de país os colonizados querem? Vejam o Chile herdado por Pinochet, multiplicado pelo gigantismo do Brasil e veremos o que a extrema direita hoje no Planalto projeta para a sociedade brasileira.

A inconsequência que é “gigante pela própria natureza” da estupidez
Observando o comportamento do ministro do GSI como a primeira linha verborrágica e de difusão ideológica da formação da extrema direita brasileira a conclusão é tétrica. Não adianta esperarmos arroubos de genialidade e tampouco reclamar da ausência sequer de patriotismo. Esta geração não tem nada disso, é uma mescla do pior do pior dos anos '50 como a "Cruzada Anticomunista" do almirante Penna Botto, as estripulias dos seguidores do "brigadeiro" Eduardo Gomes (aquele que seria "bonito e solteiro") e as manobras cruéis de Mourão, não o Hamilton, mas o Olympio ex-chefe de inteligência integralista. Haroldo Veloso e João Paulo Burnier sorriem no inferno, com o aval de JK, o bunda-mole que não puniu nenhum dos dois apoiou o golpe de ’64 e terminou de forma mais que suspeita com “problemas no freio” de seu carro. Triste e previsível para quem “dá asas às cobras” (ver comício em https://www.youtube.com/watch?v=aGAJrcjWrdM), parafraseando a impagável deputada estadual e jurista do golpe com apelido de impeachment, Janaina Conceição Paschoal (PSL-SP).
Como o "pensamento" geopolítico ainda é rasteiro (estando anos luz atrasado em relação à própria área), a capacidade de derivar em "teses racistas de crítica à miscelânea cultural" e outras aberrações é enorme. Ou seja: a chance de surgir uma geração de oficiais nacionalistas neste exato momento é muito difícil, em especial se observarmos que se estes existissem seriam minimamente antiimperialistas - rechaçando a desindustrialização brasileira, a transnacionalização de setores estratégicos e as teses americanófilas.
Quem conhece os processos do Continente sabe que de 9 entre 10 ocasiões ocorre o seguinte: - o populismo quase sempre rói a corda, assim como os reformistas, mesmo que com gestos individuais louváveis (como a resistência de Allende em La Moneda no 11 de setembro latino-americano e o suicídio de Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954); - a outra certeza é de que nenhuma força armada reacionária é antiimperialista e para a turma de pijama recém engomado, uma disputa realista regional é o melhor dos mundos.
Eis o porquê da fascinação dos “irmãozinhos” com a Venezuela chavista sem Chávez (no caso, um populismo reeditado que não roeu a corda embora não seja isento de críticas) e mais recentemente a prevenção contra a França Amazônica do neoliberal Macron. O consenso é uma agenda de tipo linha chilena, e o outro consenso é tomar medidas prontas de segurança interna caso o protesto social chileno se torne brasileiro.
Fora isso, qualquer "expectativa" vinda da caserna é em vão. Realmente gostaria de estar errado, de ter uma "perspectiva razoável" de senso de profissionalismo com defesa dos interesses do Brasil, mas realisticamente está longe disso.
O Entreguismo atual supera qualquer previsão, estando à altura de uma radicalização do primeiro governo golpista, o de Humberto de Alencar Castello Branco, "eleito" por Lincoln Gordon e Vernon Walters. Nem o desastroso governo Figueiredo cedeu tanto para os gringos, embora tenha sido "governado" pela encarregada do FMI para o Brasil.
Este que escreve sempre repetiu como ladainha de Canudos o princípio que "não dá para confiar no exército escravocrata de Caxias para defender Palmares e Pindorama". Só não pensei que num período tão rápido o Desgoverno Bolsonaro-Guedes fosse absolutizar o exemplo.
Ontem como hoje valem duas máximas de oficiais militares brancos, mas comprometidos com a independência da América Latina.
Simón Bolívar praguejava "maldito seja o soldado que apontar armas contra seu próprio povo!". Já o platense-pampeano José Gervasio Artigas entendia "que nada podemos contar a não ser com nós mesmos". Não por acaso Bolívar acabou no isolamento e antes no desterro e Artigas exilado, sendo que este último sofreu a traição final de um de seus capitães-tenentes, Fructuoso Rivera (branco e castelhano), que passou para o lado dos invasores luso-brasileiros e em 11 de abril de 1831 promoveu o Massacre de Salsipuedes, contra a vanguarda da cavalaria charrua numa emboscada traiçoeira na saída de uma coxilha. As tropas afro-uruguaias e dos povos originários pelearam ombro a ombro pela Liga Federal até o derradeiro exílio para Assunção em setembro de 1820. Que a lição seja aprendida. No caso brasileiro não é nada diferente: Rui Moreira Lima, Carlos Lamarca, Cândido Aragão e Onofre Pinto são exceções e não a regra.
Apontando conclusões e não disfarçando as dúvidas concretas
Sinceramente não sei qual o efeito nos próximos dez anos da pregação de Jair Bolsonaro e Augusto Heleno, precedidas pelas falas absurdas de Hamilton Mourão em lojas maçônicas e chantagens no Twitter de Villas-Bôas. A julgar pelos cinco anos já passados, é de se esperar um isolamento reacionário da caserna. Se não bastassem os exemplos brasileiros, vejam o papel nefasto de Guido Manini Ríos, ex-comandante em chefe do Exército uruguaio e pertencente a uma geração promovida em seus altos mandos por ex-tupamaros governando como frenteamplistas encantados com a caserna, como Eleutério Fernández Huidobro e o próprio José Mujica.
A cada ilusão mais distantes estaremos de nossas segundas e derradeiras independências na América Indo-Afro-Latina. No Brasil, a baderna militar é sem precedentes desde a Abertura Lenta, Gradual e Restrita. Estamos diante do imponderável com os galinhas verdes do século XXI tentando surfar nas ondas das cloacas de esgoto, simulando uma morey boogie nas tampas de bueiros que a própria extrema-direita escancarou.
Bruno Lima Rocha (blimarocha@gmail.com) é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política, professor universitário nos cursos de relações internacionais, jornalismo e direito.

This page can be viewed in
English Italiano Deutsch
© 2001-2020 Anarkismo.net. Salvo indicazioni diversi da parte dell'autore di un articolo, tutto il contenuto del sito può essere liberamente utilizzato per fini non commerciali sulla rete ed altrove. Le opinioni espresse negli articoli sono quelle dei contributori degli articoli e non sono necessariamente condivise da Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]