user preferences

New Events

Internacional

no event posted in the last week

Os especuladores globais das commodities e a fragilidade brasileira

category internacional | economia | opinião / análise author Friday December 22, 2017 21:42author by BrunoL - 1 of Anarkismo Editorial Groupauthor email blimarocha at gmail dot com Report this post to the editors

Uma economia comodificada é anti-ecológica e aumenta o neocolonialismo.

Não há desenvolvimento autônomo e com soberania popular se o território físico ficar subordinado às cadeias de valor comodificadas, dominadas globalmente por 16 empresas de intermediação. Pela lógica da soberania deveríamos simplesmente seguir o caminho inverso, em todos os sentidos: preservar os biomas para, a partir destes, transformar saber popular em produção científica de escala
commodities_traders.jpg

22 de dezembro de 2017, Bruno Lima Rocha
Quando observamos a posição do Brasil no Sistema Internacional (SI), levando em conta o grau de coesão interna (tanto na soberania nacional como na ainda mais deficiente soberania popular) e nossos potenciais concretos nos vemos em uma situação dúbia. Por um lado, qualquer raciocínio minimamente correto – sob diversos pontos de vista ideológicos – projetará o país como um dos poucos que tem saída minimamente autônoma no planeta. Por outro, ao interpretar realisticamente o consenso conservador imposto pelo arranjo de dominação interna, vemos o quanto distante estamos desta potencialidade.
É fato. Não há desenvolvimento autônomo e com soberania popular se o território físico ficar subordinado às cadeias de valor comodificadas, dominadas globalmente por 16 empresas de intermediação. Pela lógica da soberania deveríamos simplesmente seguir o caminho inverso, em todos os sentidos: preservar os biomas para, a partir destes, transformar saber popular em produção científica de escala. No caso brasileiro, há uma triste evidência. Somente um pensamento neocolonizado pode ver com bons olhos o alinhamento de preços manipulados por especuladores de mercados futuros.
Nunca é demais reafirmar. O governo deposto de Dilma Rousseff (2015-2016) não estava sequer inclinado mais à esquerda, logo, não houve nem uma maior tensão social interna – no sentido da luta direta ou no protagonismo de classe – e tampouco alguma manobra de envergadura anti-imperialista. Tal e qual ocorrera em 1954 e com maior grau em 1964, apenas as possibilidades de desenvolvimento capitalista com certo grau de autonomia decisória já foram suficientes para elevar a temperatura doméstica através de uma típica “revolução colorida” do século XXI. Se em Guerra Fria as saídas nacionalistas do varguismo em suas duas últimas etapas motivaram a uma possível intervenção no país, ao fim da Bipolaridade e no período de hegemonia dos EUA com algum nível de ameaça (s), o uso da Lawfare bastou para garantir a vitória através de grotesca manipulação de massas com indignação seletiva.
Nosso desenvolvimento interrompido vem de antes, através do reforço da economia comodificada, aumentando tanto o peso das cadeias primárias e extrativistas no Brasil, como a entrada de insumos tecnológicos na produção agroexportadora. Esta fragilidade não foi rompida no período lulista (2003-2016), mas sim acentuada. A complexidade da dependência se dá na venda casada e pagamento de royalties tecnológicos, e também na manipulação de preços das commodities não apenas na determinação de preços por países compradores, mas pelos estoques dos gigantes da intermediação e os contratos futuros negociados na roleta financeira.
O economista Ladislau Dowbor, no livro A Era do Capital Improdutivo (Outras Palavras/Autonomia Literária, 2017) explica esse fenômeno de forma didática (citações em itálico). Basta uma página (a 189) para desmontar todo um universo de mistificações repetidas à exaustão nos chamados “mercado de notícias econômicas”. Vejamos:
Ainda que se trate de bens físicos como minério de ferro ou soja, o fato é que no plano internacional as variações são diretamente ligadas às atividades financeiras modernas. Não há razões significativas em termos de volumes de produção e de consumo mundial que justifiquem as enormes variações de preços de commodities no mercado internacional.
Assim, toda a dimensão do avanço da fronteira agrícola ou mesmo a extração de petróleo sem expansão da capacidade integrada no refino de ponta, termina aumentando a fragilidade do país, mesmo batendo recordes anuais na produção e venda de grãos e minérios em forma bruta. É conta de chegada, quanto maior a complexidade nos produtos, menos expostas ficam estas cadeias diante da especulação dos gigantes intermediários. O inverso é assustadoramente verdadeiro.
Os volumes de produção e consumo de petróleo, por exemplo, situam-se em torno de 95-100 milhões de barris por dia, com muito poucas alterações. Mas as movimentações diárias de trocas especulativas sobre o petróleo ultrapassam três bilhões de barris, cerca de 30 vezes mais. São estas movimentações especulativas que permitem entender que com um fluxo estável do produto real que é petróleo oscile tanto em poucos meses.
Enquanto o consenso liberal neoloconizado elogia a “atuação profissional” da atual diretoria da Petrobras (após abril de 2016) por balizar o preço dos combustíveis de acordo com o “mercado internacional”, a evidência da manipulação de preços em nível mundial é gritante, passa pela capacidade especulativa dos operadores logísticos (focando em transportes e estoques) e das atuais seis irmãs transnacionais do petróleo listadas abaixo. Ainda segundo Dowbor:
O que movimenta os preços neste caso não é a economia chinesa, ou uma decisão da Arábia Saudita ou ainda a entrada do Irã de volta ao mercado, mas sim a expectativa de ganhos especulativos dos traders, hoje 16 grupos que controlam o comércio mundial de commodities. Estes grupos, concentrados em Genebra, alimentam o mercado de derivativos, que hoje é da ordem de 500 trilhões de dólares, para um PIB mundial de 80 trilhões de dólares (p.189).
Mas quais são estes conglomerados que conseguem manipular preços e jogar contratos futuros empacotados em derivativos? Segundo o Business Insider e o ranking da Singapore Management University (ver http://researchguides.smu.edu.sg/c.php?g=422042&p=2881476) as gigantes da intermediação de commodities no planeta são, em ordem decrescente: Vitol (Singapura); Glencore (Suíça); Cargill (EUA); Koch Industries (EUA); ADM/Decatur (EUA); Gunvor Group (Suíça/Singapura); Trafigura (Suíça); Mercuria (Suíça); Noble Group (Hong Kong); Louis Dreyfus (França); Bunge (EUA); Wilmar (Singapura); Arcadia (Inglaterra); Mabanaft (Holanda); Olam (Holanda) e Hin Leong (Singapura).
Já as maiores empresas petrolíferas em escala mundo, no ano de 2017, também expostas aqui em ordem decrescente, são: BP (Inglaterra); Shell (Anglo-Holandesa); ExxonMobil (EUA); Chevron (EUA); Total (França) e Eni (Itália). Como estas marcas também operam na distribuição – do poço à bomba como diz o setor – tornam-se mais conhecidas, facilitando a evidência, com um agravante. As TNCs do petróleo acima listadas são todas influenciadoras diretas dos tomadores de decisões de países membros da OTAN, incluindo as mais poderosas marinhas do planeta.
O Brasil, assim como os demais países de economia comodificada, ao estar sob esta integração forçada, perde espaços de manobras, soberania e autodeterminação.

Bruno Lima Rocha é professor de relações internacionais e de ciência política (www.estrategiaeanalise.com.br para textos e áudios / www.estrategiaeanaliseblog.com para vídeos e entrevistas / blimarocha@gmail.com para E-mail e Facebook)

This page can be viewed in
English Italiano Deutsch
Les victoires de l

Front page

Federasyon’a Çağırıyoruz!

Piştgirîye Daxuyanîya Çapemenî ji bo Êrîşek Hatîye li ser Xanîyê Mezopotamya

Les attaques fascistes ne nous arrêteront pas !

Les victoires de l'avenir naîtront des luttes du passé. Vive la Commune de Paris !

Contra la opresión patriarcal y la explotación capitalista: ¡Ninguna está sola!

100 Years Since the Kronstadt Uprising: To Remember Means to Fight!

El Rei està nu. La deriva autoritària de l’estat espanyol

Agroecology and Organized Anarchism: An Interview With the Anarchist Federation of Rio de Janeiro (FARJ)

Es Ley por la Lucha de Las de Abajo

Covid19 Değil Akp19 Yasakları: 14 Maddede Akp19 Krizi

Declaración conjunta internacionalista por la libertad de las y los presos politicos de la revuelta social de la región chilena

[Perú] Crónica de una vacancia anunciada o disputa interburguesa en Perú

Nigeria and the Hope of the #EndSARS Protests

How Do We Stop a Coup?

Aλληλεγγύη στους 51 αντιφασίστες της Θεσσαλονίκης

No war on China

Women under lockdown all around the world

Solidarity with the Struggle of North American People!

A libertarian socialist view of the capitalist and health crisis in the Americas

Para las Clases Populares del Mundo, Pandemia, Crisis, Todos los Tiempos son de Lucha

كل التضامن مع روج آفا

Nossa Concepção De Feminismo Na Perspectiva Do Anarquismo Organizado

Frente a la Pandemia Capitalista, Solidaridad entre los Pueblos

Corona – how are you?

© 2005-2021 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]