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Israel/Palestina: Os bastidores do presente conflito

category mashriq / arabia / iraq | imperialismo / guerra | opinião / análise author Wednesday July 30, 2014 01:14author by Ilan S. - Anarchists Against the Wall; A-Infos; Ahdutauthor email ilan.shalif at gmail dot comauthor address Tel Aviv Report this post to the editors

O Egipto insiste em dissolver o domínio da ramificação da Irmandade Muçulmana que constitui o Hamas na Faixa de Gaza. Israel "só" quer sabotar a cedência / compromisso do Hamas junto da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia. O contexto político relevante para a situação actual começa em Novembro de 2012 com o acordo entre Israel e o Hamas promovido pelo Egipto (sob a «chancela» de Hillary Clinton). [English]
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Os bastidores do presente conflito


O Egipto insiste em dissolver o domínio da ramificação da Irmandade Muçulmana que constitui o Hamas na Faixa de Gaza. Israel "só" quer sabotar a cedência / compromisso do Hamas junto da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia.

O contexto político relevante para a situação actual começa em Novembro de 2012 com o acordo entre Israel e o Hamas promovido pelo Egipto (sob a «chancela» de Hillary Clinton).

As negociações de Novembro de 2012 trataram de dois assuntos:

  1. um cessar-fogo entre ambas as partes e
  2. a abertura de pontos de passagem para o trânsito de mercadorias e pessoas (os pontos de passagem oficiais foram "complementados" ao longo dos anos por 1500 túneis "ilegais" escavados por baixo da fronteira. Estes têm fornecido tudo o que os pontos de passagem oficiais não foram capazes de fornecer, tal como a maior parte das receitas para o regime do Hamas vindas de fundos de simpatizantes e impostos).
No geral - de acordo com as autoridades de segurança israelitas - o Hamas cumpriu muito bem com a sua parte: não abriu fogo e a maior parte do tempo procurou evitar que outras organizações abrissem fogo. O Hamas enviou os seus homens para tomar medidas contra as organizações palestinianas que pretendiam abrir fogo contra Israel, algo que muitas pessoas não sabem. Em troca, o Hamas esperava um abrandamento significativo do bloqueio.

De facto, isto aconteceu (embora menos do que o que foi prometido e esperado, mas pelo menos tolerável), enquanto a Irmandade Muçulmana esteve no poder no Egipto.

Mas, assim que Sisi tomou o poder no Egipto (no Verão de 2013) e aboliu o governo da Irmandade Muçulmana, as passagens foram fechadas novamente e, sobretudo, os túneis do Egipto - que eram a maior fonte de rendimento para o Hamas - foram gradualmente fechados. Ao fecharem gradualmente os túneis por de baixo de uma fronteira igualmente fechada, Sisi estrangulou o povo de Gaza e o governo do Hamas.

Progressivamente, a situação do Hamas piorou: por um lado, oferecia uma certa segurança a Israel (segurança de que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se orgulhava) e, por outro lado, o bloqueio foi piorando (chegando ao ponto em que o Hamas já não podia pagar salários aos funcionários do governo e aos 43.000 membros das forças militares que o Hamas tinha recrutado para controlar a Faixa de Gaza). Assim, o governo do Hamas ficou à beira do colapso. Como resultado, o Hamas diminuiu gradualmente o seu controlo sobre as outras organizações, o que fez com que o número de tiros de morteiros, mísseis, etc. aumentasse. Isto, também explica a razão pela qual reagiu às provocações israelitas com toda a sua força.

Foi neste contexto que o Hamas se viu forçado em fazer um acordo com a OLP / Fatah no passado mês de Abril. Assim, o Hamas concordou em transferir uma parte do seu poder para Abu-Mazen (presidente da Autoridade Palestiniana da Cisjordânia), principalmente a parte relativa à responsabilidade pelos salários do governo em Gaza. Há um debate entre ambas as partes sobre quais serão os 43 mil que continuarão nas suas posições e qual o papel dos 70 mil funcionários da Autoridade Palestiniana que foram removidos do poder na Faixa de Gaza aquando da tomada do Hamas em 2007. Ao longo destes anos, têm recebido os salários de Ramallah para ficar em casa e agora devem voltar ao activo. Mas o ponto mais crítico que não está resolvido entre o Hamas e a Autoridade Palestiniana é a dívida dos salários que não foram pagos durante vários meses. O estatuto dos 20.000 homens das forças armadas do Hamas também não foi resolvido. Abu-Mazen diz que não é da sua responsabilidade e que o Hamas terá de o resolver.

Há uma série de problemas e assuntos inacabados neste acordo, mas o mais premente e imediato obstáculo é o pagamento dos salários em atraso. A condição mínima para o Hamas parar a luta é um retorno ao acordo anterior e reabrir todos os 1.500 ou mais túneis.

O Hamas disse ter encontrado quem iria pagar - o Qatar. Mas Israel e os poderes ocidentais, juntamente com os vários bancos envolvidos - cada qual, por várias razões, algumas justificadas e outras menos - recusaram-se em transferir o dinheiro.

A ONU ofereceu os seus serviços para resolver o problema, mas Israel decidiu bloquear a participação do enviado diplomático das Nações Unidas e, na verdade, vetou este canal. O resultado é que: dezenas de milhares de pessoas em Gaza, incluindo a segurança / o braço militar do Hamas, não têm recebido os seus salários há vários meses.

Como o Hamas não conseguiu parar os tiroteios das organizações dissidentes, Israel começou a escalar o confronto com o Hamas e, mais ainda, após o sequestro dos três jovens colonos, utilizando-os como desculpa (embora tenha recente e oficialmente declarado que o Hamas não estivera envolvido).

Neste momento, os egípcios - que procuram aniquilar o Hamas - recusam-se em voltar aos acordos previamente em vigor antes de Sisi começar a estrangular a Faixa de Gaza, levando ao compromisso do Hamas junto da Autoridade Palestiniana (acordos que Israel, por outro lado, provavelmente apoiará).

Apavorado pelo "acordo de unidade" que colocava em risco a continuidade das divisões entre os palestinianos, Israel começou a guerra com a esperança de forçar o Hamas a encontrar outra solução. Israel irá provavelmente apoiar essa solução, e até pode vir a ceder um pouco mais na questão da «abertura», uma vez que quer a continuação do governo independente do Hamas em Gaza, dando ao público a explicação de que a alternativa seria o caos ou um governo de Jihadistas.

Tanto Israel como os egípcios não querem o compromisso entre o Hamas e a Autoridade Palestiniana: para o Egipto, porque o compromisso salvaria o Hamas de um colapso total e para Israel, porque o compromisso diminuiria a capacidade do Hamas em dividir os palestinianos.

De um modo surreal, podemos ver a guerra não como sendo entre Israel e o Hamas, mas uma guerra entre Israel e o Egipto. O Egipto quer destruir o Hamas e Israel quer restaurar o seu poder.


Anarchists Against the Walls: http://awalls.org
Ahdut (Unity): http://unityispa.wordpress.com

Related Link: http://ilanisagainstwalls.blogspot.com
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