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1º de Maio: Luta e Resistência

category brazil/guyana/suriname/fguiana | history | opinion/analysis author Wednesday March 15, 2006 15:11author by Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiásauthor email proorganarquista_go at riseup dot net Report this post to the editors

"Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje".
O primeiro de Maio já foi um dia de luta e resistência operária. Neste dia os trabalhadores iam as ruas cobrar seus direitos através da ação direta popular. Durante muito tempo o dia do trabalhador foi marcado por inúmeras manifestações populares e também pela forte repressão estatal e burguesa contra os movimentos sociais combativos.


1º de Maio: Luta e Resistência



O primeiro de Maio já foi um dia de luta e resistência operária. Neste dia os trabalhadores iam as ruas cobrar seus direitos através da ação direta popular. Durante muito tempo o dia do trabalhador foi marcado por inúmeras manifestações populares e também pela forte repressão estatal e burguesa contra os movimentos sociais combativos.

O 1º de Maio tem sua origem enraizada na AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores). Os trabalhadores ligados a AIT tinham a proposta de declarar um dia de luta pela jornada de oito horas de trabalho. Mas os acontecimentos de Chicago no ano de 1886, que deram o verdadeiro significado do 1º de Maio.

No século XIX as condições da classe trabalhadora eram terríveis. As condições de trabalho eram mínimas, a jornada diária era exaustiva e sub-humana, crianças e mulheres grávidas eram obrigadas a trabalhar. Com toda essa situação de extrema exploração dos trabalhadores e o avanço de idéias socialistas muitas associações e sindicatos autônomos de operários começaram a surgir e a reivindicar melhores condições de trabalho e a jornada de oito horas diárias.

No dia 1º de Maio de 1886 milhares de trabalhadores de Chicago e de outras cidades dos EUA saem às ruas cobrando seus direitos. No dia 4 de Maio em nova manifestação, uma explosão de uma bomba serve como desculpa para uma violenta repressão contra os trabalhadores. A repressão deixa mais de cem mortos e dezenas de operários e anarquistas são presos. Dos trabalhadores presos, August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Um dos oradores do comício operário que não foi preso durante a repressão se apresentou voluntariamente a policia e declarou: "Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou". Quatro dos trabalhadores foram mortos na forca e os demais executados no dia 11 de Novembro de 1887. Augusto Spies declarou, antes de morrer: "Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje".

Esse episódio trágico que deu origem ao significado do 1º de Maio mostra como a Burguesia através do Estado trata os trabalhadores, quando estes se encontram organizados e dispostos a lutar pelos seus direitos e pela sua emancipação. Durante muitos anos as manifestações combativas e a repressão continuaram no dia do trabalhador. Atualmente a realidade dos trabalhadores não é muito diferente. Sem terra e teto, desempregados, estudantes, catadores, domesticas e todo o conjunto da classe trabalhadora ainda sofrem os efeitos nefastos do sistema capitalista que, agora se apresenta na sua versão neoliberal. Mesmo com a exploração contínua e atualizada do sistema capitalista o sentido de resistência e luta do 1º de Maio anda meio perdido e vemos a maioria dos movimentos sociais e sindicatos realizando festas e eventos para divertir os trabalhadores neste dia que tratam apenas como mais um feriado. Não reconhecem mais o 1º de Maio como um dia de luta e resistência.

O que nos anima é que uma parte dos movimentos sociais já se deu conta da apatia e do reformismo que vem imperando na maioria dos movimentos e sindicatos existentes. Muitas lutas começam a ser travadas de forma direta e, movimentos autônomos e horizontais, baseados na ação direta popular voltam a ser uma realidade e relembram a memória dos companheiros que tombaram lutando pela liberdade e pela autonomia dos trabalhadores frente aos patrões e ao estado.

Nós, anarquistas, seguimos firmes na construção de movimentos populares combativos e autônomos da classe oprimida. O 1º de Maio é dia de luta, não de festa e conciliação!
Texto retirado do Informe Anarquista nº04, publicação trimestral do Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás

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