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O Surgimento do Anarquismo - Parte II: a Aliança e a Internacional

category brazil/guyana/suriname/fguiana | história do anarquismo | opinião / análise author Wednesday March 15, 2006 19:57author by Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiásauthor email proorganarquista_go at riseup dot net Report this post to the editors

Os anarquistas, como tratamos na parte I deste texto, lutam por uma sociedade justa e igualitária, uma sociedade socialista e federalista, onde não haja exploradores e nem explorados. E acreditam que esta sociedade só pode ser construída pelos oprimidos, pelas massas proletárias, camponeses, operários, trabalhadores/as marginalizados, etc. Somente as classes oprimidas organizadas podem ter força para destruir a burguesia e construir o socialismo e uma estrutura de poder igualitária. Entretanto, como fazer uma revolução social? Como será que poderemos avançar para este objetivo?


O Surgimento do Anarquismo
Parte II: a Aliança e a Internacional



Os anarquistas, como tratamos na parte I deste texto, lutam por uma sociedade justa e igualitária, uma sociedade socialista e federalista, onde não haja exploradores e nem explorados. E acreditam que esta sociedade só pode ser construída pelos oprimidos, pelas massas proletárias, camponeses, operários, trabalhadores/as marginalizados, etc. Somente as classes oprimidas organizadas podem ter força para destruir a burguesia e construir o socialismo e uma estrutura de poder igualitária. Entretanto, como fazer uma revolução social? Como será que poderemos avançar para este objetivo? Para os coletivistas (bakuninistas), a atuação dos anarquistas deveria dar-se em dois níveis: 1) um nível clandestino, político, a organização de uma sociedade secreta; 2) e um nível público, social, a atuação no interior do movimento dos trabalhadores.

O nível social é o nível dos movimentos sociais da classe trabalhadora. Os bakuninistas achavam importante estimular a auto-organização dos trabalhadores em cada fábrica, indústria ou local de trabalho, criando associações de luta que estivessem unidas em uma grande associação internacional. Foi por esse motivo que ingressaram na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), a Internacional. A AIT era para os coletivistas a grande associação que daria a força da revolução social. Representava o povo organizado em todo o mundo na luta contra os patrões. Esta organização tinha como critério não uma ideologia ou uma idéia religiosa, pois as ideologias e as idéias religiosas dividiam o povo. Para criar uma união forte entre todos os trabalhadores, a AIT unificava a sua luta em torno da questão econômica, em torno de necessidades reais, o salário, a diminuição da jornada de trabalho, a conquista do pão. Se o trabalhador era anarquista ou marxista pouco importava. O que interessava era se ele estava disposto a se organizar enquanto classe para lutar contra os patrões por melhores condições de vida.

Assim, o nível social, o nível do movimento dos trabalhadores, é um nível que aglutina por questões econômicas e um nível amplo, que pretende aglutinar o maior número de trabalhadores em um movimento grande internacional que seja capaz de representar osanseios populares e fazer frente à burguesia internacional e aos Estados.

Para os bakuninistas, a AIT deveria ser um movimento social que tivesse uma estrutura autônoma, pois independente dos Estados e patrões, horizontal, onde as decisões fossem tomadas pelos próprios trabalhadores de forma igualitária, combativa, disposta a enfrentar através da ação direta a classe burguesa e o Estado, sem vínculos eleitoreiros nenhum. Uma organização assim, combativa, horizontal e classista era fundamental para fazer a revolução social.

Entretanto, só a AIT era incapaz de fazer uma revolução social. Isto porque uma organização ampla que aglutina por questões econômicas é fundamental, porém, limitada. Na AIT dificilmente se poderia amarrar um programa revolucionário coeso e claro. As questões de funcionamento da economia revolucionária e do poder popular dificilmente poderiam ser consensuais ou mesmo ter espaço para uma discussão profunda. Um movimento social se preocupa mais com as questões concretas e neles se encontram trabalhadores de tantas extrações ideológicas que querer definir um programa ideológico seria rachar a organização e dividir a classe trabalhadora. Não é a toa que na AIT tinham proudhonianos, marxistas, bakuninistas, blanquistas e que quando os marxistas tentaram impor o seu programa ideológico as tensões cresceram e a AIT se dividiu. Outro limite da AIT é que como era um movimento amplo da classe trabalhadora, não era um movimento que possuía muitos critérios de segurança. Era um movimento que tinha que ser público e rápido para recrutar seus militantes, se tornando um movimento também em que é fácil a infiltração de órgãos de repressão e informação do governo. Assim, muitos detalhes da luta revolucionária não poderia ter a AIT como fórum de discussão.

Mais um limite dos movimentos sociais como a AIT está no fato de que ela acabava por possuir um certo grau de espontaneidade correspondente ao nível dos seus militantes trabalhadores. Querendo ou não, dificilmente a AIT conseguia levantar a classe trabalhadora unida em torno de estratégias e táticas bem claras, pois cada local de fábrica e indústria tinha suas especificidades e os anseios da classe trabalhadora seguia muito mais suas necessidades concretas do que uma orientação estratégica e tática clara. A AIT tinha assim o seu papel brilhante: “reunir as massas operárias, os milhões de trabalhadores, através das diferentes nações e dos países, através das fronteiras de todos os Estados, em um só corpo imenso e compacto.” (BAKUNIN, s.d., p. 74). Entretanto, ela era incapaz de dar a este corpo uma direção revolucionária. Em que a união de programa e de ação fosse tal que as massas se levantassem unidas e assim se mantivessem até a destruição completa do velho mundo e a criação do novo. Por tudo isto, os bakuninistas achavam importante além de fortalecerem a auto-organização da classe trabalhadora em uma associação internacional dos trabalhadores, criar também um organismo político, uma organização especificamente anarquista, um nível menos amplo, mais seguro e orgânico do que a AIT, mas que atuasse em seu interior potencializando a força da associação dos trabalhadores. O nível político criado pelos coletivistas foi a Aliança da Democracia Socialista, uma organização que aglutinava os trabalhadores mais engajados e combativos da AIT em torno de um programa revolucionário coeso e claro, um programa anarquista. Tratava-se daqueles trabalhadores que queriam algo mais do que a luta por salários. Trabalhadores que perceberam que só uma revolução socialista e federalista poderia trazer a liberdade. Trabalhadores que se dispunham a dedicar toda a sua vida a esta causa.

Assim, a organização política anarquista era uma organização de minoria ativa, isto é, aglutinava os mais dedicados militantes em torno de um programa revolucionário coeso e tinha como objetivo impulsionar a AIT de forma que ela assumisse uma direção revolucionária para a luta dos trabalhadores. Atuando no interior da Internacional, a Aliança procurava estimular a espontaneidade dos trabalhadores, mas, ao mesmo tempo, possibilitando uma coordenação que tornasse possível o levantar unido do povo e a manutenção desta união rumo a um objetivo revolucionário.

A Aliança, assim, diferente de uma organização de nível social como a AIT, possui um programa revolucionário mais coeso e com um grau de profundidade maior. Aglutinava os trabalhadores não mais só por questões econômicas concretas, mas por um grau de definição ideológica anarquista. Além desta comunhão programática, a Aliança possuía uma estrutura orgânica bem mais sólida e exigente que as organizações de nível social. Era uma organização secreta com critérios de ingresso rígidos, dificultando bastante as infiltrações no interior da organização. Possuía alto grau de exigência militante, exigindo que seus militantes abandonassem todos os interesses pessoais que fossem de encontro à proposta coletiva para dedicarem suas vidas à causa revolucionária. E exigia que o seu militante tivesse opção de classe, sendo que quando não fosse trabalhado deveria estar disposto a abandonar os ganhos burgueses para lutar lado a lado com a classe explorada.

Tudo isto eram exigências para que a Aliança conseguisse cumprir sua função, a de ser um complemento da AIT, a de impulsionar uma revolução social, podendo aprofundá-la ideologicamente, garantindo a segurança de suas estratégias e táticas.

Assim, enquanto a AIT era uma verdadeira escola de militância da classe trabalhadora. Nela, através da sua auto-organização, se aprendia a lutar, a se organizar, a combater através da ação direta a burguesia, formando uma força poderosa do povo organizado; a Aliança servia de organização mais compacta e sólida que estimulava esta auto-organização popular para que tomasse rumos revolucionários com estratégicas e táticas orientadas para uma libertação total. A Aliança sem a Internacional seria um mero grupo filosófico sem ação concreta e prática nenhuma e incapaz de lutar. A Internacional sem a Aliança seria uma mera organização reformista, um sindicato que se prenderia unicamente por questões pontuais e urgentes incapaz de apontar um rumo revolucionário para a libertação plena da classe explorada.
Texto retirado do Informe Anarquista nº04, publicação trimestral do Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás

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