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Anarquismo no Egito - Uma entrevista da Praça Tahrir

category norte da áfrica | movimento anarquista | entrevista author Thursday July 04, 2013 06:46author by Joshua Stephens Report this post to the editors

Entrevista o anarquista Hassan Aazab sob os acontecimentos recentes no Egito. [Castellano]
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Anarquismo no Egito - Uma entrevista da Praça Tahrir

Eu conheci Mohammed Hassan Aazab no início deste ano tomando chá em uma mesa composta por jovens anarquistas, no centro do Cairo. Tinha acabado de acontecer o aniversário da revolução com protestos massivos e o surgimento de um “Black Bloc” ao estilo ocidental que parecia ter pouco a ver com os anarquistas da cidade. Nesta época, a maior parte dos movimentos de base era contra a violência sexual - em particular, as agressões sexuais contra mulheres que usavam turbantes, que se tornaram sinônimo de qualquer grande concentração de pessoas em Tahrir. O trauma de tanta violência praticada contra manifestantes ficou evidente em nossa conversa. Na verdade, Aazab me disse que ele estava farto dos protestos e da política, e que se resignava à disfuncionalidade do dia-a-dia no Egito.

Então veio o dia 30 de junho de 2013. Multidões, supostamente de até 33 milhões de pessoas, foram às ruas em peso para pedir a renúncia da Irmandade Muçulmana, apenas um ano depois de Mohammed Morsi [presidente islamita do Egito] ter tomado posse. Momentos antes da madrugada do 1 de julho, enquanto a bateria do seu celular minguava constantemente, reconectei com ele para conversarmos um pouco sobre seu retorno a resistência.

Joshua Stephens > Qual é o sentimento no Cairo agora? Estamos vendo reportagens aqui [nos EUA] que indicam os maiores protestos da história humana.

Mohammed Hassan Aazab > Hoje, temos trabalhado muito duro para levar a cabo esses protestos sem violência. Todo o mundo teme que aconteça uma guerra civil. Os manifestantes deram a Morsi 48 horas para renunciar. Se esse prazo passar do limite dado pelos manifestantes, haverá uma greve geral. Nas últimas cinco horas, 10 pessoas foram mortas - quatro em Assiat e seis na frente da sede central da Irmandade Muçulmana. O sol está saindo agora mesmo. Todos os velhos revolucionários estão se preparando para os confrontos nas ruas.

Joshua > Ouvi dizer que as sedes centrais da Irmandade Muçulmana foram incendiadas. Isso é verdade?

Aazab > Sim. E ainda está cercada por manifestantes agora mesmo.

Joshua > Quem chamou a greve geral? Há algum sindicato em particular envolvido?

Aazab > Não. Os sindicatos são totalmente ineficazes.

Joshua > Então, como foi organizada a greve?

Aazab > Tamarod [o Movimento Rebelde] apelou para a greve geral. Na verdade, não foi organizada com antecedência, aconteceu espontaneamente. Funcionará através das esperanças e o apoio das pessoas.

Joshua > Você acha que as pessoas vão seguir a greve?

Aazab > O porto Said vai começar a greve geral amanhã. Eu não tenho nenhuma ideia de até que ponto as pessoas vão seguir com eles. Mas é claro que as pessoas estão determinadas a tirar Morsi.

Joshua > Quando nos encontramos em fevereiro, você parecia muito cansado, como se tivesse perdido a fé na resistência.

Aazab > Eu ainda me sinto assim, mais ou menos, para ser honesto. Mas quando as pessoas enchem as praças nestes números enormes, esse sentimento se dissolve. Estou muito feliz.

Joshua > Como estão se organizando os anarquistas nesse momento particular. Tenho a sensação de que alguns de vocês estavam envolvidos com Tamarod, mas vocês estão jogando um papel particular?

Aazab > Não, os anarquistas não assinaram a declaração de Tamarod. Decidimos nos unir aos protestos pois estava claro que o movimento conectava milhões de egípcios, de modo que nos juntamos aos protestos. Ontem, os manifestantes foram contra a ideia de um ditador islâmico, mas, ao mesmo tempo, a maioria deles aceita um ditador civil ou militar. Foda-se qualquer ditador! Nós nunca vamos esquecer. Nós nunca vamos perdoar.

Joshua > Agora mesmo os anarquistas tem uma barraca em Tahrir?

Aazab > Sim. Temos quatro tendas, na verdade.

Joshua > Vocês estão fazendo algo especial a partir desses espaços?

Aazab > Agora, estamos trabalhando para garantir que os que apoiam o antigo regime não acabem com a ocupação.

Joshua > Como pará-los fisicamente? Há felool [as pessoas nostálgicas com o antigo regime] na praça?

Aazab > Um monte deles.

Joshua > Eles estão atacando os manifestantes, ou apenas tentando se infiltrar no movimento?

Aazab > Eles estão tentando convencer as pessoas para que deixem o SCAF [Conselho Militar do Egito] tomar o poder novamente.

Joshua > Há neste momento revoltas acontecendo na Turquia, Brasil, Bulgária e Chile. Há indícios de que ela está se espalhando para a Indonésia e Paraguai também, e é claro a luta em curso no Bahrein. Egito tem sido uma grande inspiração para muitos desses movimentos. Quando derrubaram Mubarak, já na Tunísia tinha acontecido, mas não muito mais. A sensação é diferente desta vez? Vocês se sentem parte de algo global?

Aazab > É diferente, com certeza. Agora, o medo vem da possibilidade de uma guerra civil. Mubark era uma merda, mas ele nunca jogou com a carta de uma guerra civil. Morsi é tão estúpido que nem sequer entende que provavelmente terminaríamos matando uns aos outros nas ruas. As coisas estão acontecendo agora como nunca aconteceu antes, por exemplo, as pessoas atacando e insultando homens barbudos nas ruas.

Sinto que esta geração de jovens ao redor do mundo é poderosamente revolucionária, e agora temos a capacidade de compartilhar ferramentas, e transmitir ideias.

Joshua > O que tens de esperançoso agora?

Aazab > Espero que as pessoas tenham aprendido alguma coisa do que fez a Irmandade, e espero que seja o começo do fim para o Islã político, ou qualquer tipo de partido religioso.

Joshua > Como as pessoas daqui [dos Estados Unidos] podem apoiá-los?

Aazab > Espalhando a palavra de que Obama e o governo estadunidense estão apoiando ativamente a formação de Estados religiosos no Oriente Médio. O embaixador dos EUA disse que os egípcios deveriam aprender o significado da democracia! Porra, quem é ele para dizer isso?

Joshua Stephens é membro do conselho do Instituto de Estudos Anarquistas, e tem sido ativo em movimentos anticapitalistas e de solidariedade internacional nas últimas décadas. Ele passou grande parte dos últimos dois anos cobrindo movimentos sociais desde Nova York até Atenas, Cairo, Palestina e México para Truthout, AlterNet, NOW Lebanon, Jadaliyya, entre outros veículos. É autor de “Self and Determination: An Inward Look at Collective Liberation”, (2003, AK Press).
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Tradução: agência de notícias anarquistas-ana

Related Link: http://wagingnonviolence.org/2013/07/anarchy-in-egypt-an-intervie...uare/
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