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Lutar contra a Tarifa!

category brazil/guyana/suriname/fguiana | community struggles | news report author Friday April 05, 2013 04:34author by Federação Anarquista Gaúcha - FAG - CAB Report this post to the editors

Até que vença a vontade das ruas!

"Pra favorecer uma experiência de lutas que deve unir e organizar os setores populares, nenhum partido tem o direito e a autoridade de se colocar por cima, interferir em causa própria na expressão pública do movimento social, negociar nas costas da vontade popular. A relação de forças das ruas, dos piquetes, das ocupações e das marchas é que marca o caminho.
Tática apartidária pra luta social, não anti-partido e tampouco apolítica."
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O Bloco de Luta pelo Transporte Público encheu Porto Alegre com o protesto massivo da última segunda-feira (01/04/13). A ação repressiva não intimidou o movimento. Estudantes e trabalhadores deram uma valente demonstração de força depois do conflito sucedido na outra semana. Esta já é uma peleia para a história da capital quando o assunto é transporte coletivo.

Contrariando os interesses do governo, dos patrões e a tropa de choque da grande mídia, tem crescido e derramado pelas ruas a participação popular. Muitos jovens dos setores populares, vindos de distintas zonas da cidade tomam parte ativa nessa experiência. Nada e ninguém desloca a luta como a melhor escola para quem quer mudar a vida em coletivo, pra arrancar a cidade de um destino que se reserva só para as elites. O DIREITO A CIDADE, AOS SEUS SERVIÇOS, ESPAÇOS E BENS SOCIAIS, SEMPRE ESTARÁ EM CONFRONTO COM AS CATRACAS QUE TRANCAM NOSSO DIREITO DE IR E VIR. Essa é uma violação diária, costumeira, invisível, que o discurso da ordem não gosta de falar.

Nosso conceito de independência do campo popular

A unidade dos que lutam é um forte do movimento social. A imprensa burguesa investe pesado sobre esse ponto quando planta discórdia e monta espantalhos pelo nosso meio. Os protestos que ganharam a cena pública pelo Bloco de Lutas são formados por um conjunto de setores sociais e políticos, organizados ou não, que se uniram na pauta contra o aumento das passagens. Ao longo das manifestações novos aderentes acabaram reunindo cerca de 10 mil pessoas na marcha da segunda-feira. Essa luta será forte e decisiva enquanto for capaz de ser expressão pública deste sentimento popular fermentado que cansou de ver o caminho cortado com tarifas para o estudo, o trabalho e bens coletivos que produz a cidade.

Não temos a menor pretensão de representar o que se chama por lugar comum de movimento anarquista. Guardamos o respeito e as devidas diferenças com outras formações libertárias. Nós tomamos a palavra em direito próprio como uma organização política, que tem seus acordos e definições específicas, que se reconhece entre os oprimidos por esquerda, dentro da luta de classes, anticapitalista e antiburocrática.

Temos tratado de defender sempre os critérios que fortaleçam, que unam, que não desagreguem a energia que tem que ser acumulada para vencer uma luta que não termina logo ali. O “aparelhismo” joga contra a unidade dos que lutam, mata a pluralidade do campo popular. Como corrente libertária do socialismo aplicamos um conceito integral de independência das lutas sociais em relação a governos, partidos e patrões. Tática apartidária pra luta social, não anti-partido e tampouco apolítica.

Pra favorecer uma experiência de lutas que que deve unir e organizar os setores populares, nenhum partido tem o direito e a autoridade de se colocar por cima, interferir em causa própria na expressão pública do movimento social, negociar nas costas da vontade popular. A relação de forças das ruas, dos piquetes, das ocupações e das marchas é quem marca o caminho. As pautas que convocam e mobilizam os trabalhadores e os estudantes não podem ser deslocadas pelo partido, não pertencem a nenhuma legenda em particular, são do povo e para que participe massivamente.

Nem por isso está em nossos propósitos fazer obra de propaganda anti-partido. Aqui se respeita e reconhece o direito que tem o indivíduo de se organizar como partido, de acordo com os princípios e o programa que tenha mais afinidade. Só a luta pode ser um divisor crível de amigos e inimigos. Sem ignorar nossas diferenças, reconhecemos que no Bloco de Lutas tem lugar para os partidos e agrupações de esquerda que não se associam com o governo e os negociadores da capitulação. Tem lugar pra todas e todos que ajudam a construir um movimento combativo e de massas. O sectarismo não faz parte do nosso estilo militante, porque tem uma vocação definitiva para o partido único ou a religião.

Não formamos uma organização política para se fazer de intermediários burocráticos da pressão social, não buscamos o reconhecimento da mídia e das autoridades burguesas como interlocutores válidos. Nossa política aponta na construção de um povo forte. A ação direta como método de luta e a democracia de base como fator de participação decisiva do sujeito nas suas demandas são ferramentas para que cresça o poder popular, desde baixo. Nosso lugar é de impulso criador no interior das pautas do movimento social, no desenvolvimento de fatores ideológicos de mudança combativa, na construção de capacidade política pela união solidária dos trabalhadores, estudantes, o mundo dos oprimidos.

O protesto social deve ter suas próprias perspectivas, não é escada para a carreira eleitoral. Nas experiências sociais coletivas, no calor do povo na rua, no ombro a ombro da ação pública de massas também se gesta um povo forte que pode mudar a vida. A reapropiação social da cidade pelos seus trabalhadores, pelos filhos do povo, tem que ser obra dos próprios, das suas organizações de base, dos seus movimentos de independência dos controles do poder dominante. Nada substitui o passo contundente e decisivo da ação direta popular.

Barrar o aumento com a força das ruas e com ação direta popular!
Não tá morto quem peleia!
Lutar! Criar! Poder Popular!

Federação Anarquista Gaúcha

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