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Ratzinger e o paradoxo do conservadorismo

category brazil/guyana/suriname/fguiana | religião | opinião / análise author Monday March 04, 2013 02:26author by Bruno Lima Rocha Report this post to the editors

Karol Wotjyla e Joseph Ratzinger, o papa pop e seu ideólogo, um mineiro e um intelectual, criador e criatura do conservadorismo no Vaticano moderno. O polaco fora supremo em seu reino superficial, já o germânico não conseguira ser protagonista no próprio reinado.

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Por mais paradoxal que possa parecer, debatemos a renúncia do Papa Bento XVI passada a euforia do carnaval, a maior festa do país, e por sinal, profana. Como sempre, analiso o ocorrido sob o prisma da base da pirâmide. No caso, a partir de duas décadas de convivência com agentes de pastorais leigos, padres e freis vinculados a quase moribunda Teologia da Libertação, versão popular do cristianismo que o ex-secretário do polonês Karol Wotjyla tanto combateu.

Joseph Ratzinger, possivelmente, deixa o cargo por exaustão física e desgaste mental, ao perceber a incompatibilidade entre a produção intelectual de alto nível e a gestão executiva de um Estado supranacional, com burocracia autônoma e formas de financiamento pouco ou nada justificáveis. Se analisarmos as relações de força por dentro da Cúria Romana e das congregações hoje hegemônicas, verificaremos que alas conservadoras como Opus Dei, Comunhão e Libertação e Legionários, brigam entre si como facções rivais sem distinção de projeto teológico. No alto da pirâmide do apostolado romano, as relações entre fé e dinheiro são no mínimo promíscuas. Esta afirmação comprova-se com o império imobiliário denunciado pelo The Guardian e antes a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano. Em sua base, o conservadorismo católico afasta-se do dia a dia das pessoas comuns, reforçando a predileção pelo rito e disputando o rebanho com outras instituições religiosas de conversão massiva.

No Brasil, podemos fazer uma comparação nada esdrúxula. Qual seria a diferença substantiva entre um pastor neopentecostal fazendo pregação conservadora em um horário pago de TV e um padre ou bispo, realizando as mesmas pregações em um canal próprio? Talvez, a única distinção seja a da responsabilidade, pois para ser ordenado padre é preciso no mínimo oito anos de estudo, equivalente a dois cursos de nível superior. Vivemos na plenitude da hipocrisia. Condena-se um pastor por sua grotesca pregação de homofobia, mas calamos diante de intelectuais de batina, em sua maioria filósofos e teólogos, falando exatamente a mesma coisa. Após servir lealmente para o avanço conservador no papado de João Paulo II, Ratzinger exauriu suas forças por também colher o que semeou.

O paradoxo da tristeza é ver, na América Latina, as obras de pessoas como Camilo Torres, Óscar Romero, Samuel Ruiz, Pedro Casáldaliga, Ignacio Ellacuría, Hélder Câmara, Paulo Cerioli, dentre milhares de outros religiosos, submetidos a este tipo de hierarquia eclesial.

Bruno Lima Rocha

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author by Frei Bettopublication date Mon Mar 04, 2013 04:50Report this post to the editors

Bento XVI, ao renunciar, não perde o nome pontifício nem o direito de continuar no Vaticano, em cujas dependências já optou por permanecer após a eleição de seu sucessor, em março próximo. Como Papa renunciante, Joseph Ratzinger poderia escolher, como sua nova residência, qualquer domicílio da Igreja Católica em um dos cinco continentes.

Alguns arcebispos aposentados recolhem-se a mosteiros, como dom Marcelo Carvalheira, arcebispo emérito da Paraíba, que vive com os beneditinos de Olinda (PE); ou em casa própria, afastado do burburinho urbano, como é o caso do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, que mora em Taboão da Serra (SP).

Ao decidir permanecer no Vaticano, Bento XVI corre o risco de criar uma situação constrangedora. Ninguém duvida de que será ele o principal cabo eleitoral do futuro Papa. Ratzinger nomeou 56% dos atuais membros do Colégio Cardinalício. E seu gesto de humildade, ao renunciar, o credencia a concorrer a um futuro processo de canonização.

Com certeza passam pela cabeça de Ratzinger um ou dois nomes, entre os 209 cardeais (dos quais apenas 116 são eleitores), que considere mais aptos a assumir a direção da Igreja. Só um ingênuo supõe que o Papa renunciante fica isento frente a uma eleição tão delicada e importante. Dela depende o êxito da missão confiada por Jesus a Pedro e os apóstolos.

Os cardeais-eleitores não são obrigados a seguir uma possível sugestão de Bento XVI. Cada um tem o direito e o dever de votar de acordo com a própria consciência. Mas um bom número dos que dele receberam o chapéu cardinalício acredita ter com ele uma dívida de gratidão. Mesmo porque não gostariam de ver a barca de Pedro tomar rumos inesperados, como ousou João XXIII ao ser eleito, em 1958, para suceder a Pio XII.
Penso que o pontificado do futuro Papa terá duas etapas bem nítidas: a primeira, enquanto Bento XVI viver; a segunda, após a morte do Pontífice renunciante.

Enquanto Bento XVI estiver vivo, dificilmente o novo Papa tocará em temas considerados, hoje, tabu (e proibitivos) por seu antecessor: fim do celibato obrigatório, acesso das mulheres ao sacerdócio, uso de preservativo, direito de relação sexual sem intenção de procriar, novas núpcias de católicos divorciados, aplicação de células-tronco, união de homossexuais etc.

Nenhum debate sobre tais assuntos será permitido, ainda que prossiga entre os católicos a dupla moral: a defendida pela doutrina oficial e a praticada pelos fiéis.

Morto Bento XVI, e supondo que seu sucessor lhe sobreviva (o destino surpreende; lembrem-se de João Paulo I, falecido 33 dias após ter sido eleito, em 1978), então se iniciará a segunda etapa do novo pontificado. Livre da sombra de Bento XVI, o novo Papa se sentirá à vontade para imprimir aos rumos da Igreja a direção que lhe parecer conveniente.

Convém lembrar que o papado é a única monarquia absoluta que resta no Ocidente. Isso significa que o Pontífice romano não está sujeito a nenhuma instância humana que o possa questionar, julgar ou admoestar.

Ao me perguntarem se prevejo candidaturas preferenciais, os chamados “papabiles”, fujo da questão regional, como a hipótese de se eleger um latino-americano, dado que o nosso continente abriga, atualmente, o maior número de católicos (48,75 %). É óbvio que os italianos gostariam de retomar o monopólio do papado, mantido em suas mãos ao longo de 456 anos (1522-1978). Nesse caso, arrisco o palpite de que a disputa será entre o atual camerlengo, o cardeal Tarcisio Bertone, e o arcebispo de Milão, Angelo Scola.

Bertone tem a seu favor ser homem de confiança de Bento XVI. Contra, a má administração da Santa Sé, cujas finanças pecam por falta de transparência e frequentes casos de corrupção. Scola tem a seu favor ser renomado filósofo e teólogo, e também poliglota. Contra, tido como excessivamente conservador.

O único palpite que me parece viável é que o futuro Papa provavelmente será um homem com menos de 73 anos. O que restringe consideravelmente a lista dos virtuais candidatos.

Roma já não suporta tantos conclaves em tão curto período de tempo. Surpreendo-me ao constatar que, em quase sete décadas de existência, assisti à eleição de cinco Papas e, agora, acompanharei a sexta.

O tempo urge, o mundo já ingressa na pós-modernidade, e a Santa Sé ainda reluta em efetivamente aplicar as decisões do Concilio Vaticano II e admitir que fora da Igreja também há salvação.

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