user preferences

China, Brasil e o espelho retorcido

category internacional | ambiente | opinião / análise author Friday January 18, 2013 18:28author by Bruno Lima Rocha Report this post to the editors

A poluição de Beijing, em níveis absurdos e humanamente insuportáveis, é o reflexo de uma escolha de crescimento capitalista a todo e qualquer custo. [English]

beijingpollution.jpg

No sábado dia 12 de janeiro Beijing, capital da China e cidade imperial, bateu recordes absolutos de poluição atmosférica. Lembrando os piores dias de Cubatão, o ar ficou irrespirável superando em quarenta vezes os índices toleráveis pela humanidade.

Como já escrevi aqui em outras ocasiões, nada disso é novidade e faz parte do paradoxo contemporâneo. Desde que implantaram como razão de Estado o lema de Deng Xiao Ping (Enriqueçam!), o país de Mao Zedong não mede esforços para o crescimento econômico e o desenvolvimento – a qualquer custo - das forças produtivas. O problema reside aí.

Inicialmente através de Zonas de Processamento de Exportações (nos anos 1980), depois com a progressiva liberalização da economia (embora ainda sem a abertura do mercado de capitais), o capitalismo chinês aproximou dois extremos complementares. Por um lado, aplica de forma exemplar a premissa neoliberal de que as liberdades econômicas estão acima das liberdades políticas. Por outro, as formas de contenção das democracias liberais de pouco ou nada valem. Dentre estas, o pacote de leis ambientais, que embora melhorem a qualidade de vida dos cidadãos, em último caso, reduzem a produtividade e os ganhos em escala. Entre o lucro e a vida, os mandarins convertidos em empresários selvagens fizeram sua escolha.

Já a democracia brasileira arrumou uma “solução” para este mesmo problema. Temos outro tipo de paradoxo, menos sincero. Aqui se combinam a mais avançada legislação ambiental do mundo com um selvagem crescimento do agro-negócio e da extração de matérias-primas. Liderada pelas commodities soja e minério, a balança comercial brasileira ancora o crescimento nacional. Dependemos da venda de produtos primários sem valor agregado. A conta é salgada, tanto em termos de dependência da apreciação destas mercadorias como para os biomas brasileiros. O desenvolvimentismo nacional não leva em conta o fator cultural e nem as formas de vida. Projetos como Jirau ou Belo Monte materializam o conceito. Para completar a tragédia, os colunistas conservadores classificam quem defende o uso racional dos bens não duráveis de “eco chatos”.

Elogia-se o crescimento chinês em seus piores aspectos enquanto aqui se consolida uma irresponsável plataforma de exportação primária. A biodiversidade é considerada o ativo mais importante nos discursos oficiais, mas nunca é prioridade nas políticas de desenvolvimento. É esta a convicção do Executivo. O cenário internacional dos emergentes é como um espelho retorcido.

Bruno Lima Rocha

Related Link: http://www.estrategiaeanalise.com.br
This page can be viewed in
English Italiano Deutsch
Employees at the Zarfati Garage in Mishur Adumim vote to strike on July 22, 2014. (Photo courtesy of Ma’an workers union)

Internacional | Ambiente | pt

Sun 04 Dec, 06:47

browse text browse image

Sorry, no stories matched your search, maybe try again with different settings.

textAgenda mediática em Copenhaga Dec 08 by Manuel Baptista 0 comments

Temos de criar maior número de zonas autónomas, não temporárias, mas sim permanentes, Centros Sociais.
Para quê?
Para chamar as pessoas a construir os seus próprios modelos de relacionamento. Que não passem por relações hierárquicas ou pela mercadoria.

Sorry, no press releases matched your search, maybe try again with different settings.
© 2005-2016 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]