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A redução da Selic e os profetas do apocalipse

category brazil/guyana/suriname/fguiana | economia | opinião / análise author Wednesday September 12, 2012 02:14author by Bruno Lima Rocha - Federaçao Anarquista Gaúcha Report this post to the editors

A redução da Selic foi profetizada como um mal para a economia brasileira. Vem caindo a taxa básica e o país ainda não quebrou.

selic_set2012.jpg

Na primeira vez que a taxa Selic foi reduzida durante o governo da economista Dilma Rousseff ocorreu uma celeuma. Estamos na nona queda consecutiva e o país ainda não quebrou. Em agosto de 2011, profetas do apocalipse, colunistas especializados e consultores ocuparam a mídia influente do Brasil emitindo duas enunciações. A primeira, a de que os fundamentos da economia estavam sendo abalados em função de um possível risco inflacionário. A segunda, dizia estar o Banco Central do Brasil (BC) sob comando político e não “técnico”. Não se trata de apoiar o governo de coalizão e qualquer leitor sabe minha posição, Mas, isto não impede de ver o óbvio.

Os “fundamentos” da economia não existem como tal, até porque a economia não é uma disciplina e sim várias escolas de pensamento. Somos levados a crer na escola neoclássica, base do neoliberalismo, como “a economia”. Isto é falso. Originalmente a economia política era a base, porque nos processos reais, é impossível diferenciar alocação de recursos das definições do poder e processos decisórios. Separar a geração, distribuição e circulação de valores dos modelos de Estado, é uma grande piada. No mundo concreto é algo perigoso, bem sabem os chilenos sob a batuta dos Chicago Boys na ditadura de Pinochet.

Já o argumento da autoridade monetária ser gerida por critérios técnicos e não políticos é macabro. Neste arremedo de democracia, já é pouca ou nenhuma a soberania popular através do voto em representantes. Imaginemos o absurdo de ainda conviver eternamente com aquilo que eu, neste mesmo blog, na era de Palocci e Meirelles, denominei de governo do Copom? Podemos discordar das escolhas de investimento direto realizadas pelo Planalto, como o famigerado PNL que aloca mais recursos públicos no caixa privado. Mas, em contrapartida, diminuir progressivamente nosso endividamento e apostar em outros modelos de financiamento do Estado é o mínimo que se espera de um governo. Ou seja, quando o Executivo faz quase nada, ainda que isso leve a um Kit de Felicidades para quem já é muito feliz com o caixa do BNDES, esta ínfima decisão ainda é contestada pelos agentes do sistema financeiro.

Para quem julga ser exagero, basta observar a predileção “técnica” de ex-membros do Banco Central e da Fazenda e suas atividades contemporâneas. Quase todos estão a serviço da “técnica” pela qual geriam nossos recursos, sempre destinando valor aos operadores da jogatina financeira. Quem tiver interesse, basta cruzar os nomes para comprovar a tese.

Bruno Lima Rocha

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26 de julho de 2015, Bruno Lima Rocha

As frases são sempre as mesmas: "Populismo fiscal, suporte do Estado e fraude política a caminho"....assistimos a teleconferência apregoando o Manual do perfeito idiota daqueles que nos xingam de idiotas latino-americanos sendo aplicado.

Assistindo o programa Globonews Painel (deste sábado 25 de julho de 2015), cuja bancada era composta por dois economistas vinculados a consultorias privadas e um colega da ciência política igualmente vinculado a outra consultoria, me dei conta que há um tema de fundo nesta crise política. No primeiro mandato de Dilma, o ministro Guido Mantega de fato tentou uma inflexão desenvolvimentista, mas sem uma base social mobilizada e tampouco a predisposição do partido de governo para confrontar a sangria desatada de mais de 40% do orçamento da União para a especulação da agiotagem rentista. No segundo turno de 2014, houve uma eleição plebiscitária cuja chapa vitoriosa aceitou o brete do rentismo e chamara um ministro da Fazenda que apoiara Armínio Fraga para tomar conta do caixa da 8a economia do mundo.

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09 de julho de 2015, Bruno Lima Rocha

"Neste momento da política brasileira, com a presidente se equilibrando com 9% de apoio declarado; com o partido de governo recebendo “bola nas costas” de Lula, o líder com poder de veto e que melou o congresso do PT; com a canha rentista forçando uma inflação baseada em preços controlados; e, com a desinformação estrutural estruturando falsas consciências viralizadas nas redes sociais brasileiras, a conclusão é óbvia. Os setores que tiverem direitos adquiridos e não se mobilizarem, recusando-se a organização de tipo reivindicativo e classista, simplesmente corre o risco de perdê-lo. O Tea Party brasileiro existe embora seja multifacetado e chegou às raiais da desfaçatez. Sua meta passa por cumprir a profecia auto anunciada por Fernando Henrique Cardoso. Ao avançar no desmonte da herança varguista, irão pelo ralo também as estruturas da regulação do mundo do trabalho e boa parte dos direitos conquistados na Constituição de 1988. Todo o cuidado é pouco", escreve Bruno Lima Rocha, professor de ciência política e de relações internacionais.

Eis o artigo.

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"No Brasil o lobby formal é proibido, mas os setores empresariais com mais poder de pressão conseguem isentar-se das medidas mais duras. Observamos uma cadeia alimentar, onde o setor financeiro-especulativo comanda; seguido dos setores com poder empresarial para fechar grandes contratos de governo ou arcar com a infra-estrutura do país e após setores específicos - alguns voltados para exportação - com condições de influência sobre bancadas estaduais e federais. O aumento do custo da geração de emprego direto para o empregador faz parte da fórmula da ortodoxia neo-neo monetarista e o resultado societário é horrível", constata Bruno Lima Rocha, professor de ciência política e de relações internacionais.

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15 de junho de 2015, Bruno Lima Rocha

Tendo como pano de fundo o 5º Congresso Nacional do PT, Bruno Lima Rocha, jornalista e cientista político, professor de Relaões Internacionais, afirma "o lulismo vai deixar uma sequela ideológica difícil de ser superada tanto nesta agrupação política como na sociedade brasileira".

Segundo ele, "superar o paradigma do pacto de classes e do minimalismo vai exigir profunda autocrítica e radicalidade através das bases sociais mobilizadas".

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30 de Maio de 2015, Bruno Lima Rocha

O nome deste breve texto poderia ser: como é simples expor as bases do rentismo e mobilizar quem está organizado para combater este absurdo. No final da tarde de 19 de maio tive a oportunidade de retornar ao contato com a base de trabalhadores do município de Cachoeirinha (Sindicato dos Municipários de Cachoeirinha), na Região Metropolitana de Porto Alegre. O tema da formação para a categoria era a relação da dívida pública com a financeirização da economia e a ausência de controle democrático sobre os rumos da riqueza nacional. A exposição em si levou menos de uma hora e quinze minutos, incluindo um saudável intervalo.

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