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O silêncio de Cachoeira e seus efeitos

category brazil/guyana/suriname/fguiana | economia | opinião / análise author Wednesday May 30, 2012 01:28author by Bruno Lima Rocha - Federação Anarquista Gaúcha Report this post to the editors

Cachoeira se cala diante da CPMI que leva seu nome. Ao seu lado e em sua defesa, o ex-Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

cachoeirabastos.jpg

O Brasil é um país de contrastes e, como venho afirmando aqui nesta publicação (com a devida repercussão), materializam-se os conceitos fundamentais da linha crítica da Economia Política. Sabemos que existem relações assimétricas no acesso aos recursos e possibilidades existentes no sistema liberal de representação e divisão de poderes.

É da natureza do sistema tanto a desigualdade como a injustiça. Na maior parte das vezes, tal dimensão não se faz expressa de forma direta. Mas, por vezes, a teoria da brecha jornalística (a da verdade factual que de tão chocante pode ser transformadora) escancara tudo.

Depois da tarde de 3ª, 22 de maio, onde o empresário com investimentos múltiplos Carlos Augusto Ramos (Carlinhos Cachoeira) compareceu a CPMI aberta em “sua homenagem” e nada disse, ficou explícita a contradição presente. Ao seu lado um dos maiores criminalistas vivos do país, simplesmente o ex-ministro da Justiça do primeiro governo de Luiz Inácio, o doutor Márcio Thomaz Bastos. Imagens falam mais que mil palavras.

Entendo que Cachoeira, assim como qualquer outro cidadão brasileiro tem direito a ampla defesa e jamais deve tolerar a geração de provas contra si. Nada houve e nem há de ilegal, o problema é outro e trata do resultado das investigações e o impacto societário.

Se a CPMI acabar em pizza (mais uma) isto fortalecerá ainda mais a noção de que, em podendo pagar bons advogados e tendo a capacidade de comprometer estruturas de poder centrais, pessoas e empresas influentes quando alvos de investigação terminam por não ser julgadas e muito menos punidas.

E pelo andar da coisa, vai melar de novo. Ou seja, através de recursos advindos do tecnicismo jurídico, é possível que as operações Monte Carlo e Las Vegas da Polícia Federal tenham suas provas anuladas.

Vamos entender o dilema. A população anseia pelo Estado vingador, buscando o sentimento de justiça distributiva, onde o andar de cima da pirâmide social teria de, em algum momento, pagar por crimes de colarinho branco. É óbvio que um Estado de Direito necessita de um sistema jurídico, onde os códigos legais atendam uma norma de garantias.

Também é óbvio que o período ditatorial provou para os brasileiros como é nefasto o aparelho policial que arranca os dados e provas dos alvos de investigação.

Tamanha injustiça gera danos. Como pedir “bom comportamento” para o andar debaixo quando os exemplos das elites nacionais (políticas, econômicas e culturais) são os piores possíveis e quase ninguém paga por isso?

Bruno Lima Rocha

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09 de Outubro de 2014 – Bruno Lima Rocha

O país líder da América Latina, do MERCOSUL e dos arranjos diplomáticos latino-americanos se vê numa encruzilhada. Há um consenso do meio para baixo da pirâmide social brasileira. Nosso eleitor mediano, de fato não admite um retrocesso em termos de políticas públicas, não tolerando um discurso que implique na redução do papel do Estado na economia e na garantia dos avanços nas condições materiais de vida. Marina não conseguiu explicar como propunha “nova política” e contava com participação de economistas neoliberais em sua equipe formuladora de programa de governo. Aécio teve – e terá – de se explicar (e fazer crer) que em nenhuma hipótese irá desmontar o aparato de políticas sociais do lulismo.

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1º de outubro de 2014 - Bruno Lima Rocha

Falta pouco e a escalada especulativa convoca para a necessidade de expormos pílulas da última semana antes do 1o turno nacional. Comecemos pela lógica de gerar fato político através da espiral da informação alarmista, retroalimentada pelas relações entre especialistas e negociantes. Vamos lá. O analista eleitoral Antônio Lavareda expressou na manhã de 3ª, 30 de setembro, na mais forte emissora de rádio da Província de São Pedro, a expectativa do "mercado financeiro" a respeito da primeira rodada eleitoral. Compara-se o momento com 2002, quando o ex-gerente de operações de George Soros, Armínio Fraga - hoje homem de confiança e operador do JP Morgan - era presidente do Banco Central. Na época, o dólar bateu R$ 4,00 e o "mercado" forçou uma situação de fato que terminou com a fatídica reunião dos executivos do mundo financeiro com o futuro ministro da Fazenda Antônio Palocci.

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Bruno Lima Rocha, 18 de setembro de 2014

Na reta final do 1º turno, faltando menos de vinte dias para o pleito, parece que finalmente houve um ajuste da estratégia de campanha do partido de governo (PT) e da defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff. Como havíamos dito anteriormente, o pior dos mundos para a situação seria uma versão do lulismo mais palatável para os operadores midiáticos e com livre trânsito nos agentes com poder de veto. Tal produto de marketing político é a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. E, sua maior virtude publicitária, termina por tornar-se o alvo visível e concreto dos ex-correligionários petistas.

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10 de setembro de 2014, Bruno Lima Rocha

Costumo perseguir os padrões de permanência do fazer político, especificamente do Jogo Real, que é o conjunto de regras concretas (legais ou não), moralmente defensáveis ou não, formando partes constitutivas das disputas eleitorais e da gestão do Estado capitalista. Infelizmente, parece que é a sina da esquerda eleitoral tornar-se a força renovadora da política tradicional. Assim os discursos vão lavando e de programa mínimo em programa mínimo, de pragmatismo em praticidade.

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Bruno Lima Rocha, 28 de agosto de 2014

No meio da corrida eleitoral de 1º turno, onde a 7ª economia do mundo vai decidir seu destino consultando a vontade e desinformação da 79ª sociedade mundial em índice de IDH, é preciso fazer uma série de reflexões. Para tal, precisamos ir além da denúncia do esvaziamento da democracia em sua versão liberal e indireta. Entendo que vivemos um problema estruturante, que tem relação direta com dois fenômenos. O primeiro passa pela individualização do cotidiano, com tarefas que se multiplicam e tempos esgotados. O capitalismo em sua era informacional não dá tempo hábil para a vida coletiva e menos ainda para as experiências políticas massivas. Quando isto ocorre, temos uma “crise”, como em junho de 2013. Saudável “crise” por sinal.

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