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A criminalização dos agentes econômicos

category brazil/guyana/suriname/fguiana | economia | opinião / análise author Tuesday May 08, 2012 04:58author by Bruno Lima Rocha - Federação Anarquista Gaúcha Report this post to the editors

Operação Mão Dupla, feita pela Polícia Federal com a Controladoria-Geral da União, apontou a construtora Delta como líder de um esquema de corrupção que desviou milhões de reais em obras do Governo Federal. É preciso pensar a corrupção como um balcão de negócios. De um lado está o agente público, do outro, o agente econômico. Um só existe com a ajuda do outro.

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O noticiário brasileiro é uma aula de economia política. Se analisarmos o modus operandi dos líderes de oligopólios (como telecomunicações, construção civil, serviços públicos terceirizados, dentre outros), veremos conceitos-chave, capazes de explicar porque temos uma sociedade ainda tão desigual e porque a moral privada das elites políticas no Brasil (fisiológica e patrimonial) casa tão bem com o vale-tudo empresarial que nos acostumamos a ver.

Conceitos como relações assimétricas (desiguais) entre agentes econômicos e representações sociais diante do Estado; barreira político-institucional (como a bancada do latifúndio); oligopólio como classe de mercado (quebrando o falso mito do capitalismo concorrencial); o Estado como pagador de última instância (e promotor de fusões e concentrações de capital); assim como a impunidade seletiva (os grandes nunca são punidos), ocupam páginas e telas jornalísticas brasileiras praticamente todas as semanas.

Ouso afirmar que não é a corrupção político-empresarial uma pauta fixa, mas sim a criminalização do agente econômico. Isto se dá por duas razões complementares.

Uma por que as grandes empresas têm nas compras e contratos com os três níveis de governo uma fonte permanente de alta lucratividade. Segundo, pelo fato de que para estes contratos saírem, por mais que circule ideologia jacobina dentro do aparelho de Estado, tem gente importante do outro lado do balcão disposta a quase tudo.

Para a sorte deles nossa sociedade ainda é composta de uma massa de iletrados e semi-analfabetos com pouco hábito de leitura e opinião sobre os temas mais importantes do país. Assim, o contraponto da boa sorte para os piratas do erário público é a desgraça da maioria dos brasileiros.

Chaga esta alimentada pela desorganização dos setores sociais em reivindicação, pasmaceira fruto do presidencialismo de coalizão exercido por um governo de centro-esquerda não classista, portanto, distante da mobilização social.

Se tivéssemos distintas formas de reação, haveria resposta popular imediata diante de algumas operações da Polícia Federal, como a Chacal, Satiagraha, Gautama, Castelo de Areia e Monte Carlo. Teríamos outro país com dez por cento destes grupos empresariais punidos, com bens bloqueados e contratos suspensos.

Na ausência desta pressão popular, vemos através da grande mídia, a criminalização dos agentes econômicos, reagindo de forma tão distante quanto o povo boquiaberto assistindo ao golpe de Estado que proclamou a República.

Bruno Lima Rocha

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Bruno Lima Rocha, 10 de maio de 2015

Na noite de 4ª, 5 de maio o texto-base da Medida Provisória 665 foi aprovado na Câmara com o apoio de boa parte da base do “governo” tendo a bancada federal do Partido dos Trabalhadores (PT) fechado questão a favor. Na véspera da votação, o mundo parecia de ponta cabeça, incluindo a rebeldia de parlamentares petistas, seguindo a linha de independência e algum classismo manifestado pelo senador e ex-trabalhador metalúrgico Paulo Paim. No plenário da câmara baixa, houve de tudo. Seguindo a lógica maquiavélica, onde moral e política podem não se coadunar e tampouco a coerência discursiva vale de algo, a oposição da direita que não é governo se portara como o PT dos anos ’80. Parlamentares tucanos e udenistas brandiam réplicas de papelão de carteiras de trabalho e nas galerias, a Força Sindical se travestia de base autêntica do período da Conclat. Tudo para constranger o governo de centro-direita e tentar aumentar a celeuma entre a direita que está no governo e a que se localiza fora da partilha dos ministérios.

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