user preferences

[Brasil]Situação dos Kaiowá às margens da MS 384 é grave

category brazil/guyana/suriname/fguiana | indigenous struggles | news report author Friday January 13, 2006 06:28author by Por voluntári@s do CMI-Goiânia em MS Report this post to the editors

Situação dos Kaiowá às margens da MS 384 é grave

indios na beira da rodovia
indios na beira da rodovia

Situação dos Kaiowá às margens da MS 384 é grave

Por voluntári@s do CMI-Goiânia em MS
12/01/2006 às 19:20


A situação dos Kaiowá despejados de sua terra Ñande Ru Marangatu e agora acampados às margens da MS 384, é grave.

A situação dos índios Kaiowá Guarani despejados de sua terra Ñande Ru Marangatu no dia 15 de dezembro de 2005, em Antonio João no MS, é grave. Os índios que estão acampados às margens da estrada de terra MS 384, que liga os municípios de Antonio João e Bela Vista, tiveram suas casas e pertences destruídos pelos fazendeiros, que não os deixam ter acesso as suas plantações, nem permitem que eles busquem lenha dentro da área em disputa. A Funai e o Ministério Público Federal em Dourados vem tentando impedir a destruição das lavouras dos indígenas ou ao menos fazer um levantamento dos prejuízos para poderem indeniza-los, mas os fazendeiros pressionam para destruírem tudo o mais rápido possível. O grande problema é que os técnicos que deveriam fazer o levantamento até hoje não foram enviados pela Funai, que alega falta de verbas.

Os indígenas relatam que vem recebendo várias ameaças de morte de homens desconhecidos. Algumas dessas ameaças foram feitas de forma clara, dizendo aos indígenas que para que não retornem à fazenda Santa Creusa (para os indígenas trata-se da região do Pikyry), para pegarem seus pertences ou trabalharem em suas lavouras, pois caso isso aconteça serão mortos. Os homens que fizeram essas ameaças, segundo os indígenas, também procuravam saber quem era o responsável pelo acampamento na beira da estrada. A fazenda Santa Creusa tem cerca de 800 hectares dentro de Ñande Ru Marangatu e se localiza a 5 km de Antonio João.

Os acampados na estrada vivem agora de maneira completamente diferente da tranqüilidade e fartura que tinham em suas terras. As barracas de lona são precárias, não suportam as chuvas fortes e são muito quentes no calor intenso desta época do ano. A comida vem através de doações de órgãos do governo federal, como a Funasa, e de outras entidades de apoio, mas tem sido insuficientes, já que muitas famílias reclamam estar passando fome. Não há condições mínimas de saneamento e a água que usam vem de canos improvisados pelos indígenas que levam a água a algumas poucas e pequenas caixas d’água. Devido ao forte calor, a água acaba esquentando, pois os canos estão a céu aberto e não evitam que a água esquente. “É preciso que a prefeitura de Antonio João abra uma valeta para o cano, para evitar que ele fique exposto ao sol”, pede Rosa Ribeiro, que mora na aldeia Campestre, mas resolveu acampar as margens da estrada para ficar junto da irmã. Outro problema é o trafego constante de carros e caminhões na estrada, que levanta poeira constantemente, ameaça as diversas crianças que agora brincam na estrada e em suas margens, além do barulho durante todo o dia e noite.

Não bastasse tudo isso, ainda existe a ameaça trazida pelos agrotóxicos que são borrifados nas lavouras de soja que ficam as margens da estrada, ao lado dos barracões montados pelos indígenas. “Eu estou muito preocupado com a situação, principalmente com as crianças, que podem ser envenenadas”, diz Dário Peralta, um dos indígenas acampados. “Isso é muito grave, é necessário que a Funai e a Funasa façam algo para nos proteger”, diz. A Funai foi avisada e informou que ligou para o fazendeiro pedindo que parasse de borrifar o agrotóxico. Segundo Sebastião ???, agente da Funasa da aldeia Campestre, uma criança foi intoxicada, e sua situação é grave já que também está com desnutrição severa. Ela foi encaminhada ao hospital em Antonio João para receber tratamento, junto à outra criança que também sofre com a desnutrição. E elas não são as únicas, outras 25 crianças sofrem com o mesmo estágio de desnutrição. Sebastião relata que em Ñande Ru Marangatu a situação vinha sendo controlada, mas que após o despejo os casos vem aumentando e podem sair do controle. “As condições na estrada são todas propícias para que a saúde das crianças piore, não há água fresca, existe muita poeira, sujeira, agrotóxicos das lavouras de soja e a própria perda da liberdade das crianças, já que os pais têm medo de deixa-las brincar livremente devido ao movimento de carros”, alerta. No entanto, o coordenador da Funasa para a região, Gildo Galeno, mostrou-se insatisfeito com as denuncias feitas pelos indígenas, alegando que a desnutrição não acontece por falta de comida. Ele chegou inclusive a repreender os agentes da Funasa em Campestre, que haviam falado da situação calamitosa das crianças indígenas a alguns jornais. A reação de Gildo causou indignação entre a comunidade Kaiowa. “Nós temos que falar a verdade sobre o sofrimento do nosso povo, não estamos aqui pra agradar a Funasa. Ela existe em função dos índios e deve trabalhar em prol deles”, diz Eugênio ???.

Os adultos por sua vez ressentem-se pela perda de sua terra, de seu modo de vida, de sua tranqüilidade. “Em nossa terra tínhamos tudo que precisávamos, agora dependemos da caridade dos outros para comer e temos que enfrentar essas péssimas condições com muito calor, e, quando chove, com o barro que invade os barracos”, reclama Polônia de Sousa. Todos se mostram angustiados com sua situação, e, apesar de esperarem que a justiça seja feita, não mais acreditam nela. “Nós respeitamos a lei e saímos da área pacificamente, mas a lei nunca respeita os nossos direitos”, diz o indígena Hamilton Lopes.

Email:: goiania@midiaindependente.org; contato@midiaindependente.org

indios na beira da rodovia 2
indios na beira da rodovia 2

imagem_211.jpg

This page can be viewed in
English Italiano Deutsch
Workers Solidarity 127

Latest News

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana | Indigenous struggles | News Report | pt

Wed 30 May, 14:25

browse text browse image

atopoa1.jpg image[Brasil]Ato em Porto Alegre em Solidariedade a Oaxaca 08:53 Sat 11 Nov by lutador popular 1 comments

manifestao_1.jpg imageInquérito sobre morte de Dorvalino deve estar pronto até fim do mês 20:36 Fri 13 Jan by voluntários do CMI-Goiânia em MS 0 comments

imagem_006.jpg imageFotos da situação dos Índios Kaiowá no Mato Grosso do Sul 06:49 Fri 13 Jan by Por voluntári@s do CMI-Goiânia em MS 0 comments

jovem indio Kaiowá imageGuarani Kaiowá protestam por justiça em Dourados - MS 03:21 Fri 13 Jan by Por voluntári@s do CMI-Goiânia em MS 1 comments

Opinion and Analysis

imageMoção de Apoio à Ocupação da Sede da Funai em Brasília pelos Povos Indígenas Jan 24 by Federação Anarquista de São Paulo (FASP) 0 comments

textMobilizações Sociais na América Latina Jun 16 by Felipe Corrêa 0 comments

imageAs crianças Kaiowa de Ñande Ru Marangatu Jan 13 by voluntári@s cmi Goiânia no MS 0 comments

© 2005-2012 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]