Guarani Kaiowá protestam por justiça em Dourados - MS
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Friday January 13, 2006 03:21
by Por voluntári@s do CMI-Goiânia em MS

Guarani Kaiowá protestam por justiça em Dourados - MS

jovem indio Kaiowá
Guarani Kaiowá protestam por justiça em Dourados - MS
Por voluntári@s do CMI-Goiânia em MS
12/01/2006 às 18:08
Ontem, dia 10 de janeiro, indigenas Guarani Kaiowá, Ñandeva e Terena protestaram na cidade de Dourados, em Mato Grosso do Sul, contra as injustiças contra os povos indigenas do estado.
Indígenas de diversas aldeias de Mato Grosso do Sul protestaram nesta quarta-feira, 10, na cidade de Dourados reivindicando a devolução do tekoha Ñande Ru Marangatu – de onde foram despejados os Kaiowá no dia 15 de dezembro de 2005 – a punição ao assassino do indígena Dorvalino Rocha – morto dias após o despejo por um segurança contratado por fazendeiros – além disso, cobraram solução para todos os conflitos envolvendo territórios indígenas em MS e a punição para os assassinos de várias lideranças indígenas, impunes até hoje.
A manifestação teve inicio por volta das nove horas da manhã, na praça Antonio João, onde diversas lideranças indígenas discursaram se solidarizando com a situação de seus irmãos em Ñande Ru Marangatu, conclamando todos a luta por seus direitos. “A justiça só acontece com a nossa pressão”, disse o líder da aldeia Pananbizinho, Valdomiro Osvaldo Aquino. Para o líder Avelino, da aldeia Porto Lindo, somente com constantes protestos e manifestações a luta indígena terá validade. Um manifesto do povo Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul foi lido por um dos líderes da aldeia de Dourados, Anastácio Peralta. Enquanto eram feitos os discursos os rezadores dançavam e cantavam. Diversas faixas foram abertas trazendo mensagens para a população e frases de protesto. Umas das lideranças de Ñande Ru Marangatu, Hamilton Lopes, relatou o sofrimento pelo qual todos eles tem passado, desde o despejo até a precária situação em que vivem na beira da estrada. Em lágrimas, lamentou a morte das lideranças indígenas.
Em seguida os protestantes seguiram em marcha pelas ruas da cidade até o Ministério Publico Federal de Dourados. Lá foram recebidos pelo Procurador Geral da Republica, Charles Stevan , e pelo antropólogo do MP, Marcos Homero. Em frente ao prédio do MP, os indígenas relataram os problemas que vem enfrentando, como ameaças de morte pelos fazendeiros e a desnutrição de suas crianças, cobraram justiça em relação à impunidade aos que atentam contra eles e a resolução para os conflitos de terra, principalmente para a situação de Ñande Ru Marangatu. Enfatizaram que o índios vem sendo tratados não como seres humanos, mas sim como animais, valendo menos que as cabeças de gado dos fazendeiros. Um grupo de crianças indígenas apresentou a canção “Brasil”, que fala da situação dos índios Guarani Kaiowá.
Uma carta foi lida e entregue ao Procurador Charles Stevan, que esclareceu aos indígenas como estão encaminhados alguns de seus problemas na justiça. Ele próprio sugeriu que todos saíssem dali e seguissem para a Justiça Federal a fim de conseguirem uma audiência com o Juiz Federal Roberto Polini, buscando sensibiliza-lo para a luta indígena. Roberto Polini foi o Juiz que concedeu a reintegração de posse da área de Ñande Ru Marangatu aos fazendeiros. A idéia foi aceita e a marcha seguiu até a Justiça Federal, mas o Juiz ainda não havia chegado. Os indígenas resolveram esperar por ele e iniciaram novamente suas danças e cantos, mesmo estando sob forte calor e sem almoçar. Duas viaturas da Policia Federal foram ao local a mando do Juiz, que já havia sido avisado da presença dos indigenas, para averiguar como estava a situação, e uma delas permaneceu até o fim da audiência, que foi acontecer somente no fim da tarde. Uma comissão formada por lideranças mais o Procurador Charles foi recebida pelo Juiz Polini que ouviu deles relatos e cobranças a respeito dos abusos que tem sofrido. O Juiz por sua vez informou que está abandonando o cargo, que será assumido por dois novos Juízes. O procurador Charles informou aos indígenas que irá buscar sensibilizar os novos Juízes para a sua causa, inclusive tentando leva-los para visitar as aldeias e reforçou que os protestos e manifestações devem continuar, pois ele somente não tem força para enfrentar os poderes opositores aos indígenas. O ato se encerrou com falas de algumas lideranças, que consideraram positiva a manifestação e reforçaram que a luta ira continuar até que seus direitos sejam integralmente respeitados.
Email:: goiania@midiaindependente.org; contato@midiaindependente.org
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Comments (1 of 1)
Jump To Comment: 1Só fazendo como os zapatistas no México é que os nativos do Brasil e de outros países latinos acabarão com o processo de extermínio pelo qual vêm passando, pois a classe opressora e o estado praticam o extermínio de forma clara e sem piedade, seja de forma direta, através de pistoleiros, ou então através da expulsão dos mesmos de suas terras e da exclusão e negação de seus direitos.