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Há que pensar em Haiti

category américa central / caribe | imperialismo / guerra | non-anarchist press author Thursday October 20, 2011 21:43author by Susadny González Report this post to the editors

Entrevista com Camille Chalmers

A terra de Touissant Loverture, destroçada pelo terremoto de 12 de janeiro de 2010; flagelada por uma mortífera epidemia de cólera e ocupada por organismos internacionais –operam em nome da ajuda humanitária-, traz à mente uma só palavra: Socorro!, como o título de um poema de Antón Arrufat, o­nde o escritor alude à aterradora solidão e se pergunta:

Já não restam mãos no mundo?

Para a sorte da nação mais pobre do Hemisfério, restam ainda muitas mãos e também muitas vozes dispostas a mobilizar as energias de um continente em vias de acabar com a "quarentena” imposta pelos impérios desde o século XIX, em flagrante agravo à dignidade, à justiça, à democracia, à soberania e à inteligência de um povo capaz de conduzir a primeira luta independentista do planeta contra a expansão capitalista, segundo subscrevem em sua declaração os intelectuais e artistas da Rede em Defesa da Humanidade que, por esses dias, reuniram-se em Havana.

Entre os pensadores de esquerda assistentes ao encontro-Curso esteve o haitiano Camille Chalmers, ativista de um impressionante movimento popular em seu país, para quem essas redes supõem a possibilidade de "criar uma verdadeira solidariedade: fraterna, equilibrada, como a que demonstram as brigadas médicas cubanas em meu país”.

"Construir América Latina implica em integrar as diferenças e as culturas, e passa também por dar uma resposta à crise haitiana. Temos que pensar no Haiti. Agora, só temos a resposta dos senhores imperialistas. Infelizmente, alguns governos estão se aliando e ainda predomina um silêncio entre as forças democráticas frente ao escândalo que constitui a ocupação militar estrangeira”.

Susadny González

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- Em que projetos está envolvido hoje, para desde as redes e à frente do movimento popular, romper as estruturas que tornam o Haiti mais dependente?

- Estamos enfocados em três temas básicos: a soberania alimentar, a integração econômica e a democracia participativa, um trabalho global e de acompanhamento de organizações sociais junto com redes continentais, como a Aliança Social Continental; e mundiais, como o Jubileu Sul. Essa última trabalha no problema da dívida, porque pensamos que um dos problemas do Haiti é a "quarentena” imposta pelos impérios desde o século XIX.

- Pode-se falar em avanços conquistados pelo movimento?

- A resistência do povo haitiano é um resultado que se expressa no fato de que nunca puderam realmente impor um projeto neoliberal completo. Usam a crise gerada pelo terremoto para transformar o país como base de serviço de transnacionais, o que traria mais miséria, marginalização e vai produzir a fragmentação da sociedade, que já sofre muita atomização devido à presença imperial. Se utiliza o pretexto de um país caótico para justificar essa intervenção.

Temos um tecido de organizações camponesas muito forte que teve um ponto de relançamento em 1986, com a luta contra a ditadura de Duvalier. A república se sustenta graças a seu trabalho. Produzem 46% da dieta cotidiana dos haitianos, enquanto outros países do Caribe apenas superam 20%. Porém, mesmo quando constitui um trabalho básico na estrutura econômica, não são reconhecidos no discurso dominante.

Há um processo de reconstituição de novas organizações camponesas que buscam outras formas de articulação em vista de um movimento nacional que nos últimos anos tem visado duas lutas: contra os transgênicos e contra os agrocombustíveis. Há também uma batalha contra a instalação de zonas francas, que envolvem 70% de mão de obra feminina, em condições de sobreexploração.

O movimento de mulheres está muito bem estruturado e alcançou vitórias não somente no que se refere à sensibilização global sobre o tema de gêneros, mas também na luta contra a violência sexual. Em nossa plataforma, o grupo Sofa reúne a mais de 52 mil em todo o país, com clínicas que recebem mulheres violentadas. Realizam todo um trabalho educativo. Além disso, existe um movimento operário, um pouco debilitado pela corrupção financiada desde o exterior. E o movimento de bairros, que tem um papel importante nos anos 90. Com o regresso de Jean-Bertrand Aristide, foi manipulado e agora está se reconstituindo. O problema é que esses grupos sociais não têm uma representação política. A agenda da elite permanece alheia às preocupações do povo. São partidos políticos que, da mesma forma que o presidente Michel Martelly, invenção mediática dos Estados Unidos, executam os planos de dominação imperial. Nenhum possui recursos, vontade nem visão para uma ruptura real.

- Você crê que é preciso outra revolução?

- Com certeza! Uma que rompa com esse modelo dependente, com a exclusão. Estamos dispostos a continuar com a vocação internacionalista dos primeiros fundadores. Porém, não é só uma tarefa nacional.

- Você menciona a exclusão sofrida por seu país e se refere a um discurso dominante que ignora a influência da cultura haitiana no continente. Quais seriam algumas dessas colaborações?

- A ignorância sobre a realidade do Haiti, sobre as contribuições de sua revolução explica um pouco essa presença inaceitável. Nas enciclopédias francesas, quando se fala da abolição da escravidão, há um silêncio total sobre o que aconteceu em 1793; somente mencionam a de 1848. Haiti também foi excluído do Congresso Anfitiônico do Panamá, sob a pressão dos Estados Unidos. Poucas pessoas sabem que os primeiros dirigentes daquela gesta (da revolução Haitiana) reivindicaram a continuidade da luta dos povos originários. Por isso, Dessaline (primeiro presidente em 1804) decidiu retomar o nome indígena de Haiti, rompendo com a tradição francesa colonial. Para ele, a emancipação significava um laço de continuidade e luta histórica entre os povos indígenas e os povos africanos. Tinha uma clara consciência da vocação internacionalista da Revolução Haitiana. Decidiu ajudar a Miranda, a Bolívar, publicou um decreto convidando a todos os negros escravos do mundo a vir ao Haiti. Alguns de seus sonhos eram construir um exército para libertar aos escravos do continente africano.

- Em uma nação devastada, o­nde toda necessidade de advogar pela cultura passa primeiro pelas urgências sociais, como criar esses relatos, essa nova linguagem que contribua para a emancipação e para a integração da América Latina?

- O povo haitiano é muito criativo. Temos um dinamismo cultural em diferentes manifestações. A poesia existe em todos seus bairros. Nas casas mais pobres encontras pinturas de muito valor artístico. Porém, essa criatividade tem sido também marginalizada, excluída do âmbito global.

Refazer o Haiti significa levar em consideração essa criatividade popular e colocá-la no centro do projeto nacional. Devem ser os haitianos os atores centrais do processo.

-Nesse sentido, qual seria o papel dos intelectuais?

- Escutar, ajudar a recodificar, a tornar visível essa criatividade popular; conectar com o mundo e contrapor os discursos de imagem negativa que estão projetando sobre o Haiti.

Camille Chalmers é o líder da Plataforma Haitiana para um Desenvolvimento Alternativo (Papda), uma coalizão de organizações sindicais e camponesas –eram a coluna vertebral política da resistência cultural à ditadura de Jean-Claude Duvalier-, sem a qual, diz: "não há esperança de realizar as tarefas básicas de desenvolvimento e criação de instituições democráticas que o povo haitiano tanto necessita e merece”.

Economista de profissão, investe sua capacidade para estabelecer um novo consenso de resistência ao programa de reestruturação econômica que o FMI e o Banco Mundial tentam impor no território, e que ele define como "um segundo golpe de Estado”, que pretende expulsar a maioria dos haitianos da arena política e concentrar a riqueza em um pequena porcentagem da população.

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