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Cão que morde o dono

category internacional | anti-fascismo | opinião / análise author Saturday July 23, 2011 20:01author by Manuel Baptista - (a título pessoal) Report this post to the editors

«Eles são indispensáveis para colocar na defensiva os movimentos sociais. Eles têm tido rédea livre para perpetuarem ataques racistas e violentos, especialmente contra emigrantes, em França, na Alemanha, na Itália, em Espanha, na Holanda, etc...»
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Os atentados fascistas da Noruega fazem despertar a classe dominante para um pesadelo que ela própria engendrou, ao longo dos anos. A brutalidade destes atentados, assim como o seu carácter (atacando edifício central do governo e o congresso da juventude social-democrata, no poder) são indicativos de que o dispositivo de segurança existente (assim como a visão preconceituosa da mídia corporativa) estava completamente focalizado nos perigos de um terrorismo islamita radical, ou de uma largamente fabricada ameaça por parte de «anarquistas»...

Com efeito, o Estado, seja em que país for, desde os EUA, à Rússia e até à própria Alemanha, nunca considerou a movida de extrema direita como uma verdadeira ameaça de segurança.

Pudera! Eles são indispensáveis para colocar na defensiva os movimentos sociais. Eles têm tido rédea livre para perpetuarem ataques racistas e violentos, especialmente contra emigrantes, em França, na Alemanha, na Itália, em Espanha, na Holanda, etc... têm também sido «deixados em paz» quando o seu alvo é grupos, sedes, concentrações de extrema-esquerda ou anarquistas. Tal como em Oklahoma os fascistas puderam preparar meticulosamente os seus atentados sem qualquer risco de serem interceptados previamente, o aparato de segurança norueguesa estava todo ele concentrado em monitorizar as andanças de islamitas radicais e (provavelmente) grupos anti-capitalistas. É nisso que gastam o seu tempo e o dinheiro dos contribuintes, as «secretas» dos vários Estados do continente europeu!

O Estado, o aparelho de poder, precisa dos fascistas para amedrontar o movimento dos trabalhadores, o movimento sindical, os grupos políticos radicais. Isso foi usado vezes sem conta ao longo da história, na Europa, na América do Sul, nos EUA e em muitos outros lugares.

Quando o Estado não está tomado pelas hordas fascistas, tem de dar uma aparência de legalidade, de «Estado de Direito». Então vai ter uma cobarde equidistância, colocando no «mesmo saco» as organizações de «extrema esquerda» ou «anarquistas», e a movida «fascista» ou de «extrema direita racista, xenófoba». O que os políticos burgueses e seus arautos lacaios da média corporativa estão sempre a dizer é que «se tiverem de reprimir uns - neste caso, os fascistas - pelas suas ideias, então também têm de fazer o mesmo com a extrema-esquerda e os anarquistas»

Esta falácia é usada como arma de chantagem, que permite às organizações de extrema direita serem uma conveniente capa legal, com direito a participarem no circo político eleitoral, etc, sendo conhecido que acoitam no seu seio muitos indivíduos violentos e tendências apostadas em subverter o Estado de modo violento.

Mas a sua actividade ilegal e violenta, no imediato, é sobretudo virada para a expulsão de imigrantes, provocando os sentimentos mais baixos no povo, que engole as patranhas quotidanamente repetidas de que os imigrantes seriam factores de criminalidade, de despesas sociais acrescidas, etc. Todas as pessoas bem informadas sabem que estas acusações contra a imigração são de uma falsidade total, de uma enorme injustiça contra este sector da classe trabalhadora, super-explorada, dócil, incapaz de se defender, o «bode expiatório» designado.

Mas a vil e infame campanha anti-imigrantes continua, desde há décadas, contaminando as mentes das pessoas comuns. Os políticos precisam der usar estes meios de alienação/dominação: pois assim exibe-se um sector da população ainda mais miserável que os cidadãos mais pobres, sem emprego, ou com salários cada vez mais magros, os excluídos dos sistema, mas que olham para o imigrante e vêm nele alguém ainda pior, ainda mais marginalizado. Por isso eles, os políticos do sistema, não desmascaram a extrema-direita.

Os média interessam-se, não por revelar a verdade, mas por vender notícias sensacionais. A extrema-direita não lhe interessa senão quando cocorrem casos como este da Noruega. Também não lhes interessa esgravatar muito, a média corporativa é parte essencial do dispositivo do grande capital: senão facilmente se descobriria que muitos dos homens de mão dos capitalistas, que eles usam para as tarefas sujas, como dar sovas a activistas sindicais combativos, não são mais do que «militantes» de organizações de extrema-direita contratados para o efeito.

A direita usa o medo para governar. O medo do desemprego, o medo do terrorismo, o medo é -por definição- irracional: se o medo for analisado racionalmente, se as causas do medo são aprofundadas, pode estabelecer-se uma estratégia, pode-se combater o medo e suas causas. Mas isso não interessa ao capital. As pessoas prescindem «livremente» dos seus direitos, garantias e liberdades, com o pretexto da «segurança», sem uma qualquer hesitação.

Pode a própria arma que os poderosos forjaram, se virar contra eles, ou contra uma fracção deles (porventura a menos responsável). Quer as organizações terroristas de extrema-direita, quer islamistas, são resultantes ou do laxismo ou mesmo de uma actividade deliberada de construção de organizações capazes de levar a cabo a guerra terrorista. Todos sabem que o islamismo foi utilizado e ampliado contra a URSS no Afeganistão, que esta guerrilha anti-soviética financiada e treinada pela CIA foi o berço da Al Quaida.

Talvez menos pessoas saibam que várias organizações de extrema-direita clandestinas, usando redes de contacto com polícias secretas, facções das forças militares, etc, têm um acesso fácil a armas de guerra, que têm muitos dos membros nas fileiras da polícia e forças armadas, que têm generosas doações de muitos capitalistas que esperam assim ter à mão uns grupos de bruta-montes disponíveis para dar uma «correcção» a alguns trabalhadores que se atrevam a contestar frontalmente o poder patronal.

Espero que haja uma campanha de denúncia das conexões de toda a extrema-direita europeia (que é uma autêntica internacional do crime) e que se combata a falsidade de que «extrema-direita = extrema-esquerda». Vejo com preocupação essa amálgama na comunicação social (já está em curso pela enésima vez!), o que vem apenas reforçar o medo, impedir um debate sóbrio e lúcido sobre o Estado, a prevenção dos terrorismos, o papel das polícias, etc.

O que prevejo é mais histeria, porque com pessoas amedrontadas, é mais fácil impor a tal «austeridade», essa tal que tira aos pobres para deixar aos ricos...

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