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opinião / análise
Tuesday January 12, 2010 21:41 by Um bancário da base - Federação Anarquista de São Paulo (FASP)
![]() Dei-me conta tardiamente no que havia me metido, se eu quisesse ter uma atuação efetiva no movimento sindical, obviamente não seria sozinho e desorganizado. E esta organização não poderia ser construída somente no momento da greve, mas no dia-a-dia e principalmente nos locais de trabalho. Não tenho como negar que quanto mais o calendário se aproximava de setembro, mais a minha ansiedade crescia; afinal meus heróis da adolescência – e juventude – eram os sindicalistas revolucionários da guerra civil espanhola (os quais implementaram com sucesso impressionante a autogestão em metade da produção econômica do país). Porém, eu já não era tão ingênuo, meus escassos contatos com o movimento sindical atual me davam uma idéia do que eu ia encontrar pela frente (era uma criança, mas ainda lembro-me de meu pai contando sobre um dirigente sindical de sua categoria [petroleiro] que sumiu com alguns milhares de reais do sindicato, fato que fez com que ele nunca mais se aproximasse da luta sindical; ou os meus superficiais contatos com o sindicato dos funcionários da universidade). Enfim, eu tinha consciência de que iria me decepcionar, contudo o conhecimento não é suficiente para evitar a decepção.
Na assembléia de início da greve senti certa euforia no ar, todos comentavam “o movimento está forte esse ano, bastante gente”. Eu pelo meu lado revi as pessoas que fizeram seminário de integração comigo, recolhi os diversos jornais e panfletos comuns a qualquer evento com participação da esquerda, e procurei o pessoal da INTERSINDICAL, por ter algum contato prévio com ela (porém só encontrei a ala do PSOL, que recentemente rachou a INTERSINDICAL para formar uma nova central junto com a CONLUTAS, do PSTU). Fiquei nisso até o início da assembléia, que, para minha surpresa, foi limitada a uma meia dúzia de falas dos dirigentes sindicais e um longo e inflamado discurso do presidente do sindicato (aparentemente uma versão bancária do Lula). Diante disto o principal pensamento que ficou perambulando na minha cabeça foi “o que que eu vim fazer aqui?”, pois assistir um showmício da CUT/PT não era meu interesse. Foi um choque grande, nunca havia antes participado de uma assembléia mais espetacular: os bancários na platéia assistindo o show dos burocratas sindicalistas no palco, sem nenhuma participação efetiva dos trabalhadores. Eu, na minha ingenuidade (será que seria melhor dizer “na minha experiência prévia em coletivos e movimentos que valorizam a democracia de fato, não a democracia meramente formal-representativa”?), achava que algo sobre a greve seria debatido e deliberado; talvez uma tática, talvez as nossas reivindicações ou pelo menos uma polemicazinha qualquer, porém… Nada. Enfim, assim que a assembléia terminou fomos chamados para conversar sobre os piquetes de nossa região. Na verdade não houve conversa, recebi uma camiseta e alguns adesivos da CUT e fui informado sobre onde seria o lugar de encontro da regional no dia seguinte. |
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Comments (3 of 3)
Jump To Comment: 1 2 3camarada, pode ser que eu tenha problemas cognitivos, mas qual a conclusão de seu texto? você nega a viabilidade da luta sindical hoje, por ser sua estrutura atrelada ao Estado? Reconhecendo que a situação e as oposições eleitoreiras são bastante semelhantes, o camarada nega a possibilidade de uma verdadeira oposição que combata desde o local de trabalho essa estrutura?
Compa, não fui eu quem escrevi, porém lendo o texto e conhecendo quem o escreveu, sei que a proposta é fortalecer o sindicalismo pela base no local de trabalho como ele mesmo diz em "E esta organização não poderia ser construída somente no momento da greve, mas no dia-a-dia e principalmente nos locais de trabalho. Somente assim voltaríamos a ter um movimento grevista de fato dos bancários." tanto que essa pessoa faz parte da luta sindical dos bancários.
abraços, Bruno
valeu pelo esclarecimento compa.
vcs tem algum posicionamento sobre como seria construído esse sindicalismo de base, se ele se filiaria a Intersindical ou a Conlutas, ou como veem a possível fusão entre elas em 2010? valeu!