user preferences

New Events

Internacional

no event posted in the last week

Prêmio Nobel da Guerra

category internacional | imperialismo / guerra | opinião / análise author Wednesday November 11, 2009 23:41author by José Antonio Gutiérrez D. Report this post to the editors

Nunca fui muito bom em matemática, mas o seguinte cálculo é bastante exato. Somam-se 10.000 tropas novas no Afeganistão, violações sistemáticas nas ocupações deste país e do Iraque, silêncio cúmplice diante de dois genocídios, um em Gaza e outro no Sri Lanka (onde ainda há 300.000 seres humanos em campos de concentração), um golpe de Estado em Honduras em que a participação norte-americana foi algo que todos sabiam – mas que ninguém quis denunciar diretamente (ainda que o tiro tenha saído pela culatra) –, sete novas bases militares na Colômbia, e o que temos de resultado? Um prêmio Nobel da “Paz” para o presidente dos E.U.A., Barack Obama. [Castellano]

300_0___20_0_0_0_0_0_17f67e6f80.jpg


Prêmio Nobel da Guerra


Nunca fui muito bom em matemática, mas o seguinte cálculo é bastante exato. Somam-se 10.000 tropas novas no Afeganistão, violações sistemáticas nas ocupações deste país e do Iraque, silêncio cúmplice diante de dois genocídios, um em Gaza e outro no Sri Lanka (onde ainda há 300.000 seres humanos em campos de concentração), um golpe de Estado em Honduras em que a participação norte-americana foi algo que todos sabiam – mas que ninguém quis denunciar diretamente (ainda que o tiro tenha saído pela culatra) –, sete novas bases militares na Colômbia, e o que temos de resultado? Um prêmio Nobel da “Paz” para o presidente dos E.U.A., Barack Obama.

Na realidade, não me tira o sono o que fazem ou deixam de fazer com um prêmio que vale bem pouco, e que o único mérito que se conta para obtê-lo é a estratégia política. É verdade que este prêmio foi recebido por pessoas de incontestável valor como Pérez Esquivel, Rigoberta Menchú, Martin Luther King ou Desmond Tutu. Mas estes casos são, na verdade, bem excepcionais. Na lista encontramos gente como Theodore Roosevelt (1906), que popularizou a fórmula de “dar com uma mão e bater com a outra” ao se referir às relações internacionais dos E.U.A. no início de sua fase imperialista, aplaudiu o assassinato judicial dos Mártires de Chicago em 1886 (pois se atreveram a lutar pela jornada de oito horas) e que se caracterizou pelo tratamento brutal ao movimento operário de sua época.

Woodrow Wilson, outro presidente norte-americano, também recebeu o Nobel da Paz em 1919. Seus méritos? Ter participado da criação da Liga das Nações. Certamente não se levou em consideração os seguintes “detalhes”: foi o presidente que declarou os E.U.A. em guerra durante a Primeira Guerra Mundial, invadiu, durante seu governo, o México de Zapata, Cuba, Haiti, República Dominicana, Nicarágua e o Panamá. Como se isso fosse pouco, foi abertamente racista e defensor das virtudes da escravidão; opôs-se abertamente ao direito dos negros serem estudantes e negou que o sul dos E.U.A. pudesse ter direito a voto. Além disso, se opunha ao direito de votar dos negros em qualquer parte da “terra da liberdade” e estabeleceu nos departamentos federais, sob mando de seu governo, a segregação racial. Não é de se estranhar que, como corroboração ao seu racismo, fez também apologia ao Ku Klux Klan.

Outro dos premiados com o Nobel da “Paz” é ninguém mais ninguém menos que Henry Kissinger (1973) que, como cruel paradoxo, recebeu este prêmio precisamente no mesmo ano em que, como Secretário de Estado dos E.U.A., maquinou a queda de Allende e a ascensão ao poder de Pinochet, que durante 17 anos semeou a morte e o terror em todo o Chile. O prêmio lhe foi outorgado por haver negociado a retirada das tropas yanquis que haviam invadido o Vietnam. Que um personagem sinistro como Kissinger receba o prêmio Nobel da “Paz” é realmente tragicômico e revela o escasso valor deste prêmio: seu prontuário inclui bombardeios massivos no Camboja e no Vietnam, onde milhares de seres humanos foram carbonizados com NAPALM, apoio irrestrito à ditadura de Suharto na Indonésia e apoio militar à sua invasão genocida no Timor Leste, apoio a grupos paramilitares em Angola (UNITA) e Moçambique (RENAMO), alimentando suas ações criminosas que custaram a vida de mais de um milhão de pessoas, apoio ativo às ditaduras do Cone Sul da América Latina e o seu “Plano Condor”, que selou o assassinato covarde, a tortura e o desaparecimento de milhares de militantes de esquerda no Chile, na Argentina, na Bolívia, no Uruguai, no Paraguai e no Brasil. Isso sem mencionar sua assessoria a George W. Bush antes da invasão do Iraque em 2003.

nobel-6Bem, agora, qual é a razão para dar esse reconhecimento a Sua Majestade Obama? Parece que é seu suposto papel para melhorar a cooperação no mundo ou algo assim. Suponho que perdi alguma coisa, já que as benditas bases militares na Colômbia quase nos armam uma área de conflito na América do Sul e avivaram “os ventos de guerra” que sopram entre os Andes e o Amazonas, e nos meteu em uma corrida armamentista que é por demais preocupante. Obama, com essas bases, avivou o fogo do regime de ultra-direita de Uribe, que se encontra manchado pelos seus vínculos com o paramilitarismo genocida. Sua atitude permissiva ante as violações sistemáticas de Israel ao povo palestino tem sido uma constante, e hoje recebemos a notícia que seu governo se opôs ativamente ao informe Goldstone sobre crimes de guerra realizados por Israel na ofensiva de janeiro contra Gaza, realizando numerosas manobras diplomáticas para influir no voto dos membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Entretanto, essa pressão fracassou e é provável que continue boicotando o estabelecimento da verdade e de alguma medida de reparação a este povo faminto e bombardeado, no Conselho de Segurança da ONU ou em outras instâncias superiores. Que serviço à paz! É necessário falar sobre a sua decisão de continuar com a política de guerra e sua seqüela de violações intermináveis e de danos colaterais contra a população afegã. Se o prêmio é para esforços de “Paz”, há algo que não se enquadra…

Não é por nada que Eyad Bornat, dirigente palestino do Comitê Popular B’ilin [1], que durante anos se opôs à ocupação israelense e à construção do muro do “Apartheid” que divide suas comunidades e as executa como animais, escreveu as seguintes palavras do fundo de seu coração, com dor e ironia:

“Os E.U.A ainda estão no Afeganistão e no Iraque e a Palestina continua sob a ocupação (…), não vimos nenhuma mudança. Por que o comitê não deu esse prêmio para o Bush? Lembro que há nove anos Bush pronunciou um excelente discurso sobre o estabelecimento de um Estado palestino para 2005. Logo após esse discurso, Sharon invadiu a mesquita de Al Aqsa e os E.U.A. invadiram o Iraque. Por que então não deram a esse homem o prêmio, e no lugar disso, a única coisa que recebeu foi uma sapatada? Isto é uma injustiça!

Eu lamento senhor Bush. Você trabalhou duro, durante oito anos, assassinando crianças, lançando guerras e apoiando a ocupação, e ainda assim deram o prêmio a outro homem.” [1]

Somando e subtraindo, parece, o único mérito que restou a esse “bravo pacificador” foi seu discurso grandioso e eloqüente sobre um mundo “sem armas nucleares…” Seja dito de passagem que, até hoje, os E.U.A. não deram o passo de desmantelar nem sequer uma das inumeráveis ogivas nucleares que possuem, as quais no total somam um poder bélico capaz de destruir oito vezes o planeta Terra…

Já não há mais espaço para a vergonha, ainda que Obama, respondendo com as mesmas palavras de Kissinger, recebeu o prêmio com “humildade”. Como a velha canção camponesa “El Diablo en el Paraíso”, que celebrava o “mundo ao inverso”, agora são os senhores da guerra, os imperialistas e os que violam sistematicamente os direitos humanos em nome dos argumentos elásticos da segurança nacional e de guerra contra o terror, os que são confundidos com pombas de paz… As coisas que têm de se ver! Se esta é a paz sistemática capitalista, não é de se estranhar que os compadres parisienses, durante o levantamento do Maio Francês de 1968, escreveram nas paredes de sua cidade que um fim de semana de paz capitalista era infinitamente mais sangrento que um mês de revolução absoluta. Hoje essa afirmação tem mais lucidez e verdade do que nunca.

José Antonio Gutiérrez D.
17 de Outubro, 2009-10-20


Nota
[1] http://www.bilin-ffj.org/index.php?option=com_content&t…mid=1

Tradução: Bruno Domingos Azevedo

This page has not been translated into Other yet.

This page can be viewed in
English Italiano Deutsch
E

Front page

International call for solidarity with the case of Nicolás Neira

1º Congreso de la Federación Anarquista de Rosario (FAR)

María Esther Biscayard de Tello, nuestro homenaje

The party is haunting us again

[Colombia] Declaración Constitutiva de Acción Libertaria Estudiantil

Flora Tristán: precursora del feminismo y de la emancipación proletaria

Bil'in - 10 years of persistent joint struggle

In solidarity with the NO TAV struggle

Wave of arrests in Ireland as state tries to break water charges movement

Não se intimidar, não desmobilizar! Toda nossa solidariedade ao companheiro Vicente!

After the election of Syriza in Greece - Power is not in Parliament

[Chile] Movimiento Estudiantil: ¿En dónde debemos enfocar nuestros esfuerzos?

Je ne suis pas Charlie

México en llamas: raíces y perspectivas de una lucha que avanza y la crisis de un sistema político

Sobre la liberación de prisioneros y el restablecimiento de relaciones diplomáticas, por los gobiernos de Cuba y EE.UU.

No to Golden Dawn in Australia!

Abusos y arbitrariedad - retención de JOSÉ A. GUTIÉRREZ, en el bajo Caguán, Caquetá

Could a Revolution Happen in the US?

An Anarchist Communist Reply to ‘Rojava: An Anarcho-Syndicalist Perspective’

Lutar e vencer fora das urnas

In the Rubble of US Imperialism

Elementos da Conjuntura Eleitoral 2014

The experiment of West Kurdistan (Syrian Kurdistan) has proved that people can make changes

[Chile] EL FTEM promueve una serie de “jornadas de debate sindical”

Internacional | Imperialismo / Guerra | pt

Mon 27 Apr, 01:16

browse text browse image

daf_in_kobane.jpg imageEm Shingal, Kobani e em toda a Rojava, o ISIS é Dehak e o Po 12:22 Fri 10 Oct by Devrimci Anarşist Faaliyet - DAF 0 comments

No Curdistão, o povo está lutando contra o ISIS, a "violência propagada" é gerada pelo capitalismo e pelos Estados que iniciam guerras para seus próprios benefícios. O ISIS, subcontratado dos Estados que buscam o lucro na região, está atacando o povo ao gritar "Estado Islâmico" e "Guerra Santa, a Jihad"! O povo está passando fome e sede, adoecendo, migrando e morrendo. Eles ainda estão lutando nesta batalha pela existência. O povo não está lutando por esquemas e estratégias em torno das mesas de reuniões, nem pelo lucro, mas pela sua liberdade.

textA directiva de retorno instaura o fascismo na Europa 02:26 Thu 19 Jun by Colectivo Luta Social 0 comments

textVI Encontro Latino-americano de Organizações Populares Autônomas 18:53 Thu 17 Jan by Comissão Organizadora do VI ELAOPA 0 comments

Texto base para o VI ELAOPA

imageObama e a hipocrisia da Guerra ao Terror Apr 08 by BrunoL 0 comments

08 de abril de 2015, Bruno Lima Rocha

No dia 18 de fevereiro deste ano, em plena quarta-feira de cinzas, o presidente da superpotência, Barack Hussein Obama pronunciou um discurso ímpar. O mandatário dos EUA abria com sua boa oratória o Encontro da Casa Branca para debater soluções contra o extremismo violento. No foco de seu discurso, uma abordagem compreensiva e bastante razoável do fenômeno do terrorismo sunita de inspiração religiosa. Diretamente Obama se referia às redes Al-Qaeda e Estado Islâmico (Daesh).

Se um leigo ou alguma pessoa desinformada escutasse a fala do presidente dos Estados Unidos, acreditaria na intenção correta do mesmo. O ex-senador por Illinois é um grande orador e trouxe de improviso a melhor das tradições democráticas estadunidenses. Estas combinam uma legítima absorção do caldeirão cultural de imigrantes (melting pot) e, ao mesmo tempo, a subordinação do discurso liberal e de respeito aos direitos humanos para com a lógica da geopolítica e do mais cínico realismo nas relações internacionais.

imageUma resposta para as críticas senderistas/maoístas e sua campanha de desinformação sobre Abdullah Oc... Mar 05 by BrunoL 0 comments

Bruno Lima Rocha

Antes de iniciar cabe uma reflexão. Entendo que este portal e os perfis que o espelham em redes sociais não formam necessariamente um espaço apropriado para o debate de tipo corrente política. E, tampouco o tipo de leitor@s que temos não é exclusivamente militante e nem de esquerda engajado. Talvez a virtude deste portal (e perfis) seja justamente esta, dar um tratamento analítico e linguagem jornalística para temas de fundos bem ásperos.

imageEUA x ISIS, “outra guerra estúpida” onde a esperança da humanidade está nas forças curdas Nov 19 by BrunoL 0 comments

No início de setembro, enquanto a OTAN realizava o seu encontro anual, com o secretário da aliança passando o chapéu para apertar as receitas dos países membros, constatava-se uma corrida do horror. Alimentados pelos aliados dos EUA na região, a Al-Qaeda força a fronteira da Síria com Israel e, ao mesmo tempo, anuncia a formação de seu braço na Índia. No Levante, enfrentam-se criador (Al-Qaeda, através de seu braço, Frente Al Nusra) e criatura (ISIS, racha da Al-Qaeda no Iraque). A superpotência assistia “quase inerte”, para não se envolver demais e criar um novo despertar sunita. Por fim, a grande questão é: - Como é possível uma força móvel, o ISIS, ser financiada por um califado pirata que vive vendendo petróleo? Óleo cru não é tão simples de transportar e menos ainda de realizar compensações bancárias correto?

imageSolidariedade à resistência popular e feminina Curda Oct 15 by Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) 0 comments

A guerra civil na Síria trouxe novos elementos para a conjuntura da região curda. Inspirados em diversas tradições populares de resistência, um setor significativo dos curdos participa de uma experiência que deve ser olhada com atenção por todos os setores revolucionários.
[English]

imageA Aliança do Pacífico e o mito do livre-comércio Jun 02 by Bruno Lima Rocha 0 comments

Os quatro presidentes da nova versão, agora minimalista, da moribunda ALCA, sub-projeto do Império para as Américas

more >>
© 2005-2015 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]