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A farsa do referendo

category brazil/guyana/suriname/fguiana | miscellaneous | comunicado de imprensa author Tuesday October 11, 2005 17:50author by Federação Anarquista Gaúcha - FAGauthor email fag.poa at terra dot com dot br

Dizemos que este referendo é uma farsa. Queremos ter voz, sim. Mas não somos tontos, o governo não quer nossa participação real... Nossa participação conquistamos lutando.


A farsa do referendo

Ninguém mais do que os anarquistas, defendem as formas democráticas de participação política. Aquelas onde o povo participa diretamente das decisões. Considerando a atual conjuntura e a co-relação de forças impostas na sociedade, é possível dizer que um referendo cumpre este papel, o de dar vasão à opinião popular. Porém, este referendo da proibição, lançado pelo governo central, e justo neste momento de crise política, não passa de uma farsa, um engodo.

Neste momento, temos duas CPI’s em curso, as denúncias de corrupção no governo Lula ainda ecoam na sociedade brasileira. Nunca esta administração sofreu pressão tão forte e os índices de rejeição à Lula estão aumentando. Realmente, é uma conjuntura propícia para se tirar o foco das atenções de Brasília. E, quem sabe, fazer uma propaganda positiva, fazendo um referendo e causando a impressão de se estar fazendo democracia, "consultando" o povo.

Qual problema se busca solucionar com a questão posta no referendo? A resposta é unânime, tanto para os defensores do "sim", como para os defensores do "não": a segurança pública. Para se chegar a esta solução, será esta a pergunta certa a se fazer? "Você concorda ou não com a comercialização de armas de fogo no Brasil?". Parece que este questionamento não leva em consideração uma situação desconfortante que encontramos em nosso país, um dos mais desiguais do mundo. Aqui, existem 1.162.164 famílias com renda superior a 22.487 reais por mês, o equivalente a 2,4% da população. Por outro lado, temos 20 milhões de famílias com renda inferior a 520 reais mensais, isso significa 48% da população. Nas universidades brasileiras, encontramos apenas 7,4% dos jovens entre 18 e 24 anos. Neste país, 27 milhões de trabalhadores não possuem cobertura social ou qualquer direito trabalhista (dados extraídos da revista Carta Capital de 21 de setembro de 2005, ano 12, n°360), estão jogados à sorte do trabalho informal. Com condições sociais tão brutalmente desiguais, é fácil identificar as causas da violência no Brasil.

Agora, voltando à pergunta do referendo, ela serve para se chegar à solução do problema da violência? A questão a ser posta deve ser outra, e tem de levar em consideração a situação apresentada acima. 500 milhões de reais sairão dos cofres públicos para financiar esta farsa de democracia, dinheiro que poderia ser usado para reverter os números da nossa desigualdade social.

Várias medidas de maior significado foram tomadas pelo governo central, sem consultar a população:

Na tomada dessas decisões, não fomos consultados. Para elas, nossa opinião não servia. Agora, para se passar por democrático, o governo Lula nos chama a opinar sobre uma questão que pouco ou nada tem a ver com o problema que diz buscar solução.

Por isso tudo, dizemos que este referendo é uma farsa. Queremos ter voz, sim. Mas não somos tontos, o governo não quer nossa participação real. Ou então, não nos colocaria um questionamento tão sem propósito. Nossa participação conquistamos nas ruas, em cada marcha, barricada erguida, greve e ocupação realizada, galpão conquistado e rádio comunitária que vai ao ar.

Nossa participação conquistamos lutando.


Federação Anarquista Gaúcha

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