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Porque queremos a liberdade para Cesare Battisti

category internacional | repressão / prisioneiros | other libertarian press author Thursday September 10, 2009 11:07author by UNIPA - Brasil Report this post to the editors

A liberdade dos revolucionários só pode ser garantida pela luta e a organização dos próprios trabalhadores, tal como Battisti fora libertado pelos seus companheiros em 1981.



Cesare Battisti (foto) é um ex-militante dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo que atuou na Itália no final dos anos 1970. Os PAC e uma série de outras organizações lutaram contra o Estado Italiano e contra o capitalismo, executando ações de apoio aos movimentos operários, de onde provinham em sua maioria, greves, manifestações, sabotagens, expropriações e libertação de militantes. Na luta, alguns agentes de repressão, torturadores, delatores e colaboradores foram justiçados.
Battisti é um dos milhares de militantes que aderiram às organizações proletárias baseadas em teorias foquistas e/ou autonomistas. É um dos que sofre uma implacável perseguição do Estado italiano desde os “anos de chumbo”, quando os estados ditos “democráticos” da Europa generalizaram a prática da repressão, do assassinato e da tortura pra tentar frear o avanço das lutas operárias e liquidar as centenas de organizações revolucionárias socialistas. Libertado por meio de uma ação dos PAC, Battisti rompeu com o grupo e se refugiou durante anos, valendo-se de uma suposta política do Estado francês que concedia refúgio político a militantes que declarassem “abandonar a luta armada”. No entanto, na última década, com o avanço do reacionarismo na Europa, vários ex-militantes foram extraditados e condenados. Battisti fugiu para o Brasil e aqui vivia até ser preso pelo governo Lula em maio de 2007, a mando do serviço secreto do recém empossado presidente francês Nicolas Sarkozy, estreito colaborador do bilionário fascista italiano Silvio Berlusconi. Atualmente, Battisti foi considerado refugiado político pelo governo Lula e ainda continua preso, aguardando decisão do Supremo Tribunal Federal.
Devemos entender que o que está por trás do caso Battisti, na verdade, é a defesa da revolução socialista. Há que se combater a burguesia reacionária, que defende com unhas e dentes sua extradição, prisão perpétua ou mesmo a morte. Porém, também devemos combater aqueles que denunciam simplesmente o caráter “arbitrário” do processo judicial e a “perseguição política” do estado italiano, ao mesmo tempo em que também não medem palavras pra denunciar “a luta armada” e o “terrorismo”. Estes são os mesmos que não perdem tempo pra defender as instituições burguesas e pra legitimar a repressão contra os revolucionários socialistas.
Em ambos os casos, há o interesse em reforçar a “falência” e a “derrota” da revolução socialista, assim como de uma suposta incapacidade política do proletariado de destruir o Estado burguês e o capitalismo. Com isso, a direita reacionária pretende conseguir uma revanche e enterrar de vez o fantasma do socialismo. Os reformistas, fazendo coro, buscam enterrar a via revolucionária e garantir que o movimento dos trabalhadores seja simplesmente uma base de apoio da sua política burguesa.
O ministro Tarso Genro, no documento que concede refúgio à Battisti, afirma que é “legítima” a reação do Estado em determinados momentos de “tensão social e política” e que é “esperável” a atuação de aparatos semiclandestinos vinculados a determinados agentes de Estado e da burguesia. Afinal, não devemos esquecer que é a polícia comandada por ele que espiona movimentos sociais, prende militantes, espanca e mata moradores de favelas, de ocupações urbanas e rurais e de áreas indígenas. Por outro lado, o governo Lula defende a si mesmo. Sua cúpula tem uma série de ex-comunistas que integraram diretamente ou fizeram parte da rede de apoio de organizações revolucionárias, incluindo o próprio Tarso Genro e Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil.
Neste sentido, devemos lutar pela liberdade de Battisti, enquanto parte da disputa político-ideológica pela atualidade da luta revolucionaria pelo socialismo. Mais uma vez, porém, demonstra-se que a liberdade dos revolucionários só pode ser garantida pela luta e a organização dos próprios trabalhadores, tal como Battisti fora libertado pelos seus companheiros em 1981.

Liberdade para Battisti! Liberdade para todos os que lutaram e lutam contra o capitalismo!

Email:: unipa_net@yahoo.com.br
URL:: www.unipa.cjb.net

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