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Definições de um Companheiro

category argentina / uruguai / paraguai | movimento anarquista | opinião / análise author Monday June 08, 2009 22:27author by Gerardo Gatti Report this post to the editors

Artigo do militante da FAU, Gerardo Gatti, escrito em 1975, que discute o socialismo libertário.

[English]

Gerardo Gatti
Gerardo Gatti

Definições de um Companheiro

Gerardo Gatti

O poder da burguesia sintetiza-se e funde-se no Estado. Não há possibilidade de transformar a sociedade sem destruir esse Estado burguês, e como lutamos por uma sociedade sem classes sociais, queremos que se elimine todo aparato burocrático do Estado, toda separação entre governantes e governados. Os privilegiados de todos os tempos e de todos os tipos, horrorizados diante da possibilidade de perder seus privilégios, sempre afirmaram que isto é impossível. Da mesma forma que antes se afirmava que o mundo era plano ou quadrado.

Nós acreditamos que também no que se refere à administração política da sociedade, deve-se acabar com a propriedade privada e terminar com esta ordem em que uns mandam e outros obedecem. Conselhos e federações de comitês operários, de vizinhos de bairro, comunas ou conselhos rurais de camponeses são distintas formas através das quais os trabalhadores vêm se organizando para defender os processos revolucionários contra a contrarevolução interna ou a agressão externa, e para administrar, ordenar e conduzir o conjunto da vida social. A partir destas bases, entendemos que devem estruturar-se os organismos sociais. Efetivo poder dos trabalhadores, maior gestão direta, menor representação indireta, nenhum tipo de diferenciação salarial, nenhum tipo de vantagem ou privilégio. Isso é o que entendemos por poder popular.

Nada disso é algo novo. É por estes ideais que em várias partes do mundo os trabalhadores fizeram revoluções, celebraram vitórias e sofreram derrotas. E há mais de um século, homens provenientes da classe operária e outros que, sem ter esta origem, colocaram-se realmente a seu serviço, organizaram conspirações, redigiram manifestos, juntaram fundos para a causa operária, desenvolveram a solidariedade. Foi-se sintetizando a experiência e os trabalhadores foram encontrando explicações para suas desgraças.

Sem conhecer esta história, sem ter lido estes livros, ainda sem conhecer estas explicações, em todo o mundo, todos os dias, milhões e milhões de seres humanos que sofrem a prepotência, querem a igualdade; aqueles que têm fome desejam comer; os que passam frio e não têm teto querem ter uma casa e um abrigo; aqueles que sofrem a humilhação buscam fraternidade; aqueles que se reconhecem ignorantes aspiram a uma escola, pelo menos para seus filhos.

De forma muitas vezes vaga, dando muitas vezes denominações distintas, a maioria das pessoas que conhece sofrimentos, ditaduras, infelicidades, despotismo, pobreza, aspira ao bem estar, à solidariedade e ao entendimento entre os humanos.

A origem primeira e a razão de nossa luta não estão em qualquer razão de alta política de Estado, ou de governo, de partido ou de organização, de grupo ou de movimento. Essa origem está na dor e no desejo desta grande humanidade, da qual nosso povo é uma parte.

Porque sabemos que o homem é um ser social, queremos que desenvolva sua capacidade e a coloque a serviço da sociedade; porque queremos que todas as decisões que digam respeito à sociedade sejam assumidas e resolvidas de forma social; porque queremos que a riqueza não seja individual ou de alguns poucos, mas social, de todos, e por isso nos chamamos socialistas.

Porque confiamos mais no acordo que na imposição, mais no conhecimento que na coerção, mais na liberdade que na autoridade. Por isto somos libertários.

Mas já aprendemos que, às vezes, as denominações são enganosas. Por isso não nos dedicamos a pregar etiquetas na luta dos oprimidos. Pode haver gente que, denominando-se de maneira parecida, não saiba bem o que quer, e há também quem, com outro nome, ou às vezes até sem saber dar um nome, busca o mesmo.

A todos os que lutam por estes ideais, sem mesquinharias, à sua maneira e em sua medida, chamamos companheiros.

Buenos Aires, junho/ julho de 1975



*Tradução: Daniel Augusto A. Alves

author by Linkerpublication date Wed Jun 10, 2009 07:43author address author phone Report this post to the editors

Translation in Greek: http://www.anarkismo.net/article/13389

 
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