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Wednesday December 03, 2008 14:11 by Federação Anarquista do Rio de Janeiro - FARJ
![]() Parte 16/16 de "Anarquismo Social e Organização" O I Congresso cumpriu completamente seus objetivos, realizando-se em clima de grande solidariedade entre os militantes. Proporcionou o devido espaço para reflexões, comentários, debates e conclusões. As avaliações de todos os militantes foram bastante positivas. ANARQUISMO SOCIAL E ORGANIZAÇÃOCONCLUSÃO E APONTAMENTOSAo trabalho companheiros! A tarefa é grande. Ao trabalho, todos!
O I Congresso cumpriu completamente seus objetivos, realizando-se em clima de grande solidariedade entre os militantes. Proporcionou o devido espaço para reflexões, comentários, debates e conclusões. As avaliações de todos os militantes foram bastante positivas. Foi ressaltada a importância de haver uma geração de militantes mais velhos e experientes na organização, que foram (e são) fundamentais para que o conhecimento militante das gerações anteriores não se perdesse e para a formação e orientação da nova geração. À “velha guarda” o Congresso prestou toda homenagem. À “nova guarda”, o Congresso também saudou, visto que vem auxiliando colocar em prática o que os mais velhos sempre defenderam. Os militantes da organização que estão na luta desde os anos 1970, 1980, e 1990 ressaltaram a importância deste momento, que pontua a continuidade de uma militância que, para nós, tem início desde Juan Perez Bouzas, passa por toda a história de luta de Ideal Peres, pelo Círculo de Estudos Libertários (CEL), que depois se transformou em Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP), e que, em 2003, constituiu-se na FARJ. Julgamos estar colocando em prática as aspirações dos diversos personagens desta história, aos quais acreditamos estar dando a devida continuidade. Neste momento, o objetivo é continuar na busca pelo vetor social do anarquismo. Colocar o anarquismo em contato com os movimentos sociais, buscar a criação da organização popular. Isso estamos tentando fazer por meio de nossas três frentes. A frente de movimentos sociais urbanos (nossa antiga frente de ocupações) vem realizando um trabalho permanente com as ocupações urbanas do Rio de Janeiro desde 2003, e dando continuidade às experiências que tivemos com o movimento sem-teto ainda na década de 1990. Esta frente encampa também, neste momento, a reconstrução do Movimento de Trabalhadores Desempregados do Rio de Janeiro (MTD), que luta pelo trabalho em todo o país, e existe no Rio de Janeiro desde 2001. O MTD retoma sua força agora se rearticulando e nucleando pessoas das comunidades carentes para a luta. Além disso, esta frente possui relações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), para o qual vem oferecendo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, cursos de formação política. A frente está próxima e realiza atividades, também, com outras entidades e movimentos sociais como Assembléia Popular (RJ) e a Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST). A frente comunitária é responsável pela gestão do Centro Cultura Social do Rio de Janeiro (CCS-RJ), um espaço social aberto, que mantemos na zona norte da cidade e que agrega uma série de atividades comunitárias de reciclagem de lixo, reforço escolar e cursinho pré-vestibular para a comunidade carente do Morro dos Macacos, oficinas de teatro, eventos culturais, comemorações e reuniões de diversos tipos. Esta frente é também é responsável pela gestão da Biblioteca Social Fábio Luz (BSFL), que existe desde 2001 e, no âmbito da qual funciona o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa (NPMC) que, fundado em 2004, tem o objetivo de produzir teoria para a organização, além de pesquisar a história do anarquismo no Rio de Janeiro. Além disso, a frente comunitária administra o CELIP, espaço público da FARJ que tem o objetivo de realizar palestras e debates para aproximar novos interessados em anarquismo. A frente agroecológica, chamada Anarquismo e Natureza, atua em movimentos sociais rurais e agrupamentos que trabalham com agricultura e ecologia social. Ela possui contatos e trabalho com o MST, a Via Campesina e espaços como a Cooperativa Floreal e o Núcleo de Alimentação e Saúde Germinal. Realiza oficinas pedagógicas em ocupações, escolas e comunidades pobres. Tudo isso, com o objetivo de resgatar a agricultura, a agroecologia, a ecologia social, a ecoalfabetização e a economia solidária. Busca envolver em suas atividades trabalhadores, militantes dos movimentos sociais e estudantes. Para atender a uma demanda importante, encabeçamos um projeto “transversal”, no qual se inseriram todas as frentes, que se chama Universidade Popular (RJ). Tal proposta desdobrou-se, de fato, em uma iniciativa de educação popular anticapitalista, voltada para a transformação da sociedade, tendo como tática a formação política no seio dos movimentos sociais. Outros trabalhos “transversais” também vêm sendo realizados como a edição do periódico Libera; da revista Protesta! (juntamente com os companheiros de São Paulo do Coletivo Anarquista Terra Livre); e livros como O Anarquismo Social de Frank Mintz, O Anarquismo Hoje da União Regional Rhone-Alpes e Ricardo Flores Magón de Diego Abad de Santillán. Finalmente há trabalhos internos de formação política, relações, gestão de recursos, entre outros. Há trabalho sendo realizado, e muito trabalho por realizar. E, realmente, como outrora dizia Malatesta, a tarefa é grande. Saber que há muita coisa a ser feita e conhecer a grandiosidade de nosso projeto de transformação social, muito ao invés de nos desmotivar, vem sendo um combustível cada vez maior que nos motiva e nos leva, dia após dia, a esta tarefa que é tão urgente realizar. Esperamos que esta breve contribuição teórica possa auxiliar na construção de um anarquismo militante, nas mais diversas localidades. Pelo anarquismo social!
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