user preferences

New Events

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana

no event posted in the last week

Os fins, os meios e as esquerdas na democracia burguesa

category brazil/guyana/suriname/fguiana | a esquerda | opinião / análise author Saturday November 08, 2008 19:16author by BL Rocha - FAGauthor email blrocha at autistici dot org Report this post to the editors

A intenção do artigo é debater um tema clássico da Teoria Política Anarquista. Quem escreve é um militante a mais da Federação Anarquista (FAG), aliada estratégica da Federação Anarquista Uruguaia (FAU). Como o trabalho não passou por avaliação coletiva antes de ser publicado, assinatura de forma individual. Mas, reforço a idéia de que não se trata de “novidade” e menos ainda uma formulação de tipo “livre pensador”. O que trago para ser lido é uma parcela do pensamento político que está no cotidiano de nossas organizações.


Os fins, os meios e as esquerdas na democracia burguesa


A intenção do artigo é debater um tema clássico da Teoria Política Anarquista. Quem escreve é um militante a mais da Federação Anarquista (FAG), aliada estratégica da Federação Anarquista Uruguaia (FAU). Como o trabalho não passou por avaliação coletiva antes de ser publicado, assinatura de forma individual. Mas, reforço a idéia de que não se trata de “novidade” e menos ainda uma formulação de tipo “livre pensador”. O que trago para ser lido é uma parcela do pensamento político que está no cotidiano de nossas organizações.

Para começar, é necessário aportar definições. Que diferença existe entre os fins e os meios? É comum escutarmos uma afirmação do tipo: “os fins justificam os meios”. Não concordo. Os meios são o produto dos fins. Na política, o processo é tão ou mais importante do que as vitórias pontuais. Com a noção de fins que justificam qualquer coisa, a finalidade termina sendo “qualquer coisa”. É tudo menos o processo de câmbio profundo. Esta forma de pensamento simplista, de que tudo serve, acaba por ser uma fábrica de traidores de classe. Para quem pensa que exagero, convido que o leitor faça uma breve pesquisa sobre a trajetória política dos homens e mulheres do PT com algum peso tanto no partido como no governo Lula. Nesta lista, a presença de ex-sindicalistas é larga.

Um bom exemplo de como não mudar a sociedade

Porque estes militantes sindicais, que enfrentaram a ditadura militar brasileira (1964-1985) no final da década de ’70, se deixaram envolver por um projeto político que sequer chega a ser reformista? Como sou militante de uma federação anarquista, entendo que a relação de causa e efeito não é direta e nem pré-determinada. Mas, uma das razões porque líderes sindicais com trajetória política inicial acabaram fortalecendo o neoliberalismo no Brasil, me parece ser óbvia. Esta militância jamais se propôs a organizar um processo de câmbio profundo no país. Mesmo quando alguns deles ainda acreditavam nisso, nunca empregaram as ferramentas necessárias. E nem pensaram de forma estratégica para acumular forças visando uma ruptura com a ordem social vigente. Ou seja, se chegaram a ter intencionalidade revolucionária, desde o começo não contaram com o instrumento necessário para isso.
 
Na tese aprovada em 24 de janeiro de 1979, no IX Congresso dos Trabalhadores Metalúrgicos, Mecânicos e de Material Elétrico do Estado de São Paulo, na cidade de Lins (SP), a disposição de luta se confunde com o instrumento das eleições na democracia burguesa. Como o partido já nasce de massas – de filiação aberta e sem definição político-ideológica – e quer participar da administração do Estado, galgando postos com a competição eleitoral, a radicalidade já nascia morta. Vejam as palavras originais daqueles sindicalistas que convocavam o congresso de fundação do PT (ver: http://www.pt.org.br/pt25anos/anos70/documentos/79_tese...s.pdf):
 
“Não (queremos) um partido eleitoreiro, que simplesmente eleja representantes na Assembléia, Câmara e Senado, mas que, além disso e principalmente (o grifo é meu), seja um partido que funcione do primeiro ao último dia do ano, todos os anos, que organize e mobilize todos os trabalhadores na luta por suas reivindicações e pela construção de uma sociedade justa, sem explorados e exploradores.”
 
Neste caso, se os fins eram: “construção de uma sociedade justa, sem explorados e exploradores”, o meio empregado gerava conflito com a finalidade da organização política. Isso porque, a tendência de uma competição pelo voto dentro das regras burguesas é absorver o esforço militante. E, à medida que se vai ocupando postos nas administrações locais, este partido se torna responsável cada vez mais responsável pela legalidade capitalista. Ou seja, o caminho traçado, “o meio”, está em contra “o fim” traçado por este partido antes mesmo de ser fundado. O outro equívoco é confundir o movimento popular com um partido de massas de tipo eleitoral. Ambas as propostas ocupam o mesmo espaço político e o conflito é inevitável. Daí para a luta interna, entre “políticos” e “massistas” é uma questão de tempo. A decisão de agir “taticamente” dentro do jogo político burguês se revela. É um tiro no pé, um suicídio político.  

A fórmula da traição de classe

Outra vez nos deparamos com o dilema de fins e meios. Entendo que na falta de um objetivo permanente, a estratégia não existirá. Sem estratégia, entramos no reino da tática. A tática marca o momento, a manobra em batalha. A estratégia é definidora da guerra. Se o plano tático e o único que existe, então as atividades vão corresponder apenas ao curto prazo. Bem, a história das lutas sociais nos mostra que a fórmula:
 
política de curto prazo + participação eleitoral + partido de massas = 1º reformismo e 2º traição de classe    
 
Sem a finalidade de câmbio profundo, as parcelas de poder ocupadas serão através do voto e não das ruas. Tomar esta parcela de poder burguês tem um custo alto. A máquina político-partidária cresce, mas quanto mais votos na urna, governos locais e cadeiras no parlamento, quanto menos militantes ficarão na organização de base. Pouco a pouco, a política deixa de ser um fim e passa a ser apenas um meio de sobrevivência e ascensão social.  Para os anarquistas, a organização deve ser uma escola de vida. Na política da ex-esquerda que ajuda e se alia com a direita, a “escola” é de arrivismo.

Não dá para quebrar concreto com uma colher de pau

Compreendo que os fins são produtos dos meios. Portanto, entendo que o Objetivo (o fim) subordina o Método (o meio).  Logo, a Estratégia (o longo prazo) é marcada pela finalidade, pelo objetivo. E, a tática (o curto prazo), é subordinada à estratégia e ao fim. Por isso, não se podem fazer manobras que não sirvam para acumular forças rumo ao Objetivo. Sem os instrumentos políticos necessários, é impossível fazer a construção do processo de câmbio. Não dá para quebrar concreto com uma colher de pau.
 

BL Rocha é politólogo e jornalista, militante de FAG/FAU

Related Link: http://www.vermelhoenegro.org/fag
This page can be viewed in
English Italiano Deutsch
Verso lo sciopero generale e sociale nel mondo del lavoro, nei territori, nelle piazze

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana | A Esquerda | pt

Thu 23 Oct, 23:50

browse text browse image

ix_elaopa.jpg imageIX ELAOPA, Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas 04:12 Fri 10 Dec by ELAOPA 0 comments

O ELAOPA (Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas) reúne, anualmente, organizações sociais pautadas na luta de classes e na identidade dos povos originais da América Latina, a partir dos seguintes princípios: democracia de base, solidariedade de classe, luta popular e autonomia dos oprimidos e dos povos originários. Autonomia em relação aos partidos políticos, ao Estado e seus governos, às ONGs, às empresas, e a todos aqueles que querem oprimir. O ELAOPA proporciona o espaço para o debate visando a convergência de ações políticas no intuito de criar o Poder Popular.

textEm defesa da autonomia dos movimentos sociais! 16:47 Thu 24 May by Rusga Libertária 0 comments

Passamos hoje um momento de crise dentro dos movimentos sociais onde se discute o governismo de várias entidades e a cooptação destas pelos projetos lulistas. Busca-se alternativas para uma nova organização dos trabalhadores que não seja refém de práticas governistas e partidárias. Essa questão acaba passando dentro do CLTP (talvez um dos movimentos sociais mais fortes em Cuiabá nos últimos dois anos).

imageLulismo, trabalhismo e a possibilidade de reeleição Aug 13 by BrunoL 0 comments

Bruno Lima Rocha, 12 de agosto de 2014

Estamos em pleno ano eleitoral, e no momento em que escrevo estas linhas, tardam menos de dois meses para o pleito. Existe a real possibilidade de reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) e com isso seria concretizado um feito inédito de dupla reeleição. Dois debates entendem-se como necessários para traçar tanto uma análise do cenário eleitoral como de uma conseqüente crítica por esquerda. O primeiro aborda o cenário eleitoral e as candidaturas oficiais por direita, além do próprio risco de não conseguir emplacar um segundo mandato. O seguinte trata da comparação do espaço político, ocupado pelo lulismo, como uma “continuidade descontínua” do trabalhismo contemporâneo.

imageTrês lições políticas dos protestos no Brasil Jul 07 by Bruno Lima Rocha 0 comments

O Brasil não será como antes, não ao menos em termos de cultura política. Após dez anos de pasmaceira e vinte e um anos sem manifestações massivas, o país se reencontra com a luta política de rua e de massas. Algumas lições foram transmitidas, dentre as quais elenco três.

imageDeixemos todas as bandeiras vermelhas levantadas... Mas as bandeiras rubro-negras exigem respeito! Jul 05 by Rafael Viana da Silva, Bruno Lima Rocha, Felipe Corrêa 0 comments

O que exigimos é respeito e, para isso, um debate franco é o melhor caminho que podemos trilhar. Sem ignorar nossos princípios ideológicos e as experiências históricas relevantes, nas quais cerramos fileiras com outras tradições da esquerda ou fomos traídos, o anarquismo tem um papel importante a cumprir no conjunto mais amplo do socialismo.

imagePartidos de mentirinha e a política do cinismo May 25 by Bruno Lima Rocha 0 comments

O cinismo e a hipocrisia política é parte estruturante do jogo de cenas construído entre legendas sem distinção ideológica ou programática

imageQuando os cardeais do Congresso falam o óbvio May 06 by Bruno Lima Rocha 0 comments

Renan deu a dica, apontando o caminho através da lógica de um cardeal do Congresso acostumado a legislar em causa própria e de seus pares.

more >>

textEm defesa da autonomia dos movimentos sociais! May 24 Construindo o Fórum do Anarquismo Organizado 0 comments

Passamos hoje um momento de crise dentro dos movimentos sociais onde se discute o governismo de várias entidades e a cooptação destas pelos projetos lulistas. Busca-se alternativas para uma nova organização dos trabalhadores que não seja refém de práticas governistas e partidárias. Essa questão acaba passando dentro do CLTP (talvez um dos movimentos sociais mais fortes em Cuiabá nos últimos dois anos).

© 2005-2014 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]